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Diploma universitário pode garantir salário até 2,5 vezes maior

Ministro defende a graduação como investimento e projeta 600 mil vagas no ensino superior

Vitória Sacramento
Por Vitória Sacramento
| Atualizada em
Leonardo Barchini é ministro da Educação
Leonardo Barchini é ministro da Educação - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em meio à popularização das apostas esportivas e dos jogos on-line, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, defendeu o ensino superior como alternativa para os jovens que buscam melhores oportunidades de vida e renda.

Durante o Programa Bom Dia, Ministro, transmitido pelo Canal Gov nesta quarta-feira, 4, ele afirmou que os estudantes não devem apostar nas plataformas de jogos, mas investir na educação. Segundo o ministro, quem conclui o ensino superior recebe, em média,2,5 vezesmais do que quem não tem diploma universitário.

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“Nós iniciamos um processo, primeiro, para valorizar a educação superior. Conscientizar os jovens que eles não têm que apostar no tigrinho, não têm que apostar em bet, eles têm que apostar no ensino superior. O ensino superior no Brasil, até hoje, paga um prêmio salarial de 2 vezes e meia. Isso quer dizer o seguinte: quem conclui o ensino superior, em média, no Brasil, até hoje, recebe 2,5 vezes a mais de quem não conclui. E o jovem precisa perceber que essa oportunidade do Enem, que é algo fantástico”, declarou.

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O ministro também ressaltou o papel do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na democratização do acesso às universidades. As notas podem ser utilizadas em processos seletivos como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que reúne vagas em instituições públicas, e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas integrais e parciais em faculdades privadas. Também podem ser aproveitadas em processos relacionados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), conforme as regras vigentes.

“O Enem é um exame que democratizou o ensino superior, fez com que todo mundo pudesse fazer. Imagina o que é, no Brasil, em 1,9 mil cidades, na sua localidade, na sua escola, de graça, você poder fazer um exame que te abre mais de 600 mil vagas. Nós temos 300 mil vagas só de universidades públicas, só de universidades federais e institutos federais. No Sisu, teremos praticamente 300 mil vagas. Então, é um leque de oportunidades que se abre. A gente foi conscientizando esses estudantes e criando políticas”, destacou Barchini.

Aplicação das provas

Com o primeiro dia de provas marcado para este domingo (8), 8, 80% dos estudantes concluintes do ensino médio da rede pública inscritos no Enem 2026 farão o exame na própria escola onde estudam. A informação foi divulgada pelo ministro durante o programa. Segundo ele, a medida busca facilitar o acesso dos candidatos, reduzindo deslocamentos e permitindo que muitos realizem a avaliação em ambientes já conhecidos. Em alguns casos, as provas serão aplicadas na própria sala de aula.

A exceção envolve principalmente candidatos com deficiência, quando a unidade escolar não dispõe de condições adequadas de acessibilidade. Nesses casos, os participantes serão direcionados para escolas próximas de suas residências.

Apesar da estimativa, Barchini alertou que nem todos os candidatos farão o exame na unidade onde estudam e reforçou a importância de consultar o Cartão de Confirmação de Inscrição.

“É fundamental que você acesse a página do participante, que você veja o seu local de prova, confira o seu local de prova, não ache que todo mundo vai fazer na própria escola”, orientou.

Perfil dos participantes

O Enem 2026 contabiliza 5.051.345 inscrições confirmadas. As mulheres representam a maioria dos participantes, correspondendo a 63,98% do total.

Durante a entrevista, o ministro relacionou a predominância feminina à ampliação do acesso à educação básica e ao ensino superior nas últimas décadas. Segundo ele, a universalização do ensino contribuiu para ampliar a presença das mulheres nas diferentes etapas da formação educacional.

“Havia uma dívida histórica do Brasil na educação, onde as mulheres historicamente frequentavam menos a escola até mais ou menos 30, 40 anos atrás. Depois com a expansão e com a universalização da educação básica brasileira, que ocorreu fundamentalmente depois da criação do Fundeb, que é o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, que foi criado em 2006, ainda no primeiro governo Lula, é que a gente conseguiu expandir e universalizar a educação. E nisso as mulheres viraram maioria e, desde então, elas ingressaram de vez na escola, na universidade, e hoje são maioria em todos os níveis educacionais”, afirmou.

Tema da redação

Outro assunto abordado foi a escolha do tema da redação. Barchini explicou que a definição é responsabilidade de uma comissão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), sem interferência direta do Ministério da Educação. O processo ocorre em ambiente controlado para preservar o sigilo até a aplicação da prova.

“O que menos a gente quer é que esse tema seja distribuído. Então ele é feito, elaborado no ambiente seguro, por uma comissão que elabora a prova. E esse tema fica sempre guardado a sete chaves, para que a gente possa ter isonomia na aplicação do exame”, declarou.

O ministro também ressaltou que os temas costumam dialogar com questões contemporâneas da sociedade e com a realidade dos estudantes. Segundo ele, a proposta é avaliar não apenas os conhecimentos escolares, mas também a capacidade dos participantes de refletir sobre assuntos relevantes para o país.

Incentivos à participação

Durante o programa, Barchini também citou iniciativas do governo federal para estimular a participação dos estudantes no exame e ampliar o acesso ao ensino superior. Entre elas estão o Pé-de-Meia, programa que oferece incentivos financeiros a alunos de baixa renda da rede pública pela frequência e conclusão do ensino médio, além de bônus pela participação no Enem, e a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), voltada ao apoio de iniciativas preparatórias gratuitas ou de baixo custo.

O ministro também mencionou o MEC Enem, aplicativo gratuito desenvolvido pelo Ministério da Educação que disponibiliza simulados e ferramentas de preparação, incluindo correção de redações por inteligência artificial.

“Então todas essas políticas, iniciativas, fizeram com que a gente atingisse, de novo, 5 milhões de inscritos. Nós queremos muito mais, porque a gente quiser conscientizar os jovens para que utilizem essa porta de entrada maravilhosa ao ensino superior, que é o Enem, para que eles se conscientizem e apostem na educação, que é a melhor aposta possível”, concluiu.

Enem 2026

As provas do Enem 2026 serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. Nos dois domingos, os portões serão abertos às 12h e fechados às 13h, no horário de Brasília, com início do exame às 13h30.

No primeiro dia, os candidatos farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Redação, com duração de 5h30 e término às 19h. No segundo domingo, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, com duração de cinco horas e encerramento às 18h30.

O endereço e a sala de aplicação devem ser consultados no Cartão de Confirmação de Inscrição, disponível na Página do Participante.

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