BRASIL
Crise no Paraguai pode afetar operação brasileira de Itaipu? Entenda situação
Usina é administrada de forma independente por Brasil e Paraguai, e cada margem possui autonomia


A crise envolvendo o sistema financeiro paraguaio e o fechamento do Ueno Bank levantou questionamentos sobre possíveis consequências para a operação da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Diante da repercussão do caso, a administração brasileira da empresa afirmou que não possui recursos aplicados na instituição financeira e garantiu que a produção de energia não foi afetada.
Em comunicado, a Itaipu Binacional informou que os recursos administrados pela margem brasileira não estão depositados no banco que teve suas atividades encerradas pelo Banco Central do Paraguai (BPC) no início da semana.
“A Itaipu Binacional esclarece que não há recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank”, afirmou a empresa. “As aplicações financeiras da Entidade seguem normas e procedimentos internos, observando critérios de segurança, liquidez e rentabilidade, e sua gestão observa as competências estabelecidas para cada margem. A operação da Itaipu segue normalmente, sem impacto na produção e no fornecimento de energia”.
A preocupação em torno da usina ocorre porque o Ueno Bank aparece entre as instituições financeiras que receberam recursos de órgãos públicos paraguaios. A própria Itaipu integra a relação de entidades que mantinham fundos na instituição, embora ainda não esteja esclarecido quanto foi aplicado pelo lado paraguaio da empresa.
Estimativas indicam que o banco concentrava aproximadamente US$ 850 milhões, o equivalente a cerca de R$ 4,5 bilhões, em recursos públicos. Os valores foram bloqueados após o início do processo de dissolução da instituição financeira.
Gestão independente entre Brasil e Paraguai
Construída em parceria entre Brasil e Paraguai, a Usina Hidrelétrica de Itaipu começou a operar em 1982, no Rio Paraná, na região de fronteira entre os dois países. Embora a estrutura seja compartilhada igualmente pelas duas nações, cada margem possui administração independente.
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Essa divisão também se aplica à gestão financeira. No lado brasileiro, os recursos da empresa circulam pelo sistema bancário nacional, enquanto a administração paraguaia possui autonomia para conduzir suas próprias aplicações.
Crise bancária amplia pressão sobre Santiago Peña
O escândalo envolvendo o Ueno Bank também provocou desdobramentos políticos no Paraguai. Aliados do próprio presidente Santiago Peña estão entre os parlamentares que abriram um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.
Na quinta-feira, 5, Peña apresentou um pedido de renúncia, mas a solicitação foi rejeitada pelo Congresso paraguaio. Com isso, o processo de impeachment permanece em discussão e pode resultar na perda da imunidade parlamentar do presidente, de 47 anos.
Eleito em 2023, Peña também teve ligações com a instituição financeira. O presidente foi acionista de uma empresa vinculada ao Ueno até março do ano passado.


