BRASIL
Casas Bahia enfrenta reviravolta após sindicato ir à Justiça para barrar demissões
Cerca de 2 mil funcionários podem ser desligados enquanto Casas Bahia enfrenta crise financeira


Cerca de 2 mil trabalhadores das Casas Bahia podem ser beneficiados por uma tentativa do Sindicato dos Comerciários de São Paulo de suspender as demissões anunciadas pela varejista. A entidade afirma que não foi informada previamente sobre os cortes e pretende questionar os desligamentos na Justiça.
O sindicato sustenta que a empresa deveria ter aberto uma negociação antes de realizar uma dispensa coletiva. A argumentação será baseada em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2022, segundo a qual a participação dos sindicatos em negociações prévias é obrigatória em casos de demissões em massa.
A entidade deverá solicitar judicialmente a interrupção dos desligamentos até que as partes possam negociar. Paralelamente, uma reunião entre representantes dos trabalhadores e da empresa está prevista para as 10h de amanhã, quando serão apresentadas propostas para tentar reduzir o número de demissões e seus efeitos.
Sindicato quer negociar medidas para trabalhadores
O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, afirma que a negociação também poderá envolver medidas destinadas aos funcionários que perderem os empregos.
"Várias situações podem, numa negociação, tentar para diminuir o drama e a dor, com certeza, desses funcionários que basicamente são humilhados ao verem que vão trabalhar e a loja está fechada".
Entre as alternativas que o sindicato pretende discutir estão a manutenção da assistência médica por um período maior, o pagamento de indenizações adicionais e a transferência de gestantes para unidades que continuarem abertas. A entidade também pretende negociar a realocação de trabalhadores em situação de vulnerabilidade.
Os cortes representam aproximadamente 7% do quadro de funcionários da companhia, que tinha cerca de 30 mil empregados no primeiro semestre deste ano. A empresa também anunciou o fechamento de 298 lojas, número equivalente a 29% das unidades que mantinha em junho.
Na avaliação do sindicato, parte das unidades que podem ser desativadas está localizada em shopping centers, onde os custos com aluguel e condomínio pesam sobre a operação.
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A mobilização dos comerciários começou depois que a entidade afirma ter tomado conhecimento das demissões de maneira informal. O sindicato passou a distribuir folhetos nas ruas e agora pretende obter da empresa a relação completa dos trabalhadores desligados. O objetivo é identificar o impacto dos cortes e oferecer atendimento individual aos funcionários.
Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões
A dimensão das demissões ocorre no momento em que o Grupo Casas Bahia busca proteção judicial para reorganizar suas finanças. O pedido de recuperação judicial foi apresentado à Justiça de São Paulo e envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A maior parte desse montante, cerca de R$ 16,4 bilhões, corresponde a compromissos quirografários. O passivo inclui ainda R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.
A crise financeira também se refletiu no resultado da companhia. O prejuízo líquido chegou a R$ 10,1 bilhões, influenciado por ajustes fiscais, entre eles uma baixa contábil de R$ 5,7 bilhões em impostos diferidos. As despesas com vendas somaram R$ 1,8 bilhão, com crescimento de 17% no período.
Crise financeira derruba ações da varejista
Segundo a direção do grupo, a combinação de juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros prejudicou a capacidade de obtenção de recursos. A empresa também não conseguiu avançar na captação de dinheiro no exterior após a desistência do principal investidor internacional envolvido nas negociações realizadas em Nova York e na Europa.
A situação repercutiu no mercado financeiro. As ações das Casas Bahia chegaram a R$ 0,48 na B3, menor cotação histórica dos papéis, após uma queda próxima de 30% depois da divulgação do pedido de recuperação judicial.


