ANÁLISE
Fracasso do Brasil na Copa não foi surpresa; falta craque no meio-campo
Ex-jogador analisa eliminação para a Noruega, critica Ancelotti e aponta interferência de Trump


A Argentina perdia por 2x0, não se afobou, continuou trocando passes no meio campo e no final, comandado por Messi, virou o jogo e ganhou do Egito por 3x2. Messi fez um gol e deu passe para outro. Enzo marcou o da vitória. Quando terminou a partida, Messi chorou copiosamente como um garoto que estreava no mundial.
A decisão da FIFA, durante a Copa do Mundo, de mudar a regra, acabar com a suspensão automática no jogo seguinte após uma expulsão, foi absurda. Beneficiou os EUA que escalou seu melhor jogador contra a Bélgica. Trump pediu e o presidente da FIFA aceitou. A Bélgica protestou antes do jogo, ficou mais aguerrida e goleou os EUA por 4x1.
A crise do futebol brasileiro
- Fim do fator "surpresa": A Seleção hoje joga no limite e pode perder para equipes do segundo escalão mundial.
- Erros táticos de Ancelotti: A opção por marcar recuado e o erro ao deslocar Endrick para a ponta direita no segundo tempo desidrataram a força ofensiva brasileira.
- Apagão na posse de bola: O Brasil assistiu passivamente ao domínio norueguês no meio-campo, terminando a partida com apenas um terço de posse de bola.
- Escassez de camisas 10: O país focou na formação exclusiva de pontas velozes e esqueceu de revelar meio-campistas pensadores, o oposto do modelo vencedor da Europa.
A crônica de um fracasso anunciado na Copa do Mundo
Após a eliminação do Brasil, escrevi uma coluna com o título: “A crônica de um fracasso inesperado”. Retiro a palavra inesperado. Não foi surpresa. O Brasil, mesmo contra seleções que não são candidatas ao título, como Noruega, Japão, Marrocos e outras, estará, com frequência, próximo da vitória e da derrota.
O Brasil foi derrotado por inúmeros fatores. Pelos detalhes, como no pênalti e em outros gols perdidos, pela qualidade individual e coletiva da Noruega, pela estratégia de Ancelotti de marcar mais atrás e contra-atacar, como se o Brasil enfrentasse a França e pelas alterações equivocadas no segundo tempo quando deslocou Endrick para a direita. Ele perdeu uma grande chance pelo centro, mas, provavelmente, teria outra clara oportunidade se continuasse na posição.
A estratégia passiva de Ancelotti e o sumiço do meio-campo
Ancelotti, na sua carreira, nunca se entusiasmou com a marcação por pressão no campo do adversário. Preferiu sempre inicia-la no meio campo ou na própria intermediaria para contra-atacar, ainda mais com atacantes hábeis e velozes como Vinicius Junior.
Porém, independentemente de onde começa a marcação, é fundamental pressionar para recuperar a bola, o que não ocorreu contra a Noruega. O Brasil assistiu a Odegaard e Berg tomarem conta do jogo. O Brasil teve um terço de posse da bola.
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Se o Brasil tivesse feito o gol de pênalti e aproveitado outra clara chance no primeiro tempo, poderia golear e todos exaltariam a estratégia de Ancelotti. O futebol não tem se, mas o se ajuda a entender o futebol.
O Brasil perdeu também por muitos outros fatores conhecidos e desconhecidos. No futebol moderno, não há mais motivo para dividir o meio campo entre os volantes que marcam e o meia que avança (camisas 5, 8 e 10). Falta a seleção um craque no meio campo, pois o Brasil só se preocupa em formar pontas e atacantes. A imprensa colabora ao exaltar somente os artilheiros.
O exemplo da Europa e o reflexo dos problemas sociais
No confronto entre os maiores meio-campistas do futebol mundial, que gostam de ficar com a bola, a Espanha, merecidamente, ganhou de Portugal por 1x0. Rodri é o elo, o pêndulo, o condutor do time espanhol, pois inicia as jogadas, de um lado e de outro, com precisos passes.
Outro motivo da sequencia de eliminações do Brasil nos mundiais é o crescimento do futebol em todo o mundo, devido à globalização, ao grande desenvolvimento cientifico e tecnológico e a evolução da qualidade individual e das estratégias de jogo.
Além disso, segundo as pesquisas, os profissionais de outros países, de quase todas as atividades, possuem, na média, produtividades superiores aos do Brasil. O mesmo deve ocorrer no futebol.
Nas últimas décadas, o Brasil tem sido um fracasso, pela incapacidade de resolver ou mesmo diminuir bastante os graves problemas sociais, de criminalidade, de corrupção e de educação. O fracasso continua no futebol.


