ELEIÇÕES 2026
Como Jerônimo Rodrigues pode transformar vitória na Bahia em votos para Lula
Governador reeleito terá papel estratégico no segundo turno da eleição presidencial



A Bahia foi o case de sucesso do PT nas eleições de 2026. O estado foi o único onde o partido conseguiu eleger a chapa majoritária completa no primeiro turno e, diante da disputa acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, os protagonistas da vitória baiana viraram peça-chave na tentativa da legenda de virar o jogo nas urnas.
Com uma chapa puro-sangue e composta por nomes que já governaram a Bahia, Jerônimo Rodrigues foi reeleito ao comando do Palácio de Ondina com 55,8% dos votos válidos, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas ao Senado Federal.

Após o primeiro turno, conforme informações de bastidores, Lula teria elogiado a vitória de Jerônimo e sinalizado o interesse em contar com o governador reeleito na campanha do segundo turno.
A aproximação já começou. Somente nesta semana, Jerônimo foi duas vezes a Brasília para se reunir com Lula e com a coordenação nacional da campanha e discutir estratégias para a disputa contra Flávio Bolsonaro em 25 de outubro.
Mas como a força política de Jerônimo na Bahia pode ser transformada em votos para Lula no segundo turno? Para responder à pergunta, o portal A TARDE conversou com o cientista político, João Vitor Vilas Boas.
Jerônimo pode ampliar votos para Lula?
Jerônimo venceu em 376 dos 417 municípios baianos e recebeu 4,6 milhões de votos.
Para o cientista político, o desafio agora é transformar esse resultado em mobilização política em favor de Lula, usando a estrutura de aliados espalhados pelo estado.
“Jerônimo sai da eleição com uma força política expressiva. O papel dele, portanto, é transformar a vitória estadual em uma rede de mobilização com prefeitos, vereadores, deputados e lideranças locais trabalhando para ampliar a votação de Lula”, afirmou.
Nesse cenário, uma das principais tarefas do governador reeleito será mobilizar o eleitorado que não compareceu às urnas.
No primeiro turno, a abstenção na Bahia foi de 19,97%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Isso significa que quase um em cada cinco eleitores aptos a votar não foi às urnas.
Bahia pode manter vantagem sobre Flávio Bolsonaro
A Bahia já entregou a Lula uma vantagem importante no primeiro turno. O petista recebeu 5.664.771 votos no estado, enquanto Flávio Bolsonaro teve 2.442.585. A diferença foi de 3.222.186 votos.
Segundo João Vitor Vilas Boas, esse resultado cria uma margem que pode ajudar a compensar eventuais perdas de Lula em outros estados.
A Bahia já entregou uma vantagem de mais de 3,2 milhões sobre Flávio. Essa vantagem não apenas ajuda Lula diretamente, mas também segura a diferença de outros estados, funcionando como uma espécie de colchão eleitoral para a disputa nacional João Vitor Vilas Boas - Cientista político
A atuação de Jerônimo no segundo turno, portanto, também deve ser voltada para manter estrategicamente a vantagem obtida por Lula na Bahia.
Leia Também:
O que Lula precisa fazer para virar o jogo?
Na avaliação de João Vitor Vilas Boas, a campanha de Lula precisa atuar em três frentes simultaneamente:
- ampliar a transferência de votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno;
- reduzir a abstenção; e
- diminuir a vantagem de Flávio nos grandes colégios eleitorais onde o senador terminou à frente.
O último ponto envolve São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Juntos, os quatro estados concentram uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro e podem ter peso decisivo em uma disputa apertada.
“Esse último ponto é fundamental. Em uma eleição nacional apertada, pequenas mudanças de desempenho nos grandes colégios eleitorais podem alterar o resultado final a favor de Lula”, concluiu.


