CONTRA RÓTULOS
Bahia usa faixa vermelha em protesto na semifinal do Brasileirão
O técnico tricolor explicou a escolha e o significado do símbolo usado no jogo contra o Corinthians


Quem prestou atenção no Bahia durante o confronto com o Corinthians pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino notou uma faixa que parecia ser de capitã - mas estava nos braços de todo o time.
O acessório, visto em membros da comissão técnica e jogadoras, foi criado durante a preparação para o duelo contra o Corinthians e carrega uma mensagem de entrega, resistência e combate aos rótulos.
Após a derrota por 1 a 0 na Arena Fonte Nova, o técnico Felipe Freitas explicou que a cor vermelha possui uma ligação direta com o clube, mas também representa a disposição das Mulheres de Aço para entregarem tudo dentro de campo.
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"A gente construiu essa faixa ao longo da semana. Primeiro, a cor vermelha representa o Bahia, mas também representa o nosso sangue, no sentido de entregarmos o sangue e fazermos tudo o que for possível", explicou.
O significado, no entanto, ultrapassa o aspecto esportivo. De acordo com Felipe, o símbolo foi pensado como uma resposta aos rótulos impostos principalmente às mulheres e reforçados historicamente dentro do futebol.
"As mulheres são muito mais rotuladas ao longo do tempo. Dizem que mulher não pode jogar bola, que mulher não sabe jogar bola, que mulher é isso ou aquilo. A faixa representa uma luta nossa para não nos permitirmos esses rótulos", afirmou.

O treinador também relacionou a mensagem à trajetória recente do Bahia que, depois de conquistar o acesso à Série A1, iniciou sua caminhada na elite cercado por previsões de que lutaria apenas contra o rebaixamento.
Contrariando as expectativas, as Mulheres de Aço chegaram às quartas de final em 2025 e alcançaram, nesta temporada, a primeira semifinal nacional de sua história.
"Desde que cheguei, o Bahia era rotulado como um time que sobe e cai, sobe e cai. No primeiro ano em que disputamos o Brasileiro, muita gente dizia que a equipe brigaria na parte de baixo da tabela para não cair. A faixa representa aquilo que cada membro da equipe colocaria dentro de campo e a nossa luta para não aceitar esses rótulos", disse.
"É muito também sobre a xenofobia. As pessoas têm o hábito de rotular sem conhecer profundamente. A faixa é um grito para que parem de rotular e permitam que cada pessoa faça o que quiser. Que a mulher esteja onde quiser e que o nordestino esteja onde quiser", completou Felipe.
A mensagem ganhou ainda mais força diante dos 5.811 torcedores presentes na Fonte Nova. Além de estabelecer o recorde de público do Brasileirão Feminino de 2026, a partida registrou a maior presença de torcedores da história do futebol feminino na Bahia.

Mesmo com a derrota, o público aplaudiu as jogadoras e gritou "eu acredito" após o apito final. Agora, o Bahia tentará transformar a mensagem de resistência simbolizada pela faixa vermelha em reação dentro de campo.
As Mulheres de Aço voltam a enfrentar o Corinthians na próxima segunda-feira, 21, às 21h30, na Neo Química Arena, sonhando com a classificação inédita para a final do Brasileirão e, quem sabe, o primeiro título da história do time.


