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Caiu em um buraco? Saiba como consertar seu carro de graça

Lei pode garantir idenização de danos causados por maus cuidados na via pública

Gustavo Zambianco
Por
Rua esburacada
Rua esburacada - Foto: DIvulgação

O Brasil, sendo um país tão grande em extensão e com um clima tão volátil, é normal que nem sempre as estradas e vias não estejam em perfeição e contenham buracos. Porém, muitos motoristas não sabem que, caso um buraco cause algum dano em seu carro, o conserto pode ser gratuito.

Isso se dá porque, segundo o artigo 37 da Constituição Federal, o poder público e as empresas que prestam serviços públicos devem pagar pelo prejuízo que gerarem a terceiros.

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Pensando nisso, no episódio deste domingo, 20, do quadro “Mecânico Legal”, vamos explicar:

  • Direito de indenização em caso de acidentes causados por buracos na via.
  • Como os buracos são muito danosos ao sistema de amortecimento de seu carro;
  • Formas de identificar os problemas na suspensão;
  • Como prevenir e evitar gastos extremos em reparo.
Mecânico Legal
Mecânico Legal - Foto: Imagem criada com ajuda de IA

Motorista pode ser indenizado por danos causados por buracos

Depois de cair em um buraco e notar que um grande dano aconteceu com seu carro, possivelmente no sistema de suspensão, visto que é a parte mais afetada nesse caso, é normal que o motorista se assuste.

Porém, é nesse momento em que ele deve se acalmar, visto que todos os danos podem ser indenizados. De acordo com o artigo 37 da Constituição Federal, o poder público e as empresas que prestam serviços públicos devem pagar pelo prejuízo que gerarem a terceiros.

A indenização deve ser feita seguindo a seguinte ordem:

  • Em vias urbanas: ação movida contra a Prefeitura;
  • Em rodovias estaduais: ação movida contra o Estado;
  • Em rodovias federais: ação movida contra a União.
Rua esburacada
Rua esburacada - Foto: DIvulgação

Veja o passo a passo para pedir a indenização

Logo depois de cair em um buraco e reparar um dano em seu veículo, mantenha a calma e faça os seguintes passos:

  1. Reúna fotos do acidente, do buraco e dos danos no veículo;
  2. Caso tenha testemunhas, registre o número e o relato delas;
  3. Registre um Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia mais próxima;
  4. Faça pelo menos três orçamentos para o conserto do veículo e guarde os registros de gastos;
  5. Junte os recibos de gastos, incluindo materiais de curativos, medicamentos e atendimento médico.
  6. Em caso de lesões, solicite um laudo médico e junte toda a documentação, incluindo as receitas.

Depois de juntar toda a documentação, o próximo passo é ingressar com a ação judicial na Justiça comum, sem previsão de um valor máximo para o ressarcimento, ou no Juizado Especial Cível, ações de até 20 salários mínimos sem advogado ou até 40 salários mínimos com advogado.

Homem parado em frente ao carro
Homem parado em frente ao carro - Foto: DIvulgação

Vale ressaltar que, caso prefira, a pessoa que foi prejudicada pode tentar manter contato com o setor responsável na Prefeitura para tentar um acordo fora do meio judicial.

Às vezes, nem demora tanto assim, e, se demorar, os valores são corrigidos à data da indenização, que também pode ser por danos morais e estéticos, além dos danos patrimoniais.

Entenda o sistema de suspensão

Um dos sistemas mais afetados por esse tipo de situação é o sistema de suspensão do carro. Pensando nisso, o portal A TARDE separou uma explicação de como ele funciona.

Basicamente, ele é um dos principais elementos do veículo, visto que é responsável por absorver as irregularidades do solo e manter a estabilidade do carro.

O sistema de suspensão liga o chassi às rodas e garante que elas estejam em contato direto com o solo; em comparação com o corpo humano, seriam as articulações e a coluna vertebral.

Em resumo, o sistema de suspensão é responsável por:

  • Dar conforto e segurança aos passageiros em manobras e frenagens;
  • Suportar o peso da carroceria do veículo;
  • Manter uma distância entre chassi e rodas;
  • Absorver os impactos sofridos pela roda;
  • Manter a estabilidade nas curvas.
Sistema de suspensão de um carro
Sistema de suspensão de um carro - Foto: Imagem gerada por Inteligênica Artificial | Ag. Portal A TARDE

Como os buracos são vilões para a suspensão do veículo

O sistema de suspensão dos carros é um conjunto de peças criado para suportar bastante estresse, porém, depois de muito tempo rodando em estradas de baixa qualidade e sem a realização das manutenções preventivas, o conjunto se deteriora.

Os danos podem partir desde desencaixes no sistema até o rompimento de peças, o que impossibilita que tanto o carro quanto o motorista fiquem seguros.

Veja os principais impactos dos buracos no sistema de suspensão

  • Amortecedores e Molas: O impacto pode fazer o amortecedor "dar fim de curso" (bater no limite máximo), provocando o estouro dos retentores e o vazamento do fluido hidráulico. As molas também podem trincar ou perder a ação.
  • Pivôs e buchas de borracha: recebem a pancada diretamente. A borracha das buchas se rasga e os pivôs ganham folga metálica, o que gera o ruído característico de "toc-toc" e deixa a direção folgada e imprecisa.
  • Bieletas e Barra Estabilizadora: As bieletas são hastes finas que conectam a suspensão à barra estabilizadora. Impactos fortes tendem a entortar ou quebrar suas articulações de plástico/metal.
  • Bandas de Rodagem e Pneus: Embora fiquem fora da suspensão direta, o buraco amassa a roda e deforma a estrutura interna do pneu (criando bolhas nas laterais ou rasgos), além de desalinhá-lo em relação ao eixo do carro.
  • Geometria de Direção (Alinhamento e Cambagem): A força da pancada altera os ângulos originais das rodas. Com o carro desalinhado, os pneus passam a raspar no asfalto de forma irregular, reduzindo sua vida útil dramaticamente.
Mecânico mexendo na suspensão do carro
Mecânico mexendo na suspensão do carro - Foto: DIvulgação

Sinais de desgaste na suspensão

Após muito tempo exigindo do sistema de suspensão do carro, uma hora ele desgasta e, como praticamente tudo em um carro, ele também possui alguns “avisos” para falar que algo está errado na suspensão do carro para o motorista.

Vale ressaltar que saber identificar é de suma importância para que o motorista consiga se prevenir antes que um dano maior aconteça, evitando acidentes e custos mais altos na oficina.

Os principais sintomas se dividem entre ruídos dentro do veículo e a forma em que o carro responde ao ser guiado.

Mecânico mexendo na suspensão do carro
Mecânico mexendo na suspensão do carro - Foto: DIvulgação

Sinais visuais e comportamentais do carro

  • Veículo puxando para o lado: dificuldade para manter a trajetória reta em vias planas indica desalinhamento, folga em pivôs ou braços de direção empenados.
  • Instabilidade em curvas e frenagens: O carro "rabeia" ou inclina excessivamente em curvas. Durante as frenagens, a frente afunda além do normal (efeito "mergulho"), aumentando a distância até a parada completa.
  • Oscilação Excessiva ("Carro Bate no Fundo"): Ao passar por lombadas, valetas ou buracos, a carroceria continua balançando várias vezes em vez de estabilizar rapidamente.
  • Desgaste irregular dos pneus: pneus com a borracha gasta apenas na borda interna ou externa (ou em formato de escamas) indicam falhas na geometria, amortecedores sem ação ou buchas estouradas.
Mecânico mexendo na suspensão do carro
Mecânico mexendo na suspensão do carro - Foto: DIvulgação

Ruídos e vazamentos

  • Barulhos Metálicos ("Toc-Toc" ou Estalos): Ruídos secos ao trafegar sobre pisos irregulares, paralelepípedos ou ao esterçar o volante indicam folgas em bieletas, pivôs e buchas da bandeja.
  • Rangidos de borracha: barulhos semelhantes a um rangido seco ao passar por lombadas sinalizam buchas ressecadas ou rasgadas.
  • Vazamento de óleo nos amortecedores: presença de fumaça, sujeira grudada ou óleo escorrendo pelo corpo do amortecedor confirma a perda do fluido hidráulico e a falha dos retentores.

Manutenção preventiva pode gerar grande economia

Como já dito, o sistema de suspensão é projetado para aguentar muito estresse, bastando o motorista cuidar da forma adequada, e uma dessas formas de cuidado é a manutenção preventiva.

Essa forma de concerto exige uma proatividade maior do motorista, já que ele deve verificar regularmente se tudo está certo em seu carro.

Para o sistema de suspensão, é recomendado que a manutenção preventiva aconteça a cada 10.000 km rodados ou 12 meses passados.

As principais formas de manter o sistema de suspensão em ordem são:

  • Alinhamento 3D e balanceamento das quatro rodas (de R$ 120 a R$ 200): ele evita o desgaste irregular da banda de rodagem dos pneus e elimina trepidações no volante que desgastam a caixa de direção;
  • Inspeção visual e troca de buchas trincadas (de R$ 150 a R$ 300): o mecânico checa se a bucha está em bom estado; se não estiver, o braço oscilante de metal pode bater contra a estrutura do carro ou folgar o pivô.
  • Rodízio e Calibragem de Pneus: o mais simples e mais barato das manutenções, podendo ser gratuita. Essa manutenção inverte a posição dos pneus para igualar o desgaste natural, ajudando a suspensão e a vida útil deles.
Mecânico mexendo na suspensão do carro
Mecânico mexendo na suspensão do carro - Foto: Divulgação

Porém, caso o motorista opte por “ignorar os sinais” do carro e esperar somente para fazer a manutenção corretiva, aquela que ocorre depois de o carro realmente quebrar, ele pode estar saindo no prejuízo e gastando muito.

  • Destruição dos pneus dianteiros (R$ 700 a R$ 1.200 o par): andar com o carro desalinhado ou as buchas estouradas, a roda passa a rodar "arrastando" no asfalto. Em menos de 5.000 km, a borda interna ou externa do pneu chega ao arame, exigindo a compra de dois pneus novos.
  • Troca prematura do kit de amortecedores (R$ 800 a R$ 1.600): Amortecedores trabalhando com coxim rasgado ou batente destruído perdem a capacidade de absorção. O impacto constante faz o retentor estourar, vazando o óleo interno e exigindo a troca do par dianteiro.
  • Substituição do conjunto de pivôs e bieletas (R$ 350 a R$ 600): bieletas tortas e pivôs com folga metálica perdem a lubrificação interna da graxa. O atrito direto metal-com-metal pode fazer a esfera do pivô escapar da carcaça.
  • Serviço de guincho (R$ 200 a R$ 400): se o pivô se soltar em movimento, a roda "cairá" para fora, travando o veículo e exigindo remoção por guincho no meio da via.
  • Mão de obra de oficina (R$ 400 a R$ 800): O tempo de serviço: substituir uma única bucha leva minutos na oficina. Desmontar a suspensão inteira, trocar amortecedores, molas, pivôs e refazer a geometria exige horas de trabalho qualificado.
Preços de  danos à suspensão
Preços de danos à suspensão - Foto: Imagem gerada por Inteligênica Artificial | Ag. Portal A TARDE

O quadro Mecânico Legal fica por aqui, e no próximo domingo, 27, traremos mais orientações de mecânica descomplicada para proteger a sua segurança e o seu bolso. Até lá!

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