APREENSÃO
Fecomércio-BA vê com preocupação tarifaço de Trump ao Brasil
Kelsor Fernandes defende que Brasil diversifique parceiros comerciais para reduzir dependência


O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras acendeu o sinal de alerta no setor produtivo nacional.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Kelsor Fernandes, manifestou forte preocupação com a medida econômica e classificou a nova alíquota como "absurda", sinalizando que a decisão possui contornos de perseguição política.
Para o líder empresarial, a postura ignora o histórico de cooperação mútua construído entre os dois países ao longo das últimas décadas.
"Infelizmente, mais uma vez, os americanos aplicam sobre o Brasil uma taxa absurda, um país amigo com relações comerciais seculares. Talvez por uma vertente política, estamos sendo penalizados", lamentou Fernandes.
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Efeito bumerangue
O dirigente alertou que o protecionismo da Casa Branca vai ter um efeito bumerangue, atingindo diretamente o bolso do próprio cidadão norte-americano ao inflacionar o mercado interno.
"Os EUA esquecem que, na verdade, estão penalizando também a própria população deles. Quando eles taxam os produtos brasileiros que são importados para consumo nos Estados Unidos, os produtos vão ficar mais caros."
Fernandes também elevou o tom das críticas à postura geopolítica global de Washington, associando o uso do poderio bélico e econômico a uma conduta impositiva.
"Os Estados Unidos infelizmente têm sido um algoz para o mundo. Eles são uma potência militar gigantesca e acham que podem mandar em qualquer país do mundo, ou seja, prejudicando todo mundo."
Diversificação
Apesar do cenário adverso a curto prazo, a avaliação da Fecomércio é de que o episódio deve servir de lição para a diplomacia e para o comércio exterior brasileiro. A recomendação é acelerar a abertura de novas frentes de exportação. "O Brasil também tem que aprender com isso, de diversificar mais os parceiros comerciais para não depender tanto dos Estados Unidos", cobrou.
Fernandes demonstrou otimismo em relação à capacidade de resiliência e readaptação da economia nacional, destacando o peso do país no abastecimento global de suprimentos.
"Nós sempre encontramos outros caminhos para vender nossos produtos. Somos os maiores produtores de alimentos do mundo e os países todos querem comprar de nós. Não são os Estados Unidos que vão prejudicar. Nós vamos sofrer um pouco, mas vamos nos adaptar e vamos vender para outros países", assegurou o presidente da entidade.
O líder empresarial concluiu manifestando a expectativa de que o corpo diplomático e os negociadores consigam reverter a taxação unilateral, projetando uma mudança de postura em futuras gestões na Casa Branca.
"Espero que o próximo governo americano que vier reveja esses absurdos que são praticados pelo atual", finalizou.


