LEVI VASCONCELOS
E Lula dá a largada na Liberdade. Travou tudo, mas foi bem diferente
Bahia assume protagonismo nacional nas eleições com disputa acirrada entre PT e ACM Neto


Saiu tudo bem, do ponto de vista petista, a largada da campanha 2026 na Bahia. Lula, presidente e candidato à reeleição, é o líder das pesquisas no Estado e tem cá o seu principal reduto eleitoral, com o PT governando o trecho nos últimos 20 anos e querendo manter o comando.
Mais que isso, tem também a predisposição de frear ACM Neto, o adversário principal, que segundo os petistas, vinha tentando colar em Lula, com uma nova versão do tanto faz.
E de quebra tem ainda o fato do local escolhido ser a Liberdade, o bairro de maior concentração da população negra em Salvador, opção atribuída a uma indicação de Rui Costa, ex-governador, ex-ministro, candidato ao Senado.
No marketing – No bojo da coisa tem a disputa no marketing político. ACM Neto botou em cena o baiano João Santana, o Patinhas, que já foi marqueteiro do próprio Lula e também de Dilma Roussef.
Os petistas respondem com João Dude, da Leiaute, a agência de Sidônio Palmeira, hoje ministro da Comunicação de Lula. E o embate se configura na linha do não deixar a peteca cair.
O fato objetivo é que pelo conjunto da obra na campanha 2026 a Bahia encarna um protagonismo que nunca teve, o que inclui também, pelo menos na estratégia baiana, os marqueteiros baianos.
O bairro da Liberdade, que normalmente já é um point de intenso movimento, uma das grandes conexões entre as cidades alta e baixa, travou. ‘Mas valeu’, dizem lá.
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AtlasIntel divulga nova pesquisa sobre a Bahia
O AtlasIntel divulga semana que vem, em parceria com A TARDE, uma nova pesquisa sobre a disputa eleitoral na Bahia.
Esta semana, o Paraná Pesquisas divulgou uma que deu ACM Neto com 48,6% contra 40,01% de Jerônimo. No Senado, Rui Costa 43,5%, Jaques Wagner 32,2%, João Roma 26,6% e Angelo Coronel 25,1%.
A TV Bahia divulgou uma da Quaest que deu ACM Neto 39%, Jerônimo 37% e para o Senado Rui 23%, Wagner 17%, João Roma 7% e Coronel 5%.
Só para lembrar, em 28 de agosto de 2022, no comecinho da campanha eleitoral, o Datafolha divulgou uma que dava 54% para Neto e 16% para Jerônimo.
Pouco depois veio o Atlas Intel e mostrou Jerônimo na frente. Os cenários são diferentes, claro. Fiquemos atentos para ver como os fatos se desdobram. Se a escrita for a mesma, dá Jerônimo.
O Derba faz aniversário
Nem pela campanha eleitoral já ter começado a Alba pára de fazer sessões solenes. Segunda, os 109 anos de criação do Departamento de Infraestrutura e Transportes da Bahia (Derba) vão ser celebrados em sessão especial segunda (10h).
O autor da iniciativa é o deputado Hilton Coelho (PSOL), mas funcionários dizem que todos os lados tiram a sua lasquinha. Afinal, ressalvam, bater palmas nunca foi pecado.
No rádio e tevê Neto começa prometendo e o PT batendo
O primeiro dia do Horário Eleitoral no rádio e na tevê, o fato que marca o início da reta de chegada da campanha eleitoral 2026, teve uma estampa bastante definida.
ACM Neto prometendo resolver problemas como o da regulação e o PT atacando Flávio Bolsonaro dizendo ser ele ‘o pior dos Bolsonaro’, enquanto Flávio apareceu solo, dizendo ser a solução para o Brasil.
Um detalhe curioso: enquanto a campanha governista botou os candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner juntos, a da oposição separou João Roma de Coronel.
A presença de Lula em Salvador também foi destaque na banda governista.
POLÍTICA COM VATAPÁ
João da Cruz
Contava Everildo Pedreira, jornalista, e bom amigo que nos deixou em 2020, que João Moreira Pires, prefeito de Catolândia no início dos anos 80, região de Barreiras, o menor colégio eleitoral, era analfabeto, mas achou uma fórmula inteligente e eficaz para resolver o problema das assinaturas, o seu dilema: cravava um J e uma cruz do lado, daí ganhou o nome popular de João da Cruz.
Amigo de João Durval, governador, lá um dia chegou na Governadoria, D. Ieda Barradas, a primeira dama, falou:
– Sêo João, da próxima vez que o senhor vier traga a primeira dama para ela conhecer as Voluntárias Sociais, também participar...
– Ih... A senhora me criou um problemão.
– Por que, o senhor não tem primeira dama?
Ele ficou parado, meio risonho, alguém cochichou para D. Ieda:
– Não é que ele não tenha primeira dama, é que tem demais. É uma em cada povoado...
E D. Ieda:
– Ah, bom. Diga isso.


