VIOLÊNCIA
Mãe acusada de matar três filhos diz que foi guiada por voz masculina
Defesa sustenta que a mulher sofria de psicose pós-parto

Uma mãe acusada de matar os três filhos em 2023 dizia ter ouvido uma voz masculina que ordenava que ela matasse as crianças, segundo depoimentos apresentados nesta semana em seu julgamento, que começou há pouco mais de três semanas.
A norte-americana Lindsay Clancy, de 36 anos, teria matado os filhos Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses, em 24 de janeiro de 2023, na casa da família em Duxbury, Massachusetts, nos Estados Unidos. Ela se declarou inocente das três acusações de homicídio em primeiro grau.
O que diz a defesa
A defesa argumenta que a mulher sofria de psicose pós-parto e, por isso, não poderia ser responsabilizada criminalmente. Após matar os filhos, Clancy se feriu e tentou tirar a própria vida, episódio que a defesa tratou como uma tentativa de suicídio. Ela sobreviveu, mas ficou parcialmente paralisada.
De acordo com o depoimento dado pela pastora Sheila Cavanaughnesta quinta-feira, 20, a primeira frase dita por Clancy depois de ser retirada da ventilação mecânica, cerca de uma semana após os assassinatos, foi: “Estou tão feliz que meus filhos estão seguros”.
Segundo ela, Lindsay Clancy mencionou em outras conversas que ouvia uma voz masculina persistente. A voz, de acordo com o relato atribuído à ré, dizia que, caso ela não obedecesse à ordem, nem ela nem os filhos estariam seguros.
Psicólogo reforça versão
O psicólogo forense Paul Zeizel, que avaliou Clancy após os assassinatos, também afirmou nesta semana que ela relatou ter ouvido uma voz masculina ordenando que matasse os filhos e depois a si mesma. Segundo ele, Clancy contou que a voz dizia que ela não tinha escolha.
Em sua avaliação, o profissional destacou que a mulher “não conseguia adequar seu comportamento às regras da lei” e “não tinha consciência da ilicitude de seu ato”.
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O psicólogo também afirmou que Clancy relatava, nos meses anteriores aos assassinatos, sintomas como depressão, entorpecimento emocional e dificuldade de concentração, além de pensamentos suicidas e preocupações de que pudesse machucar os filhos.
De acordo com ele, a última vez que ela disse ter ouvido a voz foi justamente em 24 de janeiro de 2023. Desde então, não teria apresentado novas alucinações auditivas.
Promotoria nega alucinações
A promotoria, no entanto, sustenta que os assassinatos foram planejados e que Clancy agiu de maneira racional, tendo planejado matar as crianças em um momento em que o seu marido, Patrick Clancy, estivesse fora de casa.
Os acusadores também destacaram comportamentos apresentados por Clancy nas semanas que antecederam as mortes, como passeios em família e a construção de um boneco de neve com os filhos poucas horas antes dos assassinatos.Para a promotoria, essas atitudes não seriam compatíveis com um quadro de doença mental grave que a impedisse de compreender seus atos.
Se for condenada pelos três homicídios em primeiro grau, Clancy poderá ser sentenciada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.


