NA MIRA DA JUSTIÇA
Flávio e outros: saiba quem são candidatos à presidência alvos de investigações
Ao todo quatro postulantes ao Palácio do Planalto são suspeitos e um já é réu



Flávio Bolsonaro (PL) é um dos quatro candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 que está sob investigação. A apuração contra o senador foi aberta em julho, mas só veio a público na semana passada após o relator do caso no Supremo Tribunal (STF), André Mendonça, levantar o sigilo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Flávio é investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção de ‘Dark Horse’, cinebiografia do ex-presidente e seu pai, Jair Bolsonaro.
A decisão aponta que a PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que teriam sido praticados, em tese, por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento do filme junto a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

Outros investigados
Outros três postulantes ao Palácio do Planalto, dos mais variados espectros ideológicos, são alvo de algum inquérito na Justiça por diferentes suspeitas.
Rui Costa Pimenta
Em agosto passado, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, foi alvo de uma operação da Polícia Federal. A suspeita é de desvio de dinheiro dos fundos partidário e eleitoral.
A suspeita é de que recursos dos fundos partidário e eleitoral, destinados ao PCO, tenham sido repassados pelos dirigentes a pessoas ligadas a integrantes do partido e empresas gráficas que, segundo a investigação, não tinham capacidade operacional para prestar serviços compatíveis com os valores recebidos.
Na operação batizada de "Causa Própria", a Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 4,5 milhões dos investigados. Rui Costa Pimenta foi afastado das atividades administrativas do PCO por seis meses, mas não está proibido de concorrer nas eleições.
Rui Costa Pimenta negou irregularidades:
A intenção é nos prejudicar, inclusive eleitoralmente. A acusação parece que se baseia na seguinte questão que os juízes acharam muito estranho: que essas empresas são empresas dirigidas por militantes do PCO. Só que ocorre o seguinte: o juiz pode achar estranho, mas não é ilegal. Não é ilegal. Ninguém disse em lugar nenhum do mundo, não está na lei eleitoral, não está no regulamento do TSE que você é obrigado a contratar empresas de pessoas que não têm vinculação partidária
Renan Santos
O candidato do Missão, Renan Santos, é alvo de duas investigações. Em uma delas, o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para que o candidato e o Movimento Brasil Livre (MBL) paguem o valor de R$ 500 mil a título de indenização por ataques contra povos indígenas do Baixo Tapajós, no Pará.
Segundo o MPF, Renan Santos chamou indígenas de "vagabundos", "picaretas" e "malandros". Nos conteúdos, ele também teria afirmado que os povos da região “vivem de mamata” e deveriam começar a trabalhar.
Os vídeos foram publicados nos perfis de Renan Santos e do MBL no Instagram durante protestos realizados em Santarém, no oeste do Pará, no início deste ano.
A outra denúncia contra Renan vem do Ministério Público Eleitoral (MPE) que abriu um processo para apurar eventual abuso de poder e captação ilícita de recursos para fins eleitorais do candidato do Missão.
A defesa de Renan Santos afirmou à TV Globo que vai apresentar nos próximos dias ao TSE uma representação pedindo a apuração sobre todos os candidatos que deixaram de apresentar nas redes sociais no momento do registro de candidatura.
Em ambos os casos Renan se declara inocente.
Romeu Zema
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à presidência Romeu Zema (Novo) passou a ser investigado no inquérito das fake news em abril deste ano por calúnia.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ao colega de Corte, ministro Alexandre de Moraes, um pedido de apuração contra Zema depois que o ex-governador compartilhou um vídeo mostrando fantoches de Gilmar e do ministro Dias Toffoli discutindo sobre o escândalo do Banco Master.
A defesa de Zema nega irregularidades e classifica as investidas como perseguição política e tentativa de limitar sua liberdade de expressão.
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Candidato réu
Um dos candidatos é réu na Justiça. O Veterinário Wilson Grassi (Democrata) é acusado de improbidade administrativa relacionada ao contrato firmado entre a Prefeitura de Taubaté e a Anclivepa (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) para administração do Hospital Público Veterinário do município.
A Justiça determinou, em dezembro de 2025, a indisponibilidade dos bens de Wilson Grassi, da Anclivepa e de outras sete empresas relacionadas ao processo.

Em agosto de 2026, o Tribunal de Contas do Estado julgou irregular o contrato firmado em maio de 2022 entre a Prefeitura e a Anclivepa. O acordo previa pagamentos de R$ 3,415 milhões por ano.
A defesa de Wilson Grassi afirmou ao jornal O Vale que pretende contestar as ações contra o candidato. Os advogados sustentaram que serão apresentados documentos, esclarecimentos e recursos nos processos e afirmaram que as condutas do veterinário foram regulares.


