ECONOMIA
Vai desaparecer? 5 mudanças que vão transformar o dinheiro até 2030
A tecnologia e as regulamentações têm despontado transformações globais no sistema financeiro


Nos últimos anos, a tecnologia e as regulamentações têm despontado transformações globais no sistema financeiro. Há até quem diga que atualmente não se usa mais o dinheiro, e que, aos poucos, a moeda como a conhecemos está desaparecendo.
Segundo um estudo global da consultoria PwC (Payments 2025 & Beyond), o volume de transações bancárias e pagamentos sem o uso de dinheiro em espécie deve triplicar em todo o mundo até 2030, ultrapassando a marca de 3 trilhões de transações anuais.
De acordo com Hugo Rodrigues, vice-presidente e Head da Yellow Card, provedora licenciada de infraestrutura baseada em stablecoins para mercados emergentes, essa transformação vai atingir o modo de circulação do dinheiro e da estrutura do sistema financeiro global.
“Em breve, a convergência entre moedas soberanas digitais, criptografia avançada e inteligência artificial mudará de forma definitiva o ato de ganhar, guardar, investir e gastar dinheiro.”
Veja 5 mudanças que vão transformar o dinheiro até 2030
1. Pagamentos invisíveis e incorporados (Embedded Finance)
De acordo com o especialista, o papel-moeda está perdendo espaço no processo de digitalização, principalmente diante da ampliação de sistemas de pagamento instantâneo. Isso resultará na transformação da inclusão financeira em realidade digital.
“Além disso, a biometria facial, da palma da mão e sensores em lojas vão substituir os cartões e o próprio celular. Os serviços financeiros estarão tão embutidos em aplicativos de mensagens, redes sociais e dispositivos inteligentes que as transações acontecerão de forma invisível e automatizada no momento do consumo. Com isso, governos e bancos centrais irão focar na infraestrutura digital para liquidar transações instantaneamente.”, explica ele.
2. A ascensão das CBDCs (Moedas Digitais de Bancos Centrais)
A previsão do VP é de que, até o fim da década, as moedas digitais emitidas por Bancos Centrais (CBDCs) estarão totalmente integradas ao dia a dia de pessoas e empresas. Isso permitiria transações programáveis, automáticas e com custos de emissão drasticamente reduzidos.
“Será possível comprar um carro ou imóvel transferindo o valor e a propriedade simultaneamente, de forma segura e sem intermediários (cartórios), via blockchain, assim como programar o dinheiro para ser gasto apenas com finalidades específicas, como benefícios sociais ou mesadas, tendo mais controle financeiro”, continuou ele.
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3. Stablecoins como a nova infraestrutura de câmbio
Para fortalecer a segurança na liquidez do dinheiro, modalidades como uso de stablecoins (moedas digitais pareadas em ativos estáveis como o dólar) consolidam-se como a principal ferramenta de proteção cambial e transferência instantânea.
“Isso não só poupa tempo, mas também garante a circulação da economia”, disse ele.
4. Open Finance evoluído e super Apps
Desde o surgimento do Open Finance, um sistema financeiro que permite compartilhar seu histórico bancário e financeiro com segurança entre diferentes instituições usando tecnologia padronizada, o especialista diz que o conceito de ter contas em vários bancos e aplicativos diferentes vai desaparecer.
“O ecossistema de dados abertos vai consolidar tudo em interfaces únicas. Assim, com plataformas unificadas, o usuário controlará investimentos, seguros, contas de energia, milhas aéreas e empréstimos em um só aplicativo. Além disso, as plataformas vão comparar automaticamente os serviços do mercado e migrar seu dinheiro para o banco que oferecer o menor juro ou o maior rendimento de forma automatizada, explica ele.
5. Inteligência artificial como assistente financeiro
Inserida em vários campos, a inteligência artificial também terá papel crucial no mercado financeiro. De acordo com o especialista, a ferramenta assumirá o papel de consultor financeiro pessoal 24h por dia, 7 dias por semana, automatizando quase todas as decisões burocráticas.
Por meio dos hábitos de consumo, a IA pode investir pequenas sobras de caixa automaticamente na melhor opção de liquidez diária. Os golpes financeiros serão detectados e bloqueados antes mesmo de acontecerem, analisando o comportamento do usuário.
“Por fim, até 2030, a própria definição de dinheiro deixará de ser apenas a representação de um valor impresso ou digitalizado para se tornar uma camada totalmente programável, inteligente e integrada ao nosso cotidiano, reduzindo fricções operacionais e criando novos modelos de negócios. Para consumidores e empresas, a grande virada não será apenas a forma como pagamos, mas a eficiência e a precisão com que o capital circula na economia global.”, disse Hugo Rodrigues.


