ZONA PET
Pescadores faturam R$ 12 mil com caça ao peixe-leão no litoral da Bahia
Prefeitura de Porto Seguro paga R$ 10 por exemplar entregue da espécie invasora


Uma força-tarefa ambiental virou fonte de renda no extremo sul da Bahia. Pescadores de Porto Seguro já embolsaram cerca de R$ 12 mil com a captura do peixe-leão (Pterois volitans), animal invasor altamente venenoso que ameaça a biodiversidade marinha da costa brasileira.
A remuneração faz parte do Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão, instituído pela prefeitura local após a espécie ser detectada no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora.
Para estimular o controle populacional e frear o predador, o município paga R$ 10 por cada exemplar entregue na Colônia de Pescadores Z-22.
Desde o início da iniciativa, em julho de 2026, mais de 1,2 mil espécimes foram retirados das águas da região. Apenas em outubro, a comunidade pesqueira entregou 275 peixes, gerando um repasse de R$ 2.750 em recompensas diretas.
Ameaça ecológica na Bahia
Originário dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão não possui predadores naturais no Atlântico Sul e tem uma voracidade alarmante, alimentando-se de peixes e crustáceos nativos.
O potencial reprodutivo agrava o desequilíbrio: uma única fêmea da espécie pode liberar até 2 milhões de ovos anualmente.
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Além do impacto destrutivo aos recifes de corais, o peixe representa perigo severo à saúde de banhistas, mergulhadores e pescadores. Seus espinhos dorsais contêm toxinas que causam dor excruciante, inchaço, febre e vômitos, podendo evoluir para convulsões em casos graves.
Órgãos ambientais alertam que o animal não deve ser tocado sem equipamentos de proteção, mesmo quando estiver morto na areia.
Destino dos animais
Para evitar desperdício e aprofundar o combate à praga, os animais recolhidos são triados para duas frentes distintas.
Parte dos exemplares segue para os laboratórios da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde cientistas mapeiam o padrão reprodutivo e a dieta do animal na região.
Outro lote foi encaminhado ao Senac para testes gastronômicos, já que a carne da espécie é própria para consumo e muito apreciada internacionalmente após o descarte cuidadoso dos espinhos venenosos.


