NO FIM DAS CONTAS
Paga tarifa ao banco todo mês? Talvez você não precise
Cobrança mensal pode passar despercebida, mas pesa no longo prazo.


O pacote de serviço bancário talvez não esteja no topo da sua lista de gastos para revisar. Afinal, R$ 25, R$ 35 ou R$ 45 por mês podem passar quase despercebidos no meio de tantas movimentações.
Mas sabe aquele final de semana na Linha Verde que você sempre comenta e nunca vai? Rever despesas que já entraram no automático pode deixá-lo mais perto. Uma pessoa que paga R$ 35 por mês em um pacote bancário desembolsa mais de R$ 400 por ano.
O objetivo desta coluna é te ajudar a saber pelo que está pagando ao banco todos os meses e, principalmente, se precisa mesmo pagar.
Você não é obrigado a contratar um pacote bancário
Ter uma conta corrente não significa ser obrigado a pagar mensalmente por uma cesta de serviços. De acordo com o Banco Central, a contratação de um pacote é opcional.
O cliente pode utilizar os serviços essenciais gratuitos e pagar individualmente quando usar alguma operação tarifada fora desses limites. Não existe “mensalidade obrigatória” para ter uma conta.
H2 - Quais serviços bancários são gratuitos?
Para contas correntes de pessoas físicas, o Banco Central estabelece uma cesta de serviços essenciais que não pode ser tarifada.
Entre os serviços que devem ser disponibilizados gratuitamente para titulares de contas correntes estão:
- Cartão com função débito;
- Realização de até quatro saques por mês em guichê de caixa, inclusive por meio de cheque ou de cheque avulso, ou em terminal de autoatendimento;
- Realização de até duas transferências por mês entre contas na própria instituição;
- Solicitar até dois extratos por mês contendo a movimentação dos últimos trinta dias por meio de guichê de caixa e/ou terminal de autoatendimento; e
- Compensação de cheques ilimitados no mês.
Já os titulares de contas poupança podem contar com serviços como:
- Cartão para movimentar a conta (fazer compras no débito, sacar dinheiro em caixa eletrônico e consultar saldos e extratos em terminais de autoatendimento);
- Realizar até dois saques por mês em guichê de caixa ou em terminal de autoatendimento;
- Fazer até duas transferências para conta de depósito de mesma titularidade; e
- Solicitar até dois extratos por mês contendo a movimentação dos últimos trinta dias.
Se o cliente ultrapassar as quantidades previstas na cesta essencial ou utilizar outros serviços tarifáveis, pode haver cobrança. Nesse caso, o Banco Central explica que existem duas possibilidades: pagar individualmente pelos serviços excedentes ou contratar um pacote que reúna determinado conjunto de operações.
Quando contratar um pacote de serviço bancário vale a pena?
Pagar uma tarifa bancária não significa, necessariamente, jogar dinheiro fora. Tudo depende de quanto você realmente usa os serviços incluídos no pacote.
Imagine que você faça saques, transferências ou outras operações além do que está disponível gratuitamente. Se pagar por cada um deles separadamente sair mais caro do que manter o pacote, a mensalidade pode compensar.
Para tomar a decisão, vale revisitar a sua movimentação bancária dos últimos três meses. Depois, consulte no banco quais serviços fazem parte dele e compare com o seu uso real.
A conta que deve fazer: custo do pacote mensal × 12 = custo anual
Depois compare esse resultado com quanto teria sido gasto utilizando apenas os serviços essenciais gratuitos e pagando separadamente por eventuais operações adicionais.
Por exemplo:
- Pacote: R$ 45 por mês
- Custo anual: R$ 540
Se, durante os últimos meses, praticamente toda a movimentação ficou dentro da cesta gratuita e não houve utilização relevante dos serviços extras, aqueles R$ 540 poderiam ser direcionados para outra coisa.
Em 5 anos, esse custo representa R$ 2.700 saindo do bolso.
Outra dica interessante é consultar a base pública do Banco Central, que disponibiliza as tarifas informadas pelas instituições financeiras. Com essas informações em mãos, é possível comparar preços e serviços e até escolher outra instituição financeira.
Leia Também:
Posso cancelar o pacote e continuar com a mesma conta?
A regulamentação do Banco Central estabelece que, se o cliente optar por um pacote de serviços, o cancelamento pode ser solicitado a qualquer momento.
O cliente pode permanecer com os serviços essenciais gratuitos e, quando precisar de uma operação que exceda os limites ou não esteja incluída nessa cesta, pagar a tarifa correspondente — desde que aquele serviço seja tarifável.
Antes de cancelar a sua cesta, recomendo que descubra:
- quanto o pacote custa por mês e por ano;
- quais serviços estão incluídos;
- quais deles realmente foram usados nos últimos três meses;
- quanto custaria pagar separadamente pelas operações que excedem os serviços gratuitos.
Se o pacote continuar compensando, a tarifa deixou de ser uma despesa esquecida e passou a ser uma escolha consciente. Se não compensar, há espaço para cancelar, migrar para uma cesta menor ou negociar com a instituição.
Também é possível entrar em contato com o banco para descobrir se existe uma cesta mais barata que atende ao seu perfil de uso.
Entenda o impacto das tarifas de pacote de serviço bancário no orçamento
O problema não é pagar R$ 35 por mês, mas sim passar cinco anos pagando por uma coisa sem nunca mais perguntar se aquilo ainda faz sentido.
Uma pessoa pode ter feito uma conta há vários anos e contratado um pacote de serviços. Na época, talvez usasse caixas eletrônicos com frequência, imprimisse extratos, realizasse transferências ou precisasse de operações que faziam o pacote ter utilidade. Porém, hoje faz a maioria das movimentações pelo próprio celular.
Nesse caso, o impacto de não revisitar o custo pode pesar. Para se ter uma ideia, observe na tabela abaixo como fica o gasto acumulado.

Os valores são apenas uma simulação e consideram uma tarifa constante durante todo o período. Ainda assim, servem para mostrar um fenômeno comum das finanças pessoais: uma despesa pequena e recorrente pode ganhar outra dimensão quando é anualizada.
Caso o banco fizesse uma única cobrança de R$ 420 no início do ano e pedisse sua autorização para renovar o plano, essa decisão certamente receberia muito mais atenção do que pequenos descontos mensais.


