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Xenofobia contra nordestinos, uma indecência que vem de longe

Baiano, que mora em SP, reflete sobre xenofobia após vitória de Lula no Nordeste

Levi Vasconcelos, com colaboração de Marcos Freitas
Por Levi Vasconcelos, com colaboração de Marcos Freitas
Pau de arara, a saída para os tempos de seca que Lula está ajudando a acabar no Nordeste
Pau de arara, a saída para os tempos de seca que Lula está ajudando a acabar no Nordeste - Foto: Valter Campanato | Agência Brasil

Baiano de Feira da Mata, 60 anos, há 40 morando em São Paulo, onde foi tentar nova vida, Aristides dos Santos, o Tide, virou garçom de um restaurante da Avenida Paulista, e conta uma história curiosa:

– Os donos eram alemães e os amigos deles sempre me chamavam de eslave. Só vim saber muito tempo depois que alemães e russos sempre escravizaram os eslavos, hoje os ucranianos. Eu era o escravo da vez.

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Quando saiu o resultado do 1º turno e Lula ganhou no Nordeste, Tide estava em Salvador. E apontou um ataque nas redes para provar o que diz: “Alguém avisa o presidente da Rússia que o Nordeste também faz parte da Ucrânia”.

– Você ainda não viu nada. O caso é muito sério.

A origem – Nas redes, disseram que as quatro regiões, o Sul, Sudeste, Centro-oeste e Norte, em que Flávio venceu, são áreas produtivas, enquanto o Nordeste privilegia o assistencialismo.

Ao todo, foram contabilizadas mais de 27 milhões de postagens, 14 mil delas contra jornalistas nordestinos. Posto que a política não é a atividade mais descarada e, sim, a mais escancarada, o episódio desmascara uma triste realidade nacional.

Os sulistas, na grande maioria descendentes de europeus, ainda nos olham com a visão do colonizador. Só para lembrar, os portugueses quando aqui chegaram se achavam donos de tudo, inclusive de Deus, que eles já trouxeram debaixo do braço, com as igrejas e santos.

Tentaram escravizar os índios, não conseguiram, eles estavam em casa, era só cair no mato. Foram na África, pegaram os negros, vieram nos porões dos navios como bichos, os que morriam eram jogados ao mar como rejeitos, os que sobreviviam eram vendidos como objetos para trabalhar nas fazendas como animais.

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A recíproca – Disso resulta a sociedade que temos hoje, uma vez que, quando o fim da escravidão foi decretado, não deram qualquer tipo de assistência aos ex-escravos e, como lembra o professor Samuel Vida, uma semana depois decretaram a Lei da Vadiagem: o preto que fosse encontrado vadiando ia preso.

Quando Lula assumiu a Presidência, em 2003, a Bahia tinha uma universidade federal, a Ufba. Hoje, são mais cinco. Institutos federais de educação eram dois (Valença e Uruçuca). Hoje, são 36.

No Piauí, onde ele obteve a maior votação no País, a pegada é a mesma, o estado saltou da 18ª colocação no Ideb, em 2016, para a segunda, em 2026. Lá se diz que Lula deu uma grande contribuição para acabar com o tempo em que a saída para a seca era montar num pau de arara e ir embora.

Diz o deputado Robinson Almeida (PT) que Lula é pernambucano e, quando chegou ao poder, olhou para o Nordeste, para a terra:

– Hoje, o que vemos é apenas o reconhecimento, a recíproca. Nunca o Nordeste teve tanto investimento no abastecimento de água.

Na Bahia – Foi no embalo da primeira vitória de Lula que Jaques Wagner venceu as eleições de 2006. Ele governou oito anos, fez de Rui Costa o sucessor, que também governou oito anos, e também fez Jerônimo, que caminha para mais oito.

E o que diz o nosso Tide lá na Av. Paulista sobre tudo isso?

– Em São Paulo, quando o pessoal vem com essa xenofobia, digo: ‘Já que nós somos os mal educados, vão tomar no ...’.

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coluna levi vasconcelos xenofobia

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