ECONOMIA
5ª queda da Selic: o que muda no seu bolso, no crédito e nos juros
Copom decidiu reduzir taxa Selic ficou em 13,75% ao ano, na quarta


Pela quinta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa de juros básica do país. Em reunião entre membros do Banco Central (BC), na quarta-feira, 15, a taxa Selic ficou em 13,75% ao ano, coincidindo com o movimento para manter o cenário mais favorável para a política monetária.
A Selic é a principal referência para o custo do dinheiro na economia e influencia as condições de financiamento para empresas e consumidores. É essa métrica que controla o consumo brasileiro.
Já era esperado pelo mercado que houvesse uma nova redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14% para 13,75% ao ano. O movimento vinha sendo indicado pelo Boletim Focus e ganhou força após o IPCA registrar deflação de 0,32% em agosto.
Leia Também:
Para Rodrigo Grossi, COO da HUMU, a redução representa um avanço importante para a economia, principalmente pelo impacto que a Selic tem sobre o custo do dinheiro.
“A queda da Selic começa a criar um ambiente mais favorável para o crédito e para as decisões de consumo e investimento. O efeito, porém, não acontece de uma hora para outra. É um processo gradual, que depende da transmissão dos juros para as taxas praticadas no mercado e, principalmente, da percepção sobre os próximos passos do Banco Central”, afirma.
Mercado já trabalhava com juros menores
O Focus divulgado na segunda-feira, dia 14, manteve em 13,75% a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026, pela sexta semana consecutiva. Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, entretanto, a mediana caiu de 13,75% para 13,56%, indicando que parte dos analistas passou a enxergar espaço para uma taxa ainda menor até o fim do ano.
A inflação também entrou no radar. A projeção para o IPCA de 2026 recuou para 4,9%, primeira vez desde maio que a expectativa ficou abaixo de 5%. O resultado de agosto, quando o índice registrou queda de 0,32%, contribuiu para melhorar a percepção sobre o cenário de preços.
“O corte é importante, mas tão relevante quanto a decisão será a sinalização do Copom para as próximas reuniões. O mercado vai buscar entender se existe espaço para novas reduções ou se o Banco Central pretende fazer uma pausa para avaliar os efeitos dos cortes já realizados”, diz Grossi.
Efeito sobre o crédito
Com a redução da métrica, a tendência é de melhora gradual das condições financeiras, embora as taxas finais de crédito também dependam de fatores como risco, inadimplência e custos das instituições.
Leia Também:
Enquanto a alta da Selic provoca uma retração no consumo e menor circulação de dinheiro na economia brasileira, a redução faz um movimento contrário. De acordo com o economista Antônio Carvalho, o custo do dinheiro diminui gradualmente, favorecendo consumidores e empresas.
“Quem vai fazer financiamento ou vai tomar empréstimo para investir em um negócio, adquirir estoque ou comprar um bem e serviço, vai conseguir estabelecer esse empréstimo ou financiamento com uma taxa menor”, disse Carvalho ao Portal A TARDE.
Uma política de redução
A taxa básica de juros estava em 14,25% ao ano antes de ser reduzida para 14% em uma decisão anterior do Copom. Desde então, novos cortes levaram à continuidade do processo de flexibilização dos juros, chegando à quinta edição consecutiva com a decisão desta quarta-feira.
“Para empresas, especialmente as que dependem de crédito para capital de giro ou expansão, uma trajetória de juros mais baixos pode melhorar o planejamento financeiro. Para o consumidor, o impacto tende a aparecer gradualmente nas condições de financiamento e no custo das operações”, completa Grossi


