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Denúncia aponta fraude no Bolsa Família por mulher de vereador na Bahia

Acusada teria recebido R$ 22 mil em benefícios federais mesmo trabalhando na Prefeitura

Rodrigo Tardio
Por
Documento pede apuração conjunta das denúncias e auditoria ampla no CadÚnico de Acajutiba
Documento pede apuração conjunta das denúncias e auditoria ampla no CadÚnico de Acajutiba - Foto: Reprodução | Instagram
Eleições 2026

​O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado para investigar o recebimento indevido de benefícios sociais federais por Iasmine da Paixão dos Santos, esposa do vereador de Acajutiba Leonardo Carvalho Souza, conhecido como “Leo Motorista” (PSD).

O portal A TARDE teve acesso aos documentos da representação que apontam que Iasmine permaneceu cadastrada no novo Bolsa Família e no programa Gás do Povo, mesmo compondo um núcleo familiar com renda mensal estimada em mais de R$ 11,6 mil.

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​Entre janeiro de 2024 e junho de 2026, Iasmine teria recebido 31 parcelas ininterruptas do Bolsa Família, totalizando R$ 22.960,00 repassados pelo governo federal, além do benefício do Gás do Povo concedido em março deste ano.

Mulher de vereador ​manteve duplo vínculo em Acajutiba

​Dados extraídos das folhas de pagamento do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) mostram que Iasmine manteve vínculo empregatício com a Prefeitura de Acajutiba durante todo o período dos repasses.

Em 2024, atuou como assistente administrativa na Secretaria de Assistência Social — lotada justamente no CRAS, órgão encarregado do Cadastro Único (CadÚnico). Em 2025 e 2026, ocupou os cargos de facilitadora de oficina e auxiliar de classe, com salário de R$ 1.756,08 no último período.

​Já o parlamentar atuou como motorista do município até o fim de 2024 e, a partir de janeiro de 2025, assumiu o mandato na Câmara Municipal, com subsídio fixado em cerca de R$ 9.900,00 mensais.

Entenda a regra sobre liberação do Bolsa Família

​Para ter direito ao Bolsa Família, a regra exige renda per capita de até R$ 218,00. O salário de Iasmine, dividido pelos três dependentes informados ao cadastro, resulta em R$ 585 por pessoa — quase o triplo do teto.

Com o subsídio do vereador, a renda média da família alcança R$ 3.800,00 per capita, valor 17 vezes superior ao limite legal do programa.

​A representação destaca ainda divergências cadastrais. Embora o casamento seja público e o parlamentar exiba a união e os dois filhos em suas redes sociais, Leonardo declarou-se “solteiro” e “agricultor” à Justiça Eleitoral durante o registro de sua candidatura.

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​Reincidência

​Este é o segundo caso de estrutura idêntica denunciado no legislativo local. Em agosto, representação similar apontou que a esposa do vereador Anselmo Oliveira dos Santos também mantinha benefícios voltados à extrema pobreza enquanto recebia salários do município, figurando o vereador como solteiro perante a Justiça Eleitoral.

Diante da repetição do padrão, o documento pede a apuração conjunta das denúncias e uma auditoria ampla no CadÚnico de Acajutiba.

​Pedidos formais

​A denúncia solicita ao MPF a abertura imediata de procedimento investigatório, a requisição do histórico completo do CadÚnico com o Ministério do Desenvolvimento Social e à Caixa Econômica Federal, além da suspensão cautelar dos pagamentos.

Pede-se também a devolução integral dos valores cobrados indevidamente aos cofres públicos e a responsabilização da gestão municipal por eventual omissão na fiscalização do cadastro durante os 31 meses de repasses.

Caso constatadas irregularidades fora da alçada federal, o documento prevê o envio do caso ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e ao TCM-BA.

A reportagemdp procurou, tanto o vereador quanto a Prefeitura de Acajutiba, e aguarda resposta aos questionamentos.

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