Busca interna do iBahia
HOME > ESPORTES

EXCLUSIVO!

Mortes antes de BaVi travam plano de teste por volta da torcida mista

Violência no último BaVi torna inviável plano do MP para retorno da torcida mista

Téo Mazzoni
Por
Torcida do Vitória no Barradão no último clássico BaVi
Torcida do Vitória no Barradão no último clássico BaVi - Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

As duas mortes ocasionadas pela violência registrada antes do último BaVi, disputado no dia 23 de agosto, no Barradão, em Salvador (BA), fizeram o Ministério Público da Bahia (MP-BA) praticamente desistir de um plano para realizar um evento-teste para avaliar o retorno da torcida mista ao maior clássico do futebol baiano.

Em entrevista exclusiva ao portal A TARDE, a promotora de Justiça Thelma Leal revelou que o MP já conduzia um procedimento para classificar o grau de risco das partidas e estudava utilizar um BaVi em 2027 como experiência para reintroduzir as duas torcidas no estádio. No entanto, os confrontos entre integrantes de torcidas organizadas, que terminaram com duas vítimas fatais, mudaram completamente o panorama.

Tudo sobre Esportes em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.
A gente estava pensando, diante de um procedimento que temos em curso, que pretende estabelecer o grau de risco dos jogos, para que a gente pudesse realizar um evento-teste no ano que vem, mas, diante desses últimos fatos, fica muito difícil, para não dizer impossível Thelma Leal - promotora de Justiça da Bahia

O episódio acabou desencadeando uma resposta conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Militar da Bahia. Como consequência, foi determinada a suspensão, por seis meses, das atividades da Bamor, principal torcida organizada do Bahia, e da Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI), do Vitória, nos jogos dos clubes.

MP explica demora para anunciar punição

Embora os confrontos tenham ocorrido antes do BaVi do dia 23 de agosto, a punição só passou a vigorar nesta quinta-feira, 3, um dia após o Vitória enfrentar o Vasco, pela Copa do Brasil. Segundo Thelma Leal, o intervalo foi necessário para que houvesse uma análise detalhada do cenário de violência envolvendo torcidas organizadas no estado.

A promotora explicou que o Ministério Público realizou um levantamento dos episódios registrados desde o início do ano antes de definir, em conjunto com a Polícia Militar, qual seria a medida mais eficaz.

"Temos uma semana e meia do ocorrido. Foi o tempo de maturação, de analisar todo o cenário, inclusive com um levantamento de todos os episódios envolvendo torcidas organizadas desde janeiro, e decidimos, em conjunto com a Polícia Militar, essa sanção. Foi o tempo de haver uma maturação do que a gente efetivamente precisaria fazer para que surtisse um efeito mais imediato e houvesse uma punição à altura do que aconteceu", afirmou.

Além da análise técnica, Thelma afirmou que a data de início da punição também foi escolhida para evitar tratamento desigual entre os dois clubes.

"Na verdade, foi uma decisão porque a torcida do Bahia pode fazer sua festa no domingo (contra o Internacional). Então, por uma questão de igualdade, para que a gente não privilegiasse um e preterisse o outro, a gente decidiu que a punição ia começar a ter vigência a partir do dia 3 (quinta-feira)", destacou.

Suspensão atinge as organizadas, mas não impede entrada de integrantes nos estádios

A punição determinada pelo Ministério Público da Bahia e pela Polícia Militar tem como alvo as associações Bamor e Torcida Uniformizada Imbatíveis (TUI), e não um banimento coletivo de todos os seus integrantes dos estádios.

Na prática, a suspensão de seis meses impede a atuação institucional das organizadas em eventos esportivos de âmbito estadual, regional, nacional e internacional. Durante esse período, ficam proibidas manifestações que caracterizem a presença das torcidas, como o uso de faixas, cartazes, bandeiras, vestimentas que as identifiquem, outros elementos de identificação e instrumentos musicais.

Dessa forma, integrantes da Bamor e da TUI não estão automaticamente impedidos de assistir às partidas de Bahia e Vitória, desde que não sejam alvos de medidas restritivas individuais e não compareçam aos estádios portando materiais ou vestimentas que os identifiquem como membros das torcidas organizadas.

Segundo Thelma Leal, as sanções individuais aos envolvidos nos episódios de violência já vêm sendo aplicadas. Ela ressaltou, porém, que a dificuldade em identificar todos os participantes dos confrontos motivou a adoção de uma medida voltada às entidades.

"Isso já é feito. Os envolvidos nos incidentes já estão presos, os outros estão respondendo a processo e há, sim, a restrição daqueles que se envolvem em crimes e em atos infracionais. Aqueles que ficam proibidos de entrar no estádio. Recentemente, nós tivemos um levantamento de 60 e poucos torcedores que estavam proibidos de entrar no estádio e, durante os jogos, eles se recolhiam ao Comando [da Polícia Militar]. Então, isso também já é feito", pontuou.

Só que, diante da dificuldade de se identificar todos os envolvidos, a gente acha correta a punição, nesse momento, mais eficaz em relação ao CNPJ, ou seja, à organização, à associação. Thelma Leal - promotora de justiça
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

bavi Esporte Clube Bahia esporte clube vitória

Relacionadas

Mais lidas