Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL

BRASIL

Casas Bahia enfrenta reviravolta após sindicato ir à Justiça para barrar demissões

Cerca de 2 mil funcionários podem ser desligados enquanto Casas Bahia enfrenta crise financeira

Luan Julião
Por
Demissões representam cerca de 7% do quadro da varejista
Demissões representam cerca de 7% do quadro da varejista - Foto: Ag. A TARDE

Cerca de 2 mil trabalhadores das Casas Bahia podem ser beneficiados por uma tentativa do Sindicato dos Comerciários de São Paulo de suspender as demissões anunciadas pela varejista. A entidade afirma que não foi informada previamente sobre os cortes e pretende questionar os desligamentos na Justiça.

O sindicato sustenta que a empresa deveria ter aberto uma negociação antes de realizar uma dispensa coletiva. A argumentação será baseada em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2022, segundo a qual a participação dos sindicatos em negociações prévias é obrigatória em casos de demissões em massa.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

A entidade deverá solicitar judicialmente a interrupção dos desligamentos até que as partes possam negociar. Paralelamente, uma reunião entre representantes dos trabalhadores e da empresa está prevista para as 10h de amanhã, quando serão apresentadas propostas para tentar reduzir o número de demissões e seus efeitos.

Sindicato quer negociar medidas para trabalhadores

O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, afirma que a negociação também poderá envolver medidas destinadas aos funcionários que perderem os empregos.

"Várias situações podem, numa negociação, tentar para diminuir o drama e a dor, com certeza, desses funcionários que basicamente são humilhados ao verem que vão trabalhar e a loja está fechada".

Entre as alternativas que o sindicato pretende discutir estão a manutenção da assistência médica por um período maior, o pagamento de indenizações adicionais e a transferência de gestantes para unidades que continuarem abertas. A entidade também pretende negociar a realocação de trabalhadores em situação de vulnerabilidade.

Os cortes representam aproximadamente 7% do quadro de funcionários da companhia, que tinha cerca de 30 mil empregados no primeiro semestre deste ano. A empresa também anunciou o fechamento de 298 lojas, número equivalente a 29% das unidades que mantinha em junho.

Na avaliação do sindicato, parte das unidades que podem ser desativadas está localizada em shopping centers, onde os custos com aluguel e condomínio pesam sobre a operação.

Leia Também:

POLÍTICA

Bolsonaro é autorizado a sair da prisão domiciliar para atendimento
Bolsonaro é autorizado a sair da prisão domiciliar para atendimento imagem

INSATISFAÇÃO

IBGE registra greve na Bahia em meio a crise contra direção nacional
IBGE registra greve na Bahia em meio a crise contra direção nacional imagem

BRASIL

Justiça condena homem que usou mola de isqueiro em tatuagem de jovens
Justiça condena homem que usou mola de isqueiro em tatuagem de jovens imagem

A mobilização dos comerciários começou depois que a entidade afirma ter tomado conhecimento das demissões de maneira informal. O sindicato passou a distribuir folhetos nas ruas e agora pretende obter da empresa a relação completa dos trabalhadores desligados. O objetivo é identificar o impacto dos cortes e oferecer atendimento individual aos funcionários.

Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões

A dimensão das demissões ocorre no momento em que o Grupo Casas Bahia busca proteção judicial para reorganizar suas finanças. O pedido de recuperação judicial foi apresentado à Justiça de São Paulo e envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

A maior parte desse montante, cerca de R$ 16,4 bilhões, corresponde a compromissos quirografários. O passivo inclui ainda R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.

A crise financeira também se refletiu no resultado da companhia. O prejuízo líquido chegou a R$ 10,1 bilhões, influenciado por ajustes fiscais, entre eles uma baixa contábil de R$ 5,7 bilhões em impostos diferidos. As despesas com vendas somaram R$ 1,8 bilhão, com crescimento de 17% no período.

Crise financeira derruba ações da varejista

Segundo a direção do grupo, a combinação de juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros prejudicou a capacidade de obtenção de recursos. A empresa também não conseguiu avançar na captação de dinheiro no exterior após a desistência do principal investidor internacional envolvido nas negociações realizadas em Nova York e na Europa.

A situação repercutiu no mercado financeiro. As ações das Casas Bahia chegaram a R$ 0,48 na B3, menor cotação histórica dos papéis, após uma queda próxima de 30% depois da divulgação do pedido de recuperação judicial.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Casas Bahia crise financeira demissões negociação coletiva recuperação judicial Sindicato dos Comerciários

Relacionadas

Mais lidas