ELEIÇÕES 2026
Lula x Flávio Bolsonaro: o que muda no 2º turno e como será a disputa pelos votos
Com diferença de 1,87 ponto no 1º turno, candidatos terão debates diretos na reta final



O segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) começa com uma disputa apertada. Os dois saíram do primeiro turno separados por 1,87 ponto percentual: Flávio teve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16%.
Com uma diferença inferior a dois pontos, as campanhas passam a disputar não apenas os votos dos eleitores que ainda não se definiram, mas também os votos destinados aos candidatos derrotados no primeiro turno.
A mudança também aparece na estratégia de comunicação. Se na primeira etapa da eleição Lula e Flávio não participaram de debates eleitorais, agora os dois já confirmaram que participarão de encontros promovidos por emissoras.
A avaliação nas duas campanhas é de que os debates podem ampliar o alcance dos candidatos para além das respectivas bases de apoio.
Com apenas dois nomes na disputa, o espaço também passa a ser usado para comparar diretamente propostas, resultados e posicionamentos sobre temas de interesse público.
Um contra um exige mais preparação
Com a saída dos candidatos derrotados, os debates passam a ter um confronto direto entre Lula e Flávio.
A mudança exige uma preparação mais específica porque cada resposta, ataque e proposta passa a ser direcionado diretamente ao adversário.
Nesse cenário, as campanhas precisam definir com antecedência quais temas serão explorados, quais argumentos serão usados para atacar o adversário e como responder a eventuais questionamentos.
Também é necessário alinhar o discurso que será apresentado nos debates com a estratégia de comunicação já adotada nas propagandas eleitorais, nas redes sociais e nos eventos de campanha.
Os nomes que comandarão as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula
Na campanha de Flávio, o coordenador estratégico, senador Rogério Marinho, deve assumir o controle da preparação do candidato.

Lula, por sua vez, deve ser preparado pelo núcleo de comunicação chefiado pelo publicitário baiano Raul Rabelo, que atua em parceria com Sidônio Palmeira, atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

Após Lula ficar atrás de Flávio no primeiro turno, circulou nos bastidores a possibilidade de Raul Rabelo ser substituído pelo publicitário João Santana, que liderou campanhas vitoriosas do PT em 2006 e 2010.
Até o momento, essa mudança não foi confirmada pela campanha.
As narrativas que devem dominar os debates
A expectativa é que Lula use os debates para questionar Flávio sobre suspeitas que o envolvem, especialmente as relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O petista também deve explorar os resultados negativos atribuídos ao governo Bolsonaro e associar Flávio à continuidade do projeto político do pai.
Nas redes sociais, essa estratégia já aparece em conteúdos que afirmam que Jair Bolsonaro prejudicou benefícios populares.
Flávio, por sua vez, deve usar os debates para comparar diretamente os programas de governo e os resultados das duas forças políticas, confrontando a atual gestão com o legado do grupo político ao qual pertence.
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Como ficam os votos dados aos candidatos derrotados?
Com Lula e Flávio confirmados no segundo turno, os votos conquistados pelos demais candidatos que saíram derrotados no primeiro turno voltam ao centro da disputa presidencial.
Cerca de 9,3 milhões de votos foram destinados aos outros concorrentes. Entre os principais nomes desse grupo estão Augusto Cury (Avante), que ficou em terceiro lugar, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Romeu Zema (Novo) também está entre os candidatos cujos eleitores passam a ser considerados nesta nova etapa da disputa.
Caiado e Zema já declararam apoio a Flávio no segundo turno. Renan Santos e Augusto Cury, por sua vez, declararam neutralidade.
Em um cenário de eleição polarizada, Caiado e Zema têm um perfil antipetista, enquanto Renan Santos e Augusto Cury adotam posições mais críticas ao bolsonarismo, embora também façam críticas ao PT.
Esses posicionamentos podem pesar na transferência dos votos no segundo turno.


