SAFRA PROMISSORA
'Novo milho' abre porteiras e amplia corrida internacional na Bahia
Na Bahia, o sorgo tornou-se uma alternativa mais viável, acessível e barata para a produção agrícola


A alta resistência e baixa dependência hídrica fizeram com que o sorgo, um cereal de origem africana, abrissem as porteiras de oportunidade no agronegócio brasileiro e ganhasse ainda mais destaque no Brasil, principalmente pela relevância na segunda safra, cultivo realizado logo após a colheita da safra de verão (primeira safra).
Na Bahia, o cereal tornou-se uma alternativa mais viável, acessível e barata para a produção agrícola, inclusive, tem andado lado a lado com o milho.
De 2021 a 2025, a produção do sorgo evoluiu a uma taxa média anual de 21,1%, consequência de aumentos de 14,3% na área e de 5,6% no rendimento médio da lavoura, de acordo com análise da Conab, divulgada em março deste ano.
A sétima estimativa, da safra 2025/26, com base nas informações obtidas na pesquisa de campo, realizada em março, indica uma produção de 356,3 milhões de toneladas, sendo registrada na cultura do sorgo, um incremento de 1,4 milhão de toneladas em relação ao volume colhido na safra anterior.
A formação dos preços do sorgo é referenciada ao preço do milho. O estabelecimento do preço do milho no Brasil é definida pela combinação de fatores globais e domésticos, com destaque para a Bolsa de Chicago (CBOT), o câmbio (dólar), o custo de produção, a logística e a demanda interna (especialmente ração e etanol).
Bahia na mira global
Essa consolidação permitiu que agora o sorgo também abrisse portas na balança comercial global. A China, por exemplo, recentemente liberou a importação do cereal e tem se posicionado como um dos grandes demandantes de sorgo do mundo.
“A gente tem um potencial bastante grande para o sorgo. Isso tira o risco para o agricultor no momento de poder perder uma janela ideal de plantio. O sorgo é mais tolerante à seca. O custo de implantação também é mais barato que o plantado no cultivo da segunda safra. Ele não vai tomar um espaço do vídeo, mas ele vai complementar essa cadeia de novo”, explicou Paulo Bertolini, Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), durante evento em Brasília.
Leia Também:
O Brasil está em terceiro lugar no ranking de países produtores de sorgo, e a Bahia, é claro, vem mirando na estratégia de avançar na produtividade do considerado “novo milho”.
De acordo com a Conab, o plantio na região oeste avança de forma acelerada. As lavouras seguem em fase inicial de desenvolvimento vegetativo e apresentam boa qualidade. A expectativa é que em período chuvoso, haja aumento do cultivo e alta na produtividade.
A Inpasa, uma das maiores biorefinarias de grãos do mundo, entendeu a necessidade de continuar abrindo portas, não somente com o milho, mas também com o sorgo e iniciou neste ano, a operação em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano.
A unidade na Bahia tem capacidade anual para:
- Produção de etanol
- DDGS - subproduto dos grãos usado na alimentação animal
- Óleo vegetal
- Energia elétrica.
De acordo com Flavio Peruzzo, vice-presidente de Negócios e Originação da Inpasa, a Bahia desponta um novo cenário com o sorgo, e pode revolucionar o oeste baiano quanto à produtividade agrícola.

“Nos propomos a usar o sorgo de maneira robusta, intensa, estamos passando por esse processo, mas a na Bahia em especial o campo respondeu de maneira muito pronta e já estamos processando o sorgo e já estamos vendo acontecer a exportação de sorgo também. Os números do sorgo no oeste da Bahia é 250.000 hectares e isso cresceu tanto que já está chamando a atenção por exemplo da exportação”, disse ele.
Entraves nos fertilizantes e futuro da safra
A alta nos defensivos e fertilizantes devido entraves com o cenário global, põe em cheque a safra especial de grãos no Brasil, principalmente de soja e de milho, commodities principais da economia brasileira.
“É, existe aí um provável aumento de custo e o produtor está se adaptando a isso, além também do consumidor e as indústrias. Então é um momento que a gente precisa trabalhar muito em eficiência operacional, eficiência financeira, e trabalhar em custo para a gente passar por uma crise que é inevitável”, continuou ele.


