Busca interna do iBahia
HOME > CIÊNCIA & TECNOLOGIA

ALERTA DIGITAL

Se o aplicativo é gratuito, saiba que o preço cobrado são os seus dados

Especialistas da Safernet e Senai explicam como algoritmos rastreiam seus hábitos

Ana Cristina Pereira
Por Ana Cristina Pereira
Apps coletam dados dos usuários e exigem atenção às permissões e à segurança
Apps coletam dados dos usuários e exigem atenção às permissões e à segurança - Foto: Joá Souza / Ag. A TARDE

Será que você é uma das 1,2 milhões de pessoas que tiveram os dados cadastrais vazados no iFood? Ou está entre as 500 mil que utilizaram as unidades administradas pelo Instituto Saúde e Cidadania (Isac), que tiveram informações sensíveis acessadas por invasores?

Os casos recentes, tornados públicos no último mês, exemplificam bem os riscos que corremos ao usar sites, aplicativos e redes sociais, e chamam atenção para a necessidade de redobrarmos a proteção com nossas informações.

Em comunicado, a plataforma de entregas de alimentos assumiu o vazamento, dizendo que ele afetou 2% de seus usuários — que tiveram nomes, CPFs, endereços e telefones expostos, mas que informações sobre senhas, contas e pagamentos foram preservadas.

A empresa garantiu que se tratou de uma situação pontual, acontecida em dezembro do ano passado e que atua em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Mas alertou os usuários para desconfiar de qualquer solicitação feita em seu nome, já que não envia comunicados, por nenhum meio eletrônico.

Tudo sobre Ciência & Tecnologia em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Processo de sanção contra o Instituto Isac na Bahia

No caso do Isac, que responde pela gestão de unidades públicas de saúde em sete estados — incluindo a Bahia — a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) instaurou um processo de sanção por falhas na proteção de dados considerados sensíveis, na comunicação às vítimas e na adoção de medidas de segurança.

Apesar do próprio instituto ter comunicado o vazamento, a agência está investigando se as medidas adotadas foram satisfatórias para proteger os cidadãos, conforme determina a legislação, e se cabe punições. Além de dados pessoais, os invasores tiveram acesso a relatórios de saúde com prontuários, diagnósticos e prescrições médicas.

O valor invisível da captura de dados na internet

Dados pessoais e bancários estão entre os mais visados por hackers e criminosos, usados para aplicar golpes em empresas e cidadãos, mas também podem ser divulgados por negligência ou falha nos sistemas de segurança dos sites e aplicativos.

“Informações pessoais se tornaram muito valiosas, mas atualmente quase toda interação digital que fazemos gera captura de dados, mesmo que a gente não forneça eles diretamente”, afirma Elba Vieira, especialista em privacidade e segurança da informação do Senai-Cimatec.

Elba explica que nossos hábitos de navegação, pesquisas realizadas ou o tempo que dispensamos a determinados conteúdos nas redes sociais vão ser utilizadas para personalizar a experiência do usuário e fazer ofertas que passarão insistentemente pelo nosso feed ou invadirão tudo que acessamos.

“Quanto mais vídeos de gatinhos assistimos, mais o algoritmo entende que gostamos e vai nos oferecer mais”, ilustra a especialista, acrescentando que a lógica vale para plataformas de streaming, site de compras e afins.

Se o serviço é gratuito, o produto é o seu dado

A questão se torna mais complexa, na avaliação de Bianca Orrico, psicóloga da Safernet Brasil, porque a maioria das pessoas não tem clareza sobre a extensão destas coletas nem sobre como essas informações podem ser compartilhadas comercialmente ou utilizadas para traçar perfis detalhados de comportamento.

“Por isso, é fundamental ler as políticas de privacidade, revisar as permissões concedidas aos aplicativos e entender que, muitas vezes, quando um serviço é gratuito, nossos dados fazem parte do modelo de negócio”, afirma.

Leia Também:

INOVAÇÃO GLOBAL

Caminhões sem motorista e IA: a nova arma da ONU para salvar vidas em guerras
Caminhões sem motorista e IA: a nova arma da ONU para salvar vidas em guerras imagem

TECNOLOGIA

Meta AI pode usar suas fotos do Instagram para gerar imagens; veja como desativar
Meta AI pode usar suas fotos do Instagram para gerar imagens; veja como desativar imagem

REVÉS NA JUSTIÇA

Apple perde recurso contra lei que endurece regras a big techs
Apple perde recurso contra lei que endurece regras a big techs imagem

Proteção Legal: Os seus direitos garantidos pela LGPD

Mas mesmo que o cidadão faça a sua parte, ele pode estar sujeito aos muitos perigos virtuais. Em vigor desde 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados criou uma série de regras para aumentar a proteção dos nossos direitos fundamentais. E também para responsabilizar empresas e garantir o ressarcimento de prejuízos financeiros.

Segundo Bianca, a lei é um marco importante, já que determina como empresas e organizações podem coletar, armazenar, utilizar e compartilhar dados pessoais, exigindo transparência, finalidade específica e responsabilidade no tratamento dessas informações.

“Na prática, a LGPD fortalece o direito das pessoas de saber quais dados estão sendo coletados, solicitar correções, pedir a exclusão de informações em determinadas situações e revogar consentimentos concedidos anteriormente”, afirma Bianca.

Ela acrescenta que a legislação também incentiva organizações a adotarem melhores práticas de segurança da informação, reduzindo riscos de vazamentos e usos indevidos de dados pessoais.

“Em um cenário em que nossas atividades cotidianas acontecem cada vez mais no ambiente digital, a LGPD contribui para a proteção dos nossos direitos fundamentais”, afirma a técnica da SaferNet.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

privacidade dados redes sociais tecnologia vazamento de dados

Relacionadas

Mais lidas