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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Cantor Séo Fernandes retoma carreira no axé sem abandonar a fé

Após 15 anos, cantor baiano retoma carreira e fala sobre Chica Fé, Saulo Fernandes e fé

Franciely Gomes
Por
Séo Fernandes retomou sua carreira na música baiana recentemente
Séo Fernandes retomou sua carreira na música baiana recentemente - Foto: Arquivo pessoal

Sergio Fernandes está vivendo mais uma transição de carreira. Após deixar o axé music e se dedicar ao mundo gospel, o cantor, que é conhecido popularmente como Séo, anunciou seu retorno à música baiana após 15 anos.

Em entrevista concedida exclusivamente ao portal A Tarde, ele revelou que sua intenção nunca foi deixar a carreira, mas acabou tomando algumas decisões erradas durante sua gestão à frente da banda Chica Fé em 2001, que assumiu após a saída de seu irmão, o também cantor Saulo Fernandes.

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“O que aconteceu foi que tomei algumas decisões erradas na minha carreira na Chica Fé, e isso me levou a uma frustração grande que cheguei a desejar encerrar a minha carreira. Uma carreira que, hoje, estou retomando depois de 15 anos”, disse.

Fundador da Comunidade Revolução da Graça, uma igreja cristã conhecida por mesclar adoração com elementos culturais baianos, Séo explicou que o gênero gospel chegou de maneira natural em sua vida, e não como um substituto do axé.

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“Admiro muitos artistas e sou consumidor desse estilo, mas nunca foi um propósito meu carregar esse rótulo. Em 2018, gravei um projeto cultural chamado Graça, Tambor e Cordas, que uniu elementos de matriz africana e a cultura baiana à mensagem do evangelho — exatamente com o intuito de quebrar divisões e combater a intolerância.”

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Romance mal resolvido com a música baiana

Séo Fernandes no estúdio gravando
Séo Fernandes no estúdio gravando - Foto: Reprodução | Instagram

Vencedor do troféu de cantor revelação do Carnaval de 2005, Séo classifica sua relação com a música baiana como um “romance mal resolvido”. Em 2007, o artista deixou os vocais da Chica Fé para montar o Casa Di Mãe, porém o grupo não durou muito tempo e ele deixou a carreira de vez.

Minha história com a música baiana é como um romance mal resolvido, que precisava de um reencontro” Séo Fernandes

Curado das amarras do passado e mais maduro, o cantor volta à música baiana cerca de quinze anos depois, no que define como “momento certo”. Ele ressalta que não esteve totalmente parado neste tempo, investindo seu tempo em outras expressões artísticas.

“Acredito que o momento certo chegou, e estou muito feliz em poder restaurar essa história de amor. No tempo em que estive longe, me desenvolvi em outras áreas: me tornei escritor, mentor, pastor e palestrante. Mas a arte, com toda a sua “possessividade” (risos) sempre me chamou de volta”, afirmou.

“Eu cresci, amadureci, conheci mais de perto as necessidades das pessoas e me tornei mais humano e sensível à dor do outro. E é exatamente daí que o conceito do meu novo projeto Pássaro Preto surge, um canto cheio de responsabilidade social, propósito e identidade”, completou.

Comparações com Saulo Fernandes

Apesar de manter um estilo musical diferente do feito por seu irmão, o cantor Saulo Fernandes, Séo recebe algumas comparações diárias com ele. No entanto, o músico garantiu que não há nenhum tipo de rivalidade ou competição entre eles, somente amor.

Cantor Saulo Fernandes, irmão de Séo Fernandes
Cantor Saulo Fernandes, irmão de Séo Fernandes - Foto: Jardel Souza | Divulgação

“Toda comparação pode gerar competitividade, e a arte deixa de ser um propósito para se tornar um troféu”, confessou, deixando claro que é preciso tomar cuidado com as competições imaginárias.

Em seu desabafo, ele também confessou que Saulo é sua maior inspiração musical. “Meu irmão é um ser humano incrível e um artista sensacional. Além de referência, sempre foi o meu maior incentivador. Tudo o que quero é me tornar o artista que ele enxergou em mim antes mesmo de eu decidir cantar.”

Música gospel x música secular

Embora tenha atuado como pastor evangélico por muitos anos, Séo Fernandes não classifica as canções como “gospel” ou “secular”. Em uma declaração recente em um podcast, ele chegou a afirmar que essa divisão não existe.

Ao A Tarde, o cantor reforçou que essa denominação foi uma convenção criada pela interpretação preconceituosa das pessoas, já que não há nenhum trecho na bíblia que realize essa segregação entre canções e artistas.

“Não há um texto sequer nas Escrituras que sirva como base para essa divisão. O que temos são pensamentos e uma divisão preconceituosa humana. Não fazemos essa separação com médicos, advogados ou professores; por que fazer com o artista?”, avaliou.

“A música é um presente divino, e cada um a utiliza como achar melhor. É claro que não me cabe cantar ou ouvir canções que não se relacionam com aquilo que acredito — mas isso é escolha de cada um”, reforçou.

E eu sempre me coloco no lugar do outro: imagino como seria difícil ter a minha arte classificada como maligna por alguém que diverge da minha crença” Séo Fernandes

Ele também confessou que não se importa com os julgamentos que receberá de membros da igreja evangélica por ter escolhido retornar ao cenário musical baiano. “Isso fala muito mais do que está no coração deles do que no meu. A rejeição e o julgamento sempre virão de algum lado; cabe a nós decidir se vamos recebê-los como motivo para seguir ou para desistir. Eu escolho seguir.”

“Hoje sou um artista e ser humano cheio de vida, satisfação e propósito. Alguém que anseia se tornar um agente de transformação social através da arte e da cultura. Um cristão apaixonado, disposto a oferecer um pedido de perdão por todo o ódio e toda a intolerância daqueles que vieram antes de mim. Um mensageiro de paz e reconciliação”, concluiu.

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Tags

entretenimento música saulo fernandes

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