GP DE SÃO PAULO
Campeão mundial e brasileiro homenageiam Senna na Fórmula 1
Brasileiro da Audi e italiano da Mercedes celebram os 35 anos da primeira vitória de Senna no Brasil


Ayrton Senna sempre está presente, de algum jeito, no Grande Prêmio de São Paulo - mas dessa vez será especialmente carregado por dois pilotos especiais. Gabriel Bortoleto, da Audi, e Kimi Antonelli, da Mercedes, prepararam capacetes exclusivos para a etapa de Interlagos da Fórmula 1, que acontece neste fim de semana.
As homenagens celebram os 35 anos da primeira vitória do tricampeão brasileiro diante de sua torcida, conquistada em 1991, em uma das corridas mais marcantes da história da categoria.
Os dois pilotos anunciaram as homenagens nesta terça-feira, 3, poucos dias antes de entrarem na pista. Enquanto Bortoleto se prepara para disputar seu segundo GP em casa, Antonelli chega ao Brasil em uma condição especial - aos 20 anos, o italiano acaba de conquistar seu primeiro título mundial, confirmado no último domingo, 1º, no México.

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Gabriel Bortoleto apresentou o novo capacete em suas redes sociais, destacando o significado de competir diante da torcida brasileira e a importância de Ayrton Senna em sua trajetória no automobilismo.
O projeto reúne elementos que fazem referência à carreira do tricampeão e à própria história do piloto paulista. Uma das ilustrações reproduz Senna no pódio após a vitória no Grande Prêmio do Brasil de 1991, utilizando uma estética inspirada na literatura de cordel, manifestação artística tradicional brasileira.

O casco também apresenta uma representação de Bortoleto em 2024, ano em que conquistou o título da Fórmula 2, antes de chegar à principal categoria do automobilismo.
"Um capacete especial pra corrida mais especial do ano. Quis fazer uma homenagem para meu ídolo Senna, 35 anos da sua vitória mais marcante no Brasil. Marcando resiliência e que nunca se deve desistir dos seus sonhos! Não vejo a hora pra correr na frente do meu país", escreveu o brasileiro.

A homenagem acontece em um momento de recuperação para Bortoleto na temporada. Depois de terminar o Grande Prêmio do México na oitava colocação, o piloto da Audi chega a Interlagos embalado pelo resultado positivo.
Em 2025, quando estreou na Fórmula 1, o brasileiro teve uma passagem difícil pela etapa de São Paulo. Dois acidentes impediram que completasse tanto a corrida sprint quanto a prova principal de domingo.
Agora, em seu segundo ano na categoria, terá uma nova oportunidade de conquistar um resultado expressivo diante do público brasileiro.

Antonelli celebra Senna após conquistar título mundial
Mas, se todo brasileiro é fã de Senna, o italiano é um de carteirinha. Assim como Bortoleto, Kimi Antonelli escolheu a vitória de Senna em 1991 como inspiração para um capacete comemorativo.
O italiano, que assegurou o título mundial de 2026 no GP do México, desembarcou em São Paulo com uma programação dedicada ao ídolo brasileiro. Além de apresentar o equipamento especial, visitou a família Senna e teve a oportunidade de conhecer de perto um carro utilizado pelo tricampeão na temporada de 1985.

O encontro foi registrado nas redes sociais, com fotografias ao lado de familiares de Ayrton e dentro do veículo histórico: "Dia inesquecível. Obrigado a toda a família Senna. Levará algum tempo para me acostumar, mas vou levar essas memórias comigo para sempre".
A admiração do italiano por Senna também está presente no número utilizado em suas corridas. Desde sua chegada à Fórmula 1, o piloto da Mercedes compete com o 12, em referência ao brasileiro, que usou a numeração durante parte de sua carreira.
Mesmo com a conquista do campeonato, Antonelli afirmou que não pretende trocar o número pelo 1, reservado ao atual campeão mundial.

"Não vou abandonar o 12 para ficar com o número 1 dos campeões, em parte por superstição e em parte porque me ajuda a manter os pés no chão, me lembra quem eu sou e o que quero alcançar", explicou.
O italiano também destacou a expectativa de disputar a etapa brasileira, especialmente pelo carinho recebido dos torcedores: "Interlagos será um fim de semana muito especial, e mal posso esperar para vivenciá-lo, porque o apoio que tenho recebido do Brasil tem sido incrível, não só este ano, mas desde a temporada passada".
Vitória histórica de 1991 inspira homenagens
A escolha de Bortoleto e Antonelli remete a uma das atuações mais conhecidas da carreira de Ayrton Senna. Em 24 de março de 1991, o brasileiro conquistou sua primeira vitória no Grande Prêmio do Brasil, depois de enfrentar uma série de problemas mecânicos nas voltas finais.
Pilotando pela McLaren, Senna sofreu com falhas na caixa de câmbio e precisou completar os últimos momentos da corrida utilizando praticamente apenas a sexta marcha.
Apesar das dificuldades, conseguiu manter a liderança até a bandeirada e venceu pela primeira vez em Interlagos. O esforço físico foi tão intenso que o piloto apresentou dificuldades para erguer o troféu durante a cerimônia no pódio.

A conquista se tornou um dos símbolos de sua trajetória e permanece como uma das lembranças mais importantes para os fãs brasileiros de Fórmula 1.
Trinta e cinco anos depois, a corrida será novamente lembrada no autódromo paulista, desta vez por dois representantes de uma geração que nasceu após a morte do tricampeão, em 1994.


