EDUCAÇÃO
Enem terá mudanças na redação e nas questões a partir de 2028
Novas matrizes de referência estão em discussão e devem ser consolidadas até o fim de 2026


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve passar por uma reformulação a partir de 2028, com mudanças na redação, nas competências avaliadas e na estrutura das questões. As novas matrizes de referência foram apresentadas na última semana pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a 130 especialistas em currículo e avaliação de diferentes regiões do país.
A previsão é que as novas diretrizes sejam consolidadas até o fim de 2026 e utilizadas pela primeira vez no Enem de 2028. A proposta representa a principal alteração no modelo do exame desde 2009, quando a prova passou a adotar o formato atual de redação.
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Entre as mudanças em discussão, uma das principais está justamente na produção textual. Atualmente, os candidatos elaboram uma única redação dissertativo-argumentativa, com limite de 30 linhas. Pela nova proposta, a avaliação passaria a contemplar mais de uma tarefa de escrita ao longo do exame.
O modelo prevê um texto de até 20 linhas, que poderá abordar gêneros textuais previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de três produções de até 10 linhas, relacionadas às áreas de Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Entre os gêneros mencionados nas novas diretrizes estão carta de reclamação, artigo de opinião, editorial, manifesto e resenha crítica. A intenção é ampliar a avaliação das diferentes formas de uso da linguagem e da capacidade de argumentação dos estudantes.
"As matrizes apresentadas representam um avanço significativo, pois estão alinhadas à BNCC e trazem maior clareza sobre a progressão cognitiva que o estudante precisa fortalecer ao longo do Ensino Médio. Elas não apenas modernizam a prova, mas também apoiam o planejamento docente com foco no desenvolvimento integral dos jovens", avalia Matheus Lincoln, Gerente de Desempenho Educacional da FTD Educação, que participou da reunião técnica convocada pelo Inep.
Outra alteração prevista é a ampliação de competências relacionadas à história e à cultura afro-brasileira e indígena. Os conteúdos deverão ser trabalhados de maneira transversal em áreas como Matemática e Ciências da Natureza, em consonância com a Lei 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica.
A reformulação também prevê uma utilização maior dos chamados testlets. O recurso consiste em blocos de questões que compartilham um mesmo texto-base, estratégia que pode diminuir a necessidade de o candidato fazer leituras repetidas durante a resolução da prova.
As mudanças propostas estão relacionadas à adequação do exame às competências previstas para o Ensino Médio e à forma como os conhecimentos são mobilizados pelos estudantes. As novas matrizes buscam detalhar também a progressão cognitiva esperada ao longo dessa etapa de ensino.
Mudanças não valem para o Enem deste ano
Apesar das alterações previstas, os estudantes que farão o Enem neste ano não precisam modificar a preparação por causa da nova proposta. O modelo atualmente aplicado continuará sendo utilizado nas edições anteriores a 2028.
Com isso, candidatos que estão no último ano do Ensino Médio ou se preparando para o exame deste ano devem continuar estudando para o formato vigente, incluindo a redação dissertativo-argumentativa de até 30 linhas.
As novas matrizes ainda não são definitivas. O conteúdo apresentado pelo Inep está em fase de discussão e deve passar por consolidação até o fim de 2026. A previsão é que as alterações sejam implementadas no exame de 2028.


