Busca interna do iBahia
HOME > SAÚDE

DIA MUDIAL DE COMBATE AO AVC

Alerta de AVC: histórias reais mostram que a doença não escolhe idade

Caso alerta para a ocorrência da doença mesmo entre pessoas jovens e sem fatores de risco conhecidos

Andrêzza Moura
Por
| Atualizada em
Ilustrativa
Ilustrativa - Foto: Maginific

Em 25 de dezembro de 2021, a avó da analista de atendimento Beatriz Nascimento, dona Anete Nascimento, à época, com 65 anos, teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Neste dia, a senhora tinha acordado com dor de cabeça, mas não deu atenção, afinal, era Natal e ela precisava ajudar na organização da festa da família.

"No dia que ocorreu, ela acordou com dor de cabeça e formigamento na perna. Relatava que parecia uma sensação de ressaca, só que nada demais. Passou o dia tranquila porque Natal e, a noite, quando já estava indo dormir, se engasgou e tossiu muito forte, nessa tosse ela já não teve mais reação. Ficou parada sem reação e a única coisa que fez foi vomitar, depois disso, desmaiou", lembrou Beatriz.

Tudo sobre Saúde em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

De acordo com ela, a avó era bastante ativa e saudável e tinha o costume de cuidar da saúde. "Ela não tinha nenhuma doença que alarmasse o acidente, sempre fazia exames, mesmo sem sentir nada, e não tinha nada aparentemente. Na família, não tem histórico de AVC, ela foi a primeira", explicou a neta, revelando que, durante um exame de tomografia apareceu uma mancha no cérebro, mas a médica disse que estava tudo normal.

Dona Anete e a neta, Beatriz
Dona Anete e a neta, Beatriz - Foto: Arquivo pessoal

Depois de passar meses internada, dona Anete se recuperou, mas, hoje, convive com as sequelas da doença e precisa fazer acompanhamento especializado e uso de medicamento para dormir.

"Ela perdeu o movimento de todo lado esquerdo e perdeu a fala, mas ela é bem lúcida, senta, come sozinha com o lado ativo. Ela faz uso de anticonvulsivo, mas no começo tomou anticoagulante. e continua tomando remédio que ela já tomava antes pra dormir. Também faz fisioterapia, fonoaudióloga e neurologia e acompanhamento médico de rotina", conclui Beatriz.

O Portal Transparência do Centro de Registro Civil (CRC) do Brasil, com base nos dados dos atestados de óbitos brasileiros, revelou que a mortalidade por AVC no país continua ultrapassando a de infarto. Em 2021, foram quase 88 mil ocorrências.

AVC entre jovens

Neste 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC, o World Stroke Organization (WSO) - organização mundial dedicada ao AVC - alerta, por meio da campanha "Cada Minuto Conta", para o aumento de casos e internações pela doença entre adultos e jovens. A intenção busca desmistificar a ideia de que o AVC afeta apenas pessoas idosas.

Exemplo disso é o caso da médica Marina Ribeiro Dourado, de 31 anos. Há 11, ela sofreu um AVC enquanto malhava na academia.

“Eu tinha 19 anos, na época já estava no primeiro ano da faculdade de Medicina. Em uma quinta-feira comum, dia 18 de junho de 2015, eu fazia musculação diariamente. Nesse dia, fiz um agachamento com uma barra guiada com um peso baixo, 10 kg, 5 kg de cada lado. Comecei a sentir uma dor de cabeça muito forte, senti um pouco de enjoo. achei que era um mal-estar comum, uma hipoglicemia”, relembra.

A médica Marina Dourado teve AVC quando tinha 19 anos, enquanto treinava na academia
A médica Marina Dourado teve AVC quando tinha 19 anos, enquanto treinava na academia - Foto: Arquivo pessoal

Marina contou que foi o instrutor da academia que percebeu que ela estava infartando. Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados e a levaram para uma unidade de saúde, onde foi constatada a doença.

"Fiz exame, identificaram que era um AVC isquêmico, muito grave, já estava tomando grande parte do meu cérebro. Na investigação, eles descobriram que a causa do AVC foi uma dissecção arterial de carótida. A barra do agachamento pressionou minha artéria cervical, que pressionou minha artéria que leva sangue para o cérebro e se rompeu. Nisso que rompeu, formou um trombo, que foi para o meu cérebro e ocluiu o vaso cerebral provocando um AVC isquêmico", esclarece a médica.

Marina afirma que seu caso não é isolado e que o AVC em pessoas jovens é mais comum do que se imagina. Quando sofreu o episódio, ela mantinha uma vida saudável e não apresentava fatores de risco conhecidos.

"Nunca tive colesterol alto, pressão alta, nenhuma outra comorbidade que justificasse as causas comuns de AVC. Ele paralisou todo o lado esquerdo do meu corpo, depois da internação, saí de cadeira de rodas, depois de um tempo, passei para muleta, fui voltando aos poucos com a fisioterapia os movimentos", conclui a médica.

Hoje, mesmo com o braço esquerdo ainda um pouco paralisado, Marina diz que já consegue andar sozinha sem auxílio de muletas, não ficou com sequelas na fala e tem uma vida normal, inclusive, atualmente, faz residência médica em psiquiatria.

AVC em números

Dados do Cardiômetro, - ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que passa a integrar o novo Hub de Doenças Cardiovasculares - plataforma lançada pela entidade em parceria com a World Heart Federation (WHF).-, revelou que até o último dia 16 de outubro, o número acumulado de óbitos em 2026 era de 318.945.

O número representa uma média diária de 1.194 mortes, cerca de 50 óbitos por hora. O levantamento diz ainda que a cada 72 segundos, uma pessoa morre por doença cardiovascular no país.

O primeiro Boletim Epidemiológico da SBAVC divulgado neste mês de outubro aponta que, em 2025, a região nordeste registrou 29.699 mil mortes decorrentes de AVC. Deste total, 8.136 aconteceram na Bahia.

O levantamento revelou ainda que a região nordeste, no ano de referência, figurou em 2º lugar, ficando atrás apenas do sudeste. A Bahia aparece na 4ª colocação, atrás de São Paulo, com 22.731 mil mortes, Rio de Janeiro, com 10.290 mil óbitos, e Minas Gerais, com 9.956 mil mortes. No ano, foram registrados em todo o Brasil 106.084 óbitos decorrentes de doenças cerebrovasculares.

O que dizem os especialistas

O médico Marco Heleno, neurologista e neurorradiologista intervencionista do Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), esclarece que o AVC pode ocorrer de duas formas: isquêmico - quando o vaso sanguíneo é obstruído e o sangue fica impedido de chegar ao cérebro - ou hemorrágico - quando há um sangramento provocado pelo rompimento de um vaso.

Ele chama a atenção para a importância do reconhecimento precoce dos sintomas, do diagnóstico em tempo hábil e dos avanços tecnológicos que ampliam as possibilidades de tratamento da doença. Neste contexto, ele afirma que a classificação do tipo de AVC depende de exames de imagem, procedimento decisivo na definição do tratamento a ser adotado.

“A tomografia computadorizada, dentre outros exames de imagem, é utilizada na avaliação e identificação do tipo de AVC, bem como na identificação de possíveis alterações. Já a angiografia cerebral por cateter, realizada em ambiente de hemodinâmica ou neurorradiologia intervencionista permite visualizar detalhadamente os vasos sanguíneos e pode integrar procedimentos terapêuticos específicos”, explica.

Leia Também:

INVESTIMENTO ESTADUAL

Hospital da Mulher de Salvador recebe R$ 29 milhões para ampliação
Hospital da Mulher de Salvador recebe R$ 29 milhões para ampliação imagem

ALERTA!

Brasil identifica caso de doença grave causada por frango
Brasil identifica caso de doença grave causada por frango imagem

VIDA FITNESS

Treina e não cresce? Médica revela 5 erros que travam o ganho de massa muscular
Treina e não cresce? Médica revela 5 erros que travam o ganho de massa muscular imagem

O neurorradiologia intervencionista destaca que, além do reconhecimento rápido dos sintomas, os avanços tecnológicos têm contribuído para o diagnóstico e o tratamento do AVC, ampliando as possibilidades de intervenção e reduzindo o risco de sequelas. Entre os recursos está o angiógrafo, equipamento de hemodinâmica considerado o mais moderno da Bahia.

“É importante que as pessoas saibam que existem tratamentos cada vez mais sofisticados, mas também compreendam que muitos fatores de risco podem ser controlados. Cuidar da pressão arterial, acompanhar a saúde do coração, controlar o diabetes e abandonar o cigarro são atitudes que ajudam a evitar emergências que podem transformar completamente a vida de uma família”, finaliza o médico, ao reforçar a importância da prevenção e do controle dos fatores de risco para evitar o AVC e suas complicações.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

AVC hemorrágico AVC isquêmico Saúde

Relacionadas

Mais lidas