AVALIAÇÃO
Bellintani diz que limite de estrangeiros no Brasil é "cobertor curto"
Ex-presidente do Bahia analisou a mudança aprovada pela CBF e uma solução para a questão

Ex-presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani comentou nesta segunda-feira, 21, a decisão dos clubes das Séries A e B de reduzir gradualmente o limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro. A mudança, aprovada em reunião com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), começará a valer em 2027.
Atualmente, os clubes podem relacionar até nove estrangeiros por partida. A partir de 2027, o limite será reduzido para oito atletas e cairá gradualmente até chegar a cinco em 2030. Londrina, Bahia e Flamengo votaram contra a proposta.
Dono do grupo Squadra Sports, rede multiclubes que administra times como o Londrina e o Ypiranga, de Salvador, Bellintani avaliou que a redução pode aumentar o espaço para jogadores brasileiros, especialmente os mais jovens.
“A queda do número de estrangeiros abre mais espaço para o jogador brasileiro e teoricamente há tendência de abrir mais espaço para o jogador jovem”, afirmou o dirigente.
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Segundo ele, no entanto, a mudança pode representar uma perda de competitividade para o futebol brasileiro, que nos últimos anos ampliou sua presença no mercado sul-americano. Para ele, a redução do número de estrangeiros também pode afetar a capacidade econômica e esportiva da competição.
Contudo, Bellintani afirmou que a decisão faz parte de um processo de mudanças no futebol nacional. “A gente sabe que a decisão para esse caminho também gera perdas, mas faz parte do processo”, declarou.
Bellintani sugere criação de times B
Durante a reunião, Bellintani também defendeu a possibilidade de os clubes brasileiros criarem equipes B para disputar competições específicas e dar mais espaço aos jogadores formados nas categorias de base.
Como exemplo, o dirigente citou clubes europeus que possuem equipes secundárias, como Barcelona, Benfica e Porto. A proposta seria permitir que clubes das Séries A, B e C tenham times B, criando uma alternativa para aumentar o número de partidas disputadas pelos jovens atletas.
A ideia se relaciona às mudanças aprovadas pela CBF para ampliar a participação de jogadores sub-23. A partir de 2027, os clubes poderão inscrever até 50 atletas no Brasileirão, com pelo menos 20 deles tendo até 23 anos. A proporção também será ampliada gradualmente até 2030.
Dirigente elogia medidas ‘anti-cera’
Bellintani também destacou as mudanças implementadas pela CBF para aumentar o tempo de bola em jogo no Campeonato Brasileiro. Segundo dados apresentados pela entidade, a média na Série A passou de 53min54s até a 22ª rodada para 58min43s entre a 23ª e a 28ª rodada, um aumento de 4min49s por partida.
Para o dirigente, o resultado demonstra que alterações nas regras e na organização das partidas podem contribuir para tornar os jogos mais dinâmicos.
“Isso melhora muito o espetáculo, valoriza a nossa competição e é mais prazeroso para o torcedor que está em casa ou que está no estádio assistindo”, afirmou Bellintani.


