GUERRA DOS SIGILOS
Flávio Bolsonaro não entregou sigilo completo e omitiu Dark Horse
Boulos acusou Flávio de não divulgar sigilos de Eduardo Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz



O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), acusou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de não ter autorizado a abertura completa dos sigilos bancários e telefônicos previstos no compromisso público firmado entre as campanhas.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira, 23, Boulos afirmou que o senador não incluiu contas pessoais, informações de Eduardo Bolsonaro e dados de uma empresa ligada a Flávio.
Segundo Boulos, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou os documentos na noite de quinta-feira, 22, antes do prazo que, de acordo com ele, terminava às 23h59. O ministro afirmou, porém, que a equipe de Flávio apresentou os documentos posteriormente e que o material não contemplaria todas as informações previstas.
“Quem não deve, não teme. Transparência total. Quem deve, teme e teme muito”, declarou Boulos no vídeo. As afirmações foram feitas em meio à disputa entre as campanhas sobre a divulgação dos dados financeiros e pessoais dos candidatos e de pessoas e empresas relacionadas a eles.
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Sigilos de Eduardo e Tomaz de fora
No vídeo, Boulos afirmou que a campanha de Lula autorizou a divulgação de informações sobre entradas e saídas do Palácio da Alvorada, o cartão corporativo da Presidência durante o governo petista e as contas do Instituto Lula e de parentes do presidente.
Em relação à documentação apresentada pela campanha de Flávio, o ministro alegou que a autorização abrangeria apenas as contas das empresas do senador, sem incluir suas contas pessoais.
Boulos também afirmou que Eduardo Bolsonaro, que teria sido incluído no pedido apresentado pela campanha petista, não constaria nas autorizações entregues. Segundo ele, Eduardo teria sido administrador da conta da Dark Horse, à qual associou movimentações de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro.
O ministro ainda mencionou uma suposta conta vinculada a Flávio Bolsonaro e a Willer Tomaz no Banco Santander, na Ilha da Madeira, relacionada, segundo ele, à empresa Alcazar. Boulos afirmou que essa informação também não estaria contemplada na autorização apresentada.
“Daí, gente, agora deu pra ficar nítido. Flávio Bolsonaro, fingiu que aceitou o desafio, só pra responder a opinião pública, mas não aceitou nada. É muito importante que todo mundo saiba a verdade sobre a quebra de sigilo, porque já tem Deltan Dallagnol e companhia inventando mentira por aí”, declarou Boulos.
Decisão de Mendonça
A discussão ocorre após o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça afirmar, em despacho de quinta-feira, 22, que Lula e Flávio podem divulgar voluntariamente seus próprios dados bancários e telefônicos, sem necessidade de autorização da Justiça Eleitoral.
Segundo o ministro, não há impedimento legal para que os candidatos tornem públicas informações pessoais, assim como dados de pessoas físicas e jurídicas mencionadas no caso, conforme os compromissos assumidos por eles.
“Não cabe à Justiça Eleitoral definir o que cada candidato quer ou não divulgar. O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor”, escreveu Mendonça.
O ministro também explicou que os titulares podem obter extratos e movimentações bancárias diretamente nas instituições financeiras ou nos aplicativos dos bancos. As declarações do Imposto de Renda podem ser acessadas pelo portal da Receita.


