
Disputar uma eleição para o Governo da Bahia mais de uma vez não é algo incomum na história política do estado. No entanto, alguns nomes foram além e retornaram às urnas em diferentes momentos sem conseguir alcançar o Palácio de Ondina.
Entre os políticos baianos que mais acumularam reveses em eleições para governador, três aparecem empatados na liderança, com três candidaturas malsucedidas: Paulo Souto, Marcos Mendes e Rogério da Luz.
Logo em seguida, Roberto Santos, João Durval e Lídice da Mata somam duas derrotas cada.
O levantamento realizado pelo portal A TARDE considera exclusivamente disputas pelo governo baiano.
A contagem não inclui pleitos para outros cargos, o que faz com que alguns dos nomes acumulem um número ainda maior de insucessos quando toda a trajetória eleitoral é analisada.
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Três derrotas após dois governos
Paulo Souto é um dos nomes mais conhecidos da lista. Antes de voltar às urnas como candidato derrotado, ele já havia ocupado o Palácio de Ondina em duas oportunidades:
- entre 1995 e 1998;
- e de 2003 a 2007.
Após deixar o cargo, Souto tentou retornar ao governo em três eleições consecutivas.
- Foi derrotado por Jaques Wagner (PT) em 2006, quando obteve 43,03% dos votos válidos;
- Voltou a perder em 2010 e 2014.
- Na última tentativa, ficou em segundo lugar, com 37,39%, atrás de Rui Costa (PT), eleito ainda no primeiro turno.
O resultado de 2014 encerrou uma sequência de três candidaturas consecutivas de Souto ao Palácio de Ondina sem vitória.

Os que correram por fora
Marcos Mendes
Marcos Mendes também soma três derrotas na corrida pelo governo baiano. O geólogo concorreu pelo PSOL em 2010, 2014 e 2018, tornando-se um dos postulantes que mais vezes disputaram o Executivo estadual sem conseguir a eleição.
Em 2018, na sua terceira candidatura, Mendes terminou novamente fora do segundo turno, registrando 0,66% dos votos válidos. O pleito daquele ano consolidou a confirmação do partido sobre sua terceira tentativa de alcançar o Palácio de Ondina.
Rogério da Luz
Rogério da Luz completa o grupo de políticos com três reveses. Conforme o histórico eleitoral, ele disputou o governo baiano em 2002, 2006 e 2014, sem êxito em nenhuma das ocasiões. Em 2014, concorreu pelo PRTB e finalizou a disputa com 0,43% dos votos válidos.
Três nomes aparecem logo atrás
Roberto Santos
Roberto Santos, que governou a Bahia entre 1975 e 1979, aparece com duas derrotas em eleições diretas para o governo. O ex-governador concorreu em 1982, no primeiro pleito direto para o cargo após o período de escolha indireta imposto pelo regime militar, e novamente em 1990, perdendo para Antônio Carlos Magalhães.

João Durval
João Durval também acumulou duas derrotas após já ter vencido um pleito para o Executivo baiano. Eleito em 1982, governou o estado de 1983 a 1987.
- Mais tarde, voltou a disputar o cargo em 1994 e 1998, mas não conseguiu retornar ao Palácio de Ondina.
- Em 1994, perdeu para Paulo Souto no segundo turno; quatro anos depois, ficou em terceiro lugar, atrás de César Borges e Zezéu Ribeiro.

Lídice da Mata
Lídice da Mata fecha o grupo empatado com duas derrotas. A trajetória política da atual deputada federal inclui uma candidatura ao governo em 1990 e outra em 2014.
Na última, concorrendo pelo PSB, terminou em terceiro lugar, com 6,62% dos votos válidos, atrás de Rui Costa e Paulo Souto.

Eleições só começaram em 1947
A possibilidade de o eleitor baiano escolher diretamente o governador foi interrompida durante a Ditadura Militar.
As eleições diretas para o cargo haviam sido realizadas pela primeira vez em 1947, no período de redemocratização após o Estado Novo instalado pelo então presidente Getúlio Vargas entre 1938 e 1945.
O regime instaurado em 1964 alterou o sistema eleitoral. Em 1966, o Ato Institucional nº 3 estabeleceu eleições indiretas para governadores, que passaram a ser escolhidos pelas Assembleias Legislativas. A partir daquele momento, o pleito para o Executivo estadual deixou de ser direto.
O voto direto para governador só retornou em 1982, quando Roberto Santos e João Durval disputaram o cargo.
A eleição daquele ano marcou a retomada da escolha direta dos governadores pelos eleitores brasileiros após anos de tutela indireta durante o regime militar.
Quem mais perdeu para outros cargos?
Quando o levantamento deixa de considerar apenas o Palácio de Ondina, outros nomes entram na lista de políticos com mais insucessos eleitorais.
Marcos Mendes, além das três derrotas para governador, acumula seis reveses em disputas por diferentes cargos, incluindo eleições para vereador e prefeito de Salvador.
Rogério da Luz também soma outras seis derrotas em disputas para cargos como deputado federal, prefeito e vereador da capital baiana.
Entre os políticos baianos, o deputado federal Zé Neto (PT) protagoniza outro caso emblemático.
O parlamentar disputou a Prefeitura de Feira de Santana em seis oportunidades — 1996, 2004, 2012, 2016, 2020 e 2024 —, sem vencer em nenhuma delas.
Em 2020, chegou ao segundo turno, mas foi superado por Colbert Martins; em 2024, terminou novamente em segundo lugar, atrás de José Ronaldo.

Outra menção honrosa fica para o atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), Nelson Pelegrino, que disputou a Prefeitura de Salvador por quatro vezes sem conseguir se eleger.
Sua última tentativa ocorreu em 2012, quando disputou o segundo turno contra ACM Neto.
E no cenário nacional?
O fenômeno não se restringe à Bahia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumulou quatro derrotas eleitorais antes de chegar ao Palácio do Planalto: perdeu a disputa pelo Governo de São Paulo em 1982 e as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998.

Ciro Gomes também soma quatro derrotas em disputas presidenciais: 1998, 2002, 2018 e 2022. Assim como Lula, ele também foi vitorioso em outras ocasiões e ocupou diferentes cargos públicos ao longo da carreira, como governador do Ceará.
Uma curiosidade do cenário internacional envolve o canadense John Turmel, registrado no Guinness Book como recordista mundial em número de eleições disputadas e perdidas.
Ele participou de mais de uma centena de disputas eleitorais, vencendo apenas uma.





