CIÊNCIA E PROTAGONISMO
Semana de Ciência e Tecnologia tem entrada gratuita em Salvador até esta quarta (28/10)
Com o tema ‘Ciências Delas’, programação valoriza o protagonismo feminino na pesquisa

Com o tema ‘Ciência Delas’, a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) segue até esta quarta-feira, 28, com entrada gratuita, no Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador. A programação reúne estandes interativos, experimentos com realidade virtual, oficinas e rodas de conversa voltadas à popularização da ciência e à valorização do protagonismo feminino na pesquisa e na inovação.
A abertura oficial do evento ocorreu nesta terça-feira, 27, com atividades destinadas a aproximar o público do conhecimento científico e das tecnologias desenvolvidas em universidades, escolas e centros de pesquisa.
Na Bahia, a iniciativa é coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), com ações na capital e em municípios do interior. A proposta integra a estratégia estadual de ampliar o acesso à ciência e incentivar a participação da população em atividades de pesquisa e inovação.
Exposição de projetos
Entre os destaques da exposição estão projetos de robótica desenvolvidos por estudantes e professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que apresentam o Robô Bill. Segundo Vitória Matos, de 22 anos, pesquisadora da área de robótica da universidade, o equipamento foi desenvolvido integralmente por professores e estudantes do curso de Sistemas de Informação, no Centro de Pesquisa em Arquitetura de Computadores e Sistemas Inteligentes e Robótica (ACSO).
O Bill funciona como uma espécie de assistente doméstico. O robô é capaz de reconhecer pessoas, responder a perguntas sobre assuntos específicos e transportar objetos. Em uma situação cotidiana, por exemplo, o usuário pode solicitar que ele vá até a cozinha, busque água e retorne com um copo.
A tecnologia, conforme detalhou Vitória, também pode ser aplicada em ambientes como restaurantes, onde o equipamento pode atuar como garçom, recebendo solicitações e levando itens aos clientes.

O próximo desafio da equipe será colocar o robô à prova na Competição Brasileira de Robótica, em João Pessoa. Na disputa, os equipamentos enfrentam tarefas práticas que exigem autonomia, reconhecimento do ambiente e execução de comandos.
No espaço da exposição, há também o Clube STEM, projeto criado pelas estudantes do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares, em Santa Bárbara. A iniciativa reúne projetos de robótica, tecnologia, sustentabilidade e outras áreas do conhecimento.
Entre os trabalhos está o Ecopark, que utiliza papel que seria descartado e cascas de aipim em uma proposta de reaproveitamento de materiais. De acordo com a estudante Emily Gabriele Barbosa, de 17 anos, o grupo também desenvolve um álbum de figurinhas dedicado a mulheres negras brasileiras e internacionais.
“A ideia do STEM é a sustentabilidade. É trazer isso para dentro da escola pública, porque a gente não tinha essas oportunidades. Por exemplo, material de robótica. Em que época alunos de escola pública tinham esse contato com esse material? Então, o STEM é para reforçar isso, para que os alunos da nossa escola venham até o clube, participem e estejam vivendo isso aqui que a gente está vivendo hoje”, destacou Emily.

Visibilidade global
Outro projeto desenvolvido pela estudante é o Fossa Viva Tech, criado a partir da observação de uma dificuldade enfrentada por moradores da zona rural: a dependência do fogão a lenha diante do alto preço do gás de cozinha.
A proposta consiste em produzir biogás a partir de resíduos orgânicos, como esterco de cavalos e bois, utilizando uma estrutura de baixo custo feita com lona. A ideia é reduzir a necessidade de instalações caras e ampliar o acesso à tecnologia para famílias que enfrentam dificuldades para adquirir combustíveis convencionais.
O projeto conquistou espaço no Solve for Tomorrow, programa da Samsung voltado ao incentivo de projetos educacionais baseados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Após avançar pelas etapas de seleção, o Fossa Viva Tech chegou à lista dos dez finalistas nacionais, sendo, segundo a estudante, o único projeto baiano a alcançar essa fase.
Emily tem previsão de viajar a São Paulo em dezembro para disputar a etapa final da premiação.
Para a professora de Língua Inglesa Charlene de Jesus, a visibilidade das estudantes é fundamental para incentivar novas gerações. “Quando uma estudante começa a apresentar e mostra o trabalho que é feito, as outras também vão perceber que aquele espaço é para elas”, afirmou.
Ciência como política pública
Durante a abertura do evento, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Edson Porto, ressaltou a importância de levar a produção científica a diferentes territórios e fortalecer a participação feminina na pesquisa. Segundo ele, o estado mantém investimentos em bolsas para pesquisadoras por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
“A política pública está sendo muito bem realizada aqui na Bahia através de mais de 101 feiras literárias, onde a SECTI se faz presente, em todo o interior da Bahia. E aqui [na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia], a gente vem com o tema mais relevante que existe, que é a mulher e a ciência delas. Para se ter ideia, são mais de 200 milhões [de reais] aplicados em bolsas através da Fapesb para doutoras e pesquisadoras, onde 80% são mulheres”, ressaltou Porto.

Com o apoio da Secretaria da Educação da Bahia (SEC), estão reunidos projetos de 15 escolas estaduais de diferentes municípios e territórios baianos, incluindo Feira de Santana, Santa Bárbara, Ipiaú, Cafarnaum, Itororó, São Francisco do Conde, Lauro de Freitas e Salvador.
O secretário da Educação do Estado, Marcius Gomes, destacou a articulação entre ensino, pesquisa e inovação por meio de políticas públicas, como o Pop Ciência Bahia. A estratégia inclui investimentos em educação integral, laboratórios de química, física e robótica, além de iniciativas destinadas a ampliar o contato dos estudantes com experiências científicas.
“A agenda de hoje é uma agenda compartilhada, que tem a centralidade da ciência e tecnologia, com a parceria da Fapesb. E a educação entra justamente nessa agenda de transversalidade”, disse.

Mais parcerias e avanços
Durante o evento, a Secti assinou Termos de Cooperação Técnica com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict); Fapesb, Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba).
A ocasião marcou ainda a entrega do Espaço Miríade e o lançamento da chamada para ocupação, que teve um investimento superior a R$670 mil. O local foi revitalizado por meio do convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Governo da Bahia. O espaço é o ambiente de residência de projetos de inovação do Parque Tecnológico da Bahia.









