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Jovem baiana é destaque na luta pela liderança feminina no setor público

A baiana Luana Dratovsky desenvolve iniciativa que aumenta participação das mulheres no setor

Carla Melo
Por
Luana Dratovsky é especialista em gestão pública
Luana Dratovsky é especialista em gestão pública - Foto: André | Braza Estúdio

As disparidades salariais entre homens e mulheres continuam sendo marcas profundas no Brasil, que ocupa a 72ª posição no ranking global de diferença de gênero do Fórum Econômico Mundial. Lideranças, entretanto, buscam extirpar esse obstáculo no país, ampliando o debate sobre a presença de mulheres em cargos de gerência e direção.

Em 2023, o Brasil deu passos decisivos para romper um dos grandes problemas no setor produtivo: a desigualdade de gênero e salarial entre homens e mulheres. Três anos após a sanção da Lei de Igualdade Salarial, entretanto, as mulheres continuam ganhando menos e ocupando poucos cargos de lideranças no setor público e privado.

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Desigualdade salarial ainda é gigante

De acordo com o Painel do Relatório de Transparência Salarial do 1º semestre de 2026, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, homens ganhavam remuneração média 27% maior que as mulheres.

Mulheres recebiam em média R$ 3.965,94, enquanto homens ganhavam R$ 5.039,68, de acordo com o relatório. Quando regionalizados, na Bahia, esse número fica ainda mais baixo: homens têm remuneração de R$ 3.567,60 e mulheres, R$ 2.842,22 - uma diferença de R$ 725,38.

Dados sobre cargos de liderança entre homens e mulheres no setor público ficam ainda mais desiguais. Entre 1999 e 2025, os homens ocupavam 75% dos cargos de direção no setor e as pessoas brancas, 78%, de acordo com a pesquisa Lideranças Públicas no Brasil: Mobilidade, Trajetórias e Perfil dos Cargos de Direção, Chefia e Assessoramento, conduzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Desde 2022, o número de mulheres em cargos de liderança aumentaram e ocupam perto dos 40%. Entretanto, pesquisadores apontam que isso não reflete na pluralidade brasileira.

Mulheres na liderança

Com apenas 28 anos de idade, a baiana especialista em gestão pública, Luana Dratovsky, entra nesse cenário com destaque por ter construído uma carreira apoiando governos a transformarem boas ideias em resultados concretos para a população.

Apesar de jovem, Luana passou por diversas formações e especializações em Salvador, onde nasceu, e vários outros estados do Brasil, mas sempre esteve certa do seu objetivo de vida: transformar a vida das pessoas. Ela conseguiu ter essa visão quando começou a trabalhar no setor público. Foi quando ela entendeu que “poderia impactar mais o Brasil”.

“Foi uma escola de gestão pública, tive oportunidade de criar programas públicos do zero, como a primeira política pública de linguagem simples do Brasil, política de teletrabalho durante a pandemia e várias outras. Em 4 anos fui de estagiária para diretora e comecei a me deparar com o que chamamos na literatura de teto de vidro - aquela barreira invisível que as mulheres enfrentam ao tentar crescer em suas carreiras”, explica ela.

Imagem ilustrativa da imagem Jovem baiana é destaque na luta pela liderança feminina no setor público
Foto: André | Braza Estúdio

Ela explica que o setor público ainda é marcado pela sub-representação das mulheres, apesar destas representarem 50% da população. A especialista explica que apenas a presença das mulheres não é o suficiente, é preciso garantir acesso, permanência e ascensão.

“Não adianta somente colocarmos mais mulheres em espaços de tomada de decisão, precisamos pensar em como criar estruturas e normas que permitam que elas fiquem e tenham legitimidade para tomar decisões. Como a maior parte das políticas públicas e leis que promovem reformas importantes no Estado e na sociedade, os efeitos demoram para chegar”, disse ela.

Ampliação de mulheres no setor público

Ela é cofundadora do Instituto Aleias, uma organização sem fins lucrativos que amplia a presença de mulheres em posições de liderança no setor público. O instituto nasceu em 2023 depois de identificar que poucas mulheres conseguem chegar aos espaços de maior liderança dentro do poder público brasileiro.

“Eu estava participando do programa ProLider, do Instituto Four. O programa busca formar lideranças brasileiras que possuem o propósito e missão de transformar o Brasil. Dentro do Prolider, você pode ou propor uma nova ideia para resolver um problema, ou trazer uma organização ou empresa que você já possui e trabalhar nela. Eu tinha o problema: mulheres não conseguem acessar espaços do poder público, e então eu me juntei com minhas duas co-fundadoras e desenvolvemos o que seria necessário ter dentro dessa organização para resolver o problema”, explico

Depois de criar um plano de negócios, um planejamento estratégico, mapeamento do ecossistema existente e conversas com potenciais parceiros e investidores, o instituto recebeu um investimento inicial para tirar esse objetivo do papel.

Do Aleias surgiu o Censo das Secretárias e a Rede das Secretárias, espaço de encontro, crescimento e conexão entre mulheres que ocupam o primeiro escalão de estados e municípios no Brasil.

“Entendemos que essas mulheres são muito qualificadas, mas ainda enfrentam barreiras estruturais para chegar e permanecer nesses espaços. Desde então, desenvolvemos pesquisas, produzimos conhecimento e articulamos organizações e especialistas para fortalecer essa agenda”, continuou ela.

Pelas suas iniciativas, Luana foi nomeada uma Person of the Year Scholar, pela Câmara Americana de Comércio Brasil–Estados Unidos, selecionada como bolsista do Instituto Ling e, agora, com a previsão de receber ainda neste mês um novo prêmio de uma organização global que busca reconhecer e apoiar mulheres que desenvolvem iniciativas inovadoras para enfrentar desafios sociais relevantes.

“Estou muito feliz e realizada com mais essa conquista que reforça que estou no caminho certo. Me motiva a seguir batalhando pelos meus sonhos e buscando ampliar cada vez mais o acesso de lideranças femininas na gestão pública globalmente, assim como uma melhor execução e aplicação das políticas públicas. Para outros jovens brasileiros - especialmente mulheres - que sonham em estudar nas melhores universidades do mundo, mesmo sem grandes recursos financeiros: informação, planejamento e preparação fazem uma diferença enorme. Se mais pessoas entenderem como esse processo funciona e perceberem que ele é, sim, acessível para quem se prepara, acredito que veremos cada vez mais brasileiros ocupando esses espaços”, disse ela.

Levando a pauta para fora

Agora, a soteropolitana está desbravando novos lugares e posições para dar continuidade à busca por ampliar a presença de mulheres em cargos de gerência e diretorias Luana Dratovsky conquistou mais de R$3 milhões em bolsas de estudo após ser aprovada em seis programas de pós-graduação nos Estados Unidos.

Selecionada para o disputado programa conjunto de MBA e Master in Public Policy entre a Harvard Business School e a Harvard Kennedy School, a especialista leva a agenda de liderança feminina para um disputado duplo diploma em Harvard e busca democratizar o acesso de jovens brasileiros às melhores universidades do mundo.

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Foto: André | Braza Estúdio

Ela conta que nestes três anos de programa, ela poderá unir dois mundos que parecem conflitantes: políticas públicas e gestão, trazendo novos olhares para o Brasil.

“Meu plano de longo prazo é apoiar governos a transformar políticas públicas em entregas concretas, por meio de soluções que melhorem a coordenação entre equipes, qualifiquem a tomada de decisão e aumentem a eficiência da execução no dia a dia da gestão pública”, explica ela.

“Pensando a longo prazo, quero voltar para o Brasil e empreender soluções que ajudem os governos brasileiros a melhorarem a forma como implementam políticas públicas para aumentar a qualidade de vida da população. Quero aprender o que existe de melhor no mundo, entender como traduzir essas soluções para a realidade brasileira e fazer a diferença no meu país”, finaliza ela.

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Bahia cargo de liderança economia mulheres

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