MAPEAMENTO
Cunhado de Vorcaro cita proximidade entre dono do Master e Moraes
Registros expõem rotina de Fabiano Zettel, operador financeiro e cunhado de Daniel Vorcaro



Fabiano Zettel, o operador financeiro e cunhado do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em áudios, citou a proximidade entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator dos atos de 8 de janeiro, afirmando que ambos mantinham convivência social próxima.
As investigações sobre o colapso do Banco Master ganharam novos contornos com a vinda à tona de um conjunto de mensagens interceptadas pela Polícia Federal e obtidas pela reportagem da Revista Piauí.
Os registros expõem a rotina de Zettel, em conversas mantidas com a ex-amante, identificada pelo nome fictício de Marina, e em diálogos diretos com o próprio empresário.
A documentação revela as engrenagens de um esquema de ocultação de patrimônio no exterior, o uso de fundos de investimento para pagamento de influências políticas e a derrocada da maior fraude bancária recente do país.
Mapeamento do escândalo
Em setembro do ano passado, Zettel externou apreensão quanto à decisão do Banco Central sobre a fusão do Master com o BRB, operação posteriormente negada. Em áudios, citou a proximidade entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator dos atos de 8 de janeiro, afirmando que ambos mantinham convivência social próxima.
Em meados de outubro, Zettel relatou viagem confidencial para ocultar ativos em jurisdições estrangeiras. A manobra tinha como objetivo garantir reservas financeiras caso ocorresse o bloqueio integral de bens da família no Brasil.
Horas antes da liquidação extrajudicial do banco, decretada em 18 de novembro, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos prestes a embarcar para Dubai. Na mesma data, tentava chancelar a venda da instituição ao Grupo Fictor — empresa sem aporte patrimonial compatível, mais tarde investigada por estrutura de pirâmide financeira.
Engenharia financeira
As trocas de mensagens obtidas pela perícia federal desenham a divisão de tarefas no núcleo operacional. Embora desdenhasse do comportamento do cunhado em diálogos privados com a amante, Zettel mantinha conduta de estrita subordinação ao ex-banqueiro, responsabilizando-se pela execução imediata de pagamentos e pela gestão de fundos sob investigação.
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Destino dos Recursos
- Repasses para projetos audiovisuais vinculados a parlamentares e financiamento de eventos internacionais para autoridades.
- Pagamentos a escritórios de advocacia, consultores e interlocutores do meio político.
- Gestão dos fundos Leal e Arleen, utilizados para aquisição de ativos imobiliários de alto padrão e custeio de serviços de monitoramento informático e coação.
- Repasses formais de R$ 2 milhões à campanha ao governo de SP e R$ 3 milhões à campanha presidencial em 2022.
"Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo."— Fabiano Zettel, em áudio gravado sobre a situação financeira do ex-banqueiro após o encerramento das operações.
Apesar da estimativa citada pelo operador em conversas privadas, as autoridades brasileiras conseguiram rastrear e bloquear até o momento cerca de R$ 2 bilhões em imóveis e ativos em território nacional para ressarcimento de credores.
Fundo paralelo
Em desdobramento recente, a liquidação da Titan Capital — holding do grupo sediada nas Ilhas Cayman — revelou passivos superiores a R$ 1 bilhão sem ativos disponíveis. Contudo, apurações de liquidantes identificaram a existência de um fundo paralelo não declarado no exterior, com patrimônio estimado na casa dos bilhões, vinculado a operadores que firmaram acordos de colaboração premiada.
Ambos os investigados voltaram a ser detidos em desdobramentos subsequentes das operações policiais. Atualmente, a defesa de Daniel Vorcaro busca a formalização de um acordo de delação premiada com os órgãos de persecução penal, enquanto a defesa de Fabiano Zettel não iniciou tratativas formais.
Procurados pela reportagem, os representantes legais de ambos os citados não se manifestaram sobre os fatos expostos.


