DÍVIDA BILIONÁRIA
Recuperação judicial da Braskem blinda acordos de funcionários e clientes
A Petroquímica protocolou o pedido na segunda-feira, 24, para resstruturar dívida de R$ 56 bilhões


A Braskem, uma das maiores companhias petroquímicas de atuação global, protocolou o pedido de recuperação extrajudicial da empresa e de certas controladas por uma dívida milionária de US$ 10,9 bilhões, cerca de R$ 56,5 bilhões, em real.
O anúncio foi feito na segunda-feira, 24, por meio de fato relevante aos acionistas e ao mercado em geral.
O pedido envolve a Braskem S.A. e mais cinco sociedades estrangeiras do grupo, entre elas:
- Braskem Netherlands B.V.;
- Braskem Netherlands Inc. B.V.;
- Braskem Trading & Shipping B.V.;
- Braskem Netherlands Finance B.V; e
- Braskem America Finance Company.
Com o pedido de recuperação extrajudicial, a empresa precisará negociar com os credores a fim de ampliar o apoio ao plano de reestruturação da companhia. A petroquímica terá três meses para apresentar plano de negócios atualizado e proposta detalhada aos credores, realizar reuniões com executivos, acionistas e credores e buscar acordo com as principais condições comerciais.
Segundo a Braskem, os parâmetros do plano de reestruturação incluem, entre outros, o aditamento e alongamento das obrigações e vencimento dos Créditos Sujeitos, incluindo a capitalização de juros durante certo período a ser definido (período de relief), considerando a reestruturação operacional da companhia e as necessidades de capital e liquidez das devedoras.
"O plano é um avanço significativo para a companhia objetivando uma estrutura de capital sustentável de longo prazo das Devedoras e reflete o objetivo comum da companhia e dos seus principais stakeholders de alcançar uma reestruturação consensual conforme os parâmetros de negociação acordados com os Credores Signatários", disse em comunicado.
Além dos R$ 56,5 bilhões de créditos sujeitos à reestruturação, a companhia informou ainda mais R$ 130,5 bilhões de dívidas intercompanycontraídas das outras empresas do mesmo grupo, o que representa um passivo total de R$ 187 bilhões.
O que envolve a recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar suas dívidas diretamente com os credores e, posteriormente, levar o acordo à Justiça para aprovação.
Após o pedido, a petroquímica tem 90 dias de proteção, em que os credores abrangidos pelo plano não poderão cobrar judicialmente essas dívidas nem adotar determinadas medidas contra os ativos das empresas.
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Os credores representam 39,6% dos créditos incluídos na reestruturação — percentual acima do mínimo de um terço exigido para o protocolo da recuperação extrajudicial.
Recuperação não prevê mudanças na companhia
Apesar do montante bilionário, o pedido da recuperação extrajudicial não interfere nas obrigações da companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, “as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos”.
A petroquímica havia iniciado mediação com seus principais credores em junho de 2026, processo durante o qual conseguiu tutela cautelar antecedente para suspender as execuções referentes aos créditos sujeitos à mediação.
O plano da Braskem prevê um aporte de US$ 476 milhões (R$ 2,427 bilhões) da companhia para manter o controle da subsidiária mexicana.
O que motivou a crise no Braskem?
A decisão é resultado da combinação de diferentes pressões financeiras enfrentadas pela companhia e pelo setor petroquímico nos últimos anos. O excesso de oferta global, margens menores e demanda mais fraca foram alguns dos fatores responsáveis que levaram a empresa a protocolar o pedido.
A expansão da capacidade industrial da China fez com que mais produtos ficassem disponíveis, levando a queda nos preços e perda no consumo em diferentes regiões.
No fim de 2025, a dívida da Braskem, já descontado o dinheiro disponível em caixa, somava US$ 7,5 bilhões (R$ 38,25 bilhões). A relação entre a dívida e a geração de caixa chegou a 14,7 vezes.
O alto custo também está relacionado ao desembolso da companhia em recursos para indenizações, auxílios e realocação de moradores e comerciantes de Maceió após o afundamento do solo causado pela extração de sal-gema em 2018.
A Braskem já desembolsou mais de R$ 4,2 bilhões nessas medidas e mantém R$ 3,24 bilhões reservados no balanço para custos futuros relacionados ao desastre e às ações de reparação.


