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"JOGO TERMINA ABERTO"

Felipe Freitas critica Bahia "moroso" e acredita na classificação

Treinador explica mudanças, destaca campanha histórica e mantém confiança na classificação à final

Marina Branco
Por
Felipe Freitas
Felipe Freitas - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

O placar não foi suficiente para abalar a confiança - o técnico Felipe Freitas deixou a Arena Fonte Nova convicto de que o Bahia permanece vivo na semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino.

Após a derrota por 1 a 0 para o Corinthians, na noite desta terça-feira, 15, o treinador reconheceu os problemas apresentados pelas Mulheres de Aço, principalmente no primeiro tempo, mas valorizou a reação da equipe e projetou uma atuação mais intensa no confronto decisivo.

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Segundo Felipe, o Bahia conseguiu criar oportunidades em transições e teve capacidade de competir diante de uma das principais potências do futebol feminino brasileiro, atual e maior campeã do Brasileirão na história.

"No primeiro tempo, a gente já tinha 57% de posse de bola. No segundo, ficou em torno de 72%, contra um Corinthians que é um time muito bom. Acho que a gente falha, principalmente no primeiro tempo", disse.

"As atletas tentaram jogar tranquilas, mas essa tranquilidade virou morosidade. Faltou um encaixe mais agressivo, um pé na bola e um balanço mais fortes", analisou.

Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova
Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

O Corinthians abriu o placar aos 13 minutos, quando Belén Aquino roubou a bola de Raquel e encontrou Jhonson em condição de marcar. O Bahia respondeu com Cássia, que parou em Nicole, e cresceu na etapa final, quando voltou a ameaçar com Raquel, Dany Silva e outras chegadas pelo campo ofensivo.

Para Felipe, a ansiedade e a precipitação demonstradas em alguns momentos são compreensíveis diante da primeira semifinal de Campeonato Brasileiro disputada pelo grupo. O treinador, no entanto, espera que justamente a experiência construída ao longo do processo ajude as jogadoras no confronto da volta.

"É muito natural. Houve passes precipitados do nosso lado e também do Corinthians. Estamos vivenciando uma semifinal de Campeonato Brasileiro pela primeira vez. É importante sair daqui com o aprendizado de que esse nervosismo vai existir para algumas pessoas que nunca viveram isso e aprender a lidar com ele", comentou.

Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova
Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Reação e mudanças

Na partida, após um primeiro tempo abaixo da média do time, o Bahia retornou para o segundo tempo tentando controlar a primeira faixa do meio-campo e explorar os corredores laterais. Na avaliação do treinador, a estratégia funcionou durante os primeiros 20 minutos da etapa final, antes de a equipe começar a sentir o desgaste físico.

Com a queda física da equipe, Felipe promoveu as entradas de Ju Oliveira e Dany Silva nas vagas de Ângela Gómez e Taty. "A ideia foi colocar sangue novo. Colocamos a Oliveira para ter organização e um pé na bola mais agressivo", explicou.

"Quando colocamos a Dany, era para dar amplitude pelo lado esquerdo e aproveitar o pé esquerdo dela. Ela fez muito bem essas ações, embora ainda tenhamos pecado algumas vezes na tomada de decisão", completou.

Nas mudanças seguintes, o Bahia alterou a estrutura tática para ocupar com mais jogadoras a última linha defensiva do Corinthians. De acordo com Felipe, a equipe conseguiu empurrar o adversário para trás, disputar as primeiras e segundas bolas e aumentar a presença dentro da área.

Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova
Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Recorde e aplausos

Nos pontos altos e baixos, uma coisa foi constante - a força da torcida. Com 5.758 pagantes, o confronto estabeleceu o recorde de público do Brasileirão Feminino de 2026 e a maior marca da história do futebol feminino na Bahia.

"Não esperava menos da torcida do Bahia. São muitas novidades, mas nós vencemos isso. Fizemos um bom confronto contra uma equipe que sempre entra como favorita pela história, pelo elenco e pelas atletas qualificadas. É um jogo que termina muito aberto", disse o treinador.

Felipe citou as oportunidades criadas no segundo tempo e lembrou que um gol mudaria completamente o cenário da semifinal. Mesmo derrotado, o Bahia deixou o gramado aplaudido e sob gritos de "eu acredito" vindos das arquibancadas.

"Podemos perder, empatar ou ganhar, mas precisamos sempre entregar o máximo, vibrar e ser intensos. A ideia é entregar intensidade e agressividade, jogar representando o que essa torcida espera. Saímos aplaudidos pela entrega até o final", completou.

Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova
Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Pênaltis no horizonte

Para avançar diretamente, o Bahia precisará vencer o Corinthians por pelo menos dois gols de diferença na Neo Química Arena. Um triunfo tricolor por um gol levará a decisão para os pênaltis, cenário para o qual Felipe garante que o grupo está preparado.

"Temos nos preparado para todos os elementos, inclusive os pênaltis. Foi assim contra o Palmeiras. Estudamos as cobranças, os comportamentos e a goleira adversária. São duas excelentes goleiras e, caso vá para os pênaltis, teremos duelos que podem ser históricos", relembrou.

O treinador recordou que o Bahia também saiu atrás no empate por 1 a 1 com o Corinthians durante a primeira fase. Naquela ocasião, as Mulheres de Aço buscaram a igualdade, e apesar de não terem repetido a reação na Fonte Nova, Felipe acredita que a postura demonstrada sustenta a esperança para a volta.

"Estamos preparados para os desafios que podem aparecer. Seja nos pênaltis ou durante o jogo, vamos continuar trabalhando bastante", afirmou.

Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova
Bahia e Corinthians na Arena Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

Coragem e resiliência

O desafio, então, é concretizar tudo aquilo para o que o Bahia já se preparou. Felipe afirmou que a confiança do grupo está sustentada pelo caminho percorrido desde o acesso à elite, tendo superado as expectativas em seu primeiro ano na Série A1.

"A confiança é mantida pelo histórico do nosso trabalho. Sabemos que é possível por tudo o que entregamos e por todo o suor colocado nesse processo. Já fizemos muito além da expectativa que existia, embora tenhamos sonhos e objetivos ainda maiores", disse.

Para o técnico, três características explicam a campanha: coragem, capacidade de reinvenção e resiliência. Ele destacou a tentativa de manter a posse de bola, as mudanças de função feitas durante os jogos e a resposta apresentada depois de um primeiro tempo abaixo do esperado.

Público de Bahia e Corinthians na Fonte Nova
Público de Bahia e Corinthians na Fonte Nova - Foto: Letícia Martins I EC Bahia

"É um grupo que consegue se reinventar com muita facilidade. Isa jogou como zagueira e foi sensacional. É uma equipe muito resiliente. Sofre pressão, sofre pancada e consegue se reinventar, como aconteceu hoje. Saímos de um primeiro tempo que não foi dos melhores e apresentamos outra atitude no segundo", continuou.

"Quando você entra em um grupo como este, acreditar tem que ser o primeiro passo. Elas compram essa ideia. Pode ser que a gente consiga ou não, mas estamos muito mais perto do que estávamos há um ano", disse.

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"Tenho certeza de que este grupo acredita muito. Vamos acreditar até o último momento do próximo jogo e fazer por onde. Se for suficiente, seremos finalistas do Campeonato Brasileiro", finalizou.

Bahia e Corinthians voltam a se enfrentar na próxima segunda-feira, 21, às 21h30, na Neo Química Arena. Agora, as Mulheres de Aço precisam vencer por dois gols de diferença para avançar no tempo normal ou por um para levar a semifinal aos pênaltis e, quem sabe, fazer história chegando pela primeira vez à final do Campeonato Brasileiro.

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