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Conheça a doença rara que fez craque italiano abandonar o futebol

Gennaro Gattuso foi campeão da Copa do Mundo de 2006 com a Itália

Gustavo Nascimento
Por
Gennaro Gattuso, ex-jogador e treinador italiano
Gennaro Gattuso, ex-jogador e treinador italiano - Foto: Fred Tanneau | AFP

Campeão da Copa do Mundo com a Itália em 2006, Gennaro Gattuso revelou que convive há 15 anos com uma doença autoimune que o obrigou a encerrar a carreira como jogador de futebol. Aos 48 anos, o ex-volante italiano contou que faz um tratamento diário contra a doença, que pode deixar pacientes paralisados em casos mais graves.

A revelação foi feita durante o Festival dello Sport, em Trento, na Itália. Gattuso contou que foi diagnosticado com miastenia ocular, uma forma da miastenia que afeta principalmente os músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos e das pálpebras. Ele tinha 34 anos na época do diagnóstico, o que acelerou seu processo de aposentadoria:

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Parei de jogar porque contraí uma doença autoimune, a miastenia ocular. Há 15 anos tomo cortisona. Se não tomo, tenho diplopia, ou seja, não consigo enxergar corretamente. Gennaro Gattuso - Ex-jogador italiano

Entenda os sintomas da miastenia ocular

A diplopia, problema citado por Gattuso, é um dos principais sintomas da miastenia ocular e provoca visão dupla, de forma que o portador da doença pode enxergar duas imagens de um mesmo objeto, que pode mudar de direção (horizontal, vertical ou oblíqua).

Em 2020, quando comandava o Napoli, Gattuso tornou público o problema depois de aparecer em partidas e entrevistas com um dos olhos coberto. Na ocasião, contou que sofria com a doença havia cerca de dez anos e que aquela era a terceira vez que enfrentava uma crise mais intensa.

Naquele período, o treinador relatou que tinha dificuldade para permanecer em pé e que enxergava tudo duplicado. O médico do Napoli explicou que a miastenia ocular afeta a musculatura dos olhos e pode provocar episódios de visão dupla e queda das pálpebras.

Conheça os outros sintomas:

  • Ptose palpebral: Queda de uma ou de ambas as pálpebras, que pode piorar ao longo do dia ou com o cansaço.
  • Visão embaçada ou turva: Dificuldade de foco e de manter os olhos abertos.
  • Estrabismo: Desalinhamento temporário dos olhos causado pela fraqueza muscular.
  • Sinal de Cogan: Retração rápida e breve da pálpebra superior quando o olhar volta de baixo para cima

Tratamento para a doença é feito de forma diária

Cinco anos depois de falar sobre o problema publicamente pela primeira vez, Gattuso afirmou que continua tomando cortisona diariamente para controlar os sintomas. Segundo o ex-jogador, o tratamento é necessário para evitar que a diplopia volte.

“Eu aceitei a doença, trabalho com ela, sou mais forte do que a doença. Mas isso tem um custo, porque tomar cortisona todos os dias não é fácil”, afirmou.

Gattuso também destacou que a condição pode ser incapacitante para algumas pessoas. “Há pessoas com a minha mesma doença que ficam quatro ou cinco meses na cama, porque não conseguem se mexer”, disse o italiano.

O italiano acrescentou que não consome bebidas alcoólicas há cerca sete anos. Isso porque o álcool atua diretamente no sistema nervoso e nos músculos, o que pode intensificar os sintomas visuais e interferir no tratamento da doença.

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Não há cura definitiva para a doença, mas tratamentos podem controlar os sintomas.

Gattuso teve uma carreira de sucesso

Gattuso começou a carreira profissional no Perugia, na década de 1990, e também defendeu Rangers, Salernitana, Milan e Sion.

Foi no Milan que viveu a maior parte de sua trajetória e conquistou dois títulos do Campeonato Italiano e duas Liga dos Campeões, além de outros troféus.

Pela seleção italiana, disputou cerca de uma década e foi titular na campanha que terminou com o título da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Transição para a carreira de treinador

Depois de abandonar os gramados, Gattuso iniciou a carreira como treinador. Passou por Sion, Palermo, OFI Creta, Pisa, Milan, Napoli, Fiorentina, Valencia, Olympique de Marselha e Hajduk Split.

Em 2025, assumiu o comando da seleção italiana, mas deixou o cargo após a equipe fracassar na tentativa de se classificar para a Copa do Mundo. Em junho deste ano, foi anunciado como novo técnico da Lazio.

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