IMERSO EM CRISE
Vitória pode ter 5º mandato de presidente interrompido desde 2015
Leão da Barra foi comandado por sete presidentes diferentes nos últimos 10 anos


A crise do Vitória só aumenta. Desde a derrota de quarta-feira para o Nova Iguaçu, um turbilhão de fatos negativos tomou conta do noticiário do Rubro-Negro. A situação que promete desdobramentos mais relevantes para o futuro do clube é a possível renúncia do atual presidente do clube, Fábio Mota. Reforçando os rumores, o Conselho Deliberativo do Leão convocou reunião extraordinária para a próxima segunda-feira (6/3). Fora esses assuntos internos, a torcida uniformizada Os Imbatíveis ainda se envolveu em confusão com uma organizada do Vasco, no Rio de Janeiro.
A provável renúncia de Fábio Mota é motivada por ameaça de morte sofrida pelo mandatário por meio de mensagens recebidas pelo WhatsApp. Nelas, o torcedor não identificado chega a dizer que os filhos do dirigente mereciam levar tiros no rosto.
A reunião de segunda-feira do Conselho Deliberativo do clube tem como principal item da pauta “discutir a atual situação do clube”. Atual vice-presidente rubro-negro, Djalma Abreu, assumirá a presidência, caso a renúncia se confirme, e convocará novas eleições.
A confusão com a torcida aconteceu no Rio de Janeiro, após a eliminação contra o Nova Iguaçu, já do lado de fora do estádio Laranjão, local do jogo. Membros da Torcida Unformizada Os Imbatíveis, do Vitória, e da Força Jovem, do Vasco, enfrentaram-se. Segundo informações do local do acontecimento, o presidente da TUI, Gabriel Oliveira, teria sido agredido no confronto.
Antes de tudo isso, logo após o jogo, o clube já havia anunciado o desligamento do executivo de futebol, Edgard Montemor, prometendo uma reformulação completa no departamento de futebol. Ele estava no Vitória desde julho do ano passado, em momento que precedeu a recuperação, que levou o time da disputa contra o rebaixamento para a Série D ao acesso à Série B.
Tudo isso acontece depois de duas eliminações na semana, no Baiano, pelo quinto ano consecutivo sem passar da primeira fase, e na Copa do Brasil. O clube ainda pode ser eliminado matematicamente da terceira competição em apenas oito dias, caso não vença o clássico de domingo, contra o Bahia, e fique a mais de seis pontos do quarto colocado da chave no Nordeste.
Se a renúncia for confirmada, Fábio Mota será o quinto presidente rubro-negro a não conseguir concluir o período de mandato desde 2015, seguindo caminho iniciado por Carlos Falcão, que deixou a presidência em março de 2015, depois de 15 meses no cargo, após pressão pela eliminação nas quartas de final do Baiano, contra o Colo-Colo. O clube já havia sido rebaixado para a Série B na temporada anterior e o clima já era bastante tenso.
Dois anos depois, em 2017, Ivã de Almeida também não completou o mandato. Ele renunciou em novembro daquele ano, pouco antes de completar um ano desde a eleição em dezembro de 2016, mas já estava licenciado desde julho. Sofrendo também muita pressão pelos resultados ruins, ele era acusado de gestão temerária e corria risco de sofrer um impeachment.
Agenor Gordilho, vice-presidente, ficou no cargo até a eleição de Ricardo David, que foi afastado por Assembleia dos sócios do clube em março de 2019, logo após eliminação na primeira fase do Campeonato Baiano daquele ano, a primeira da série de cinco saídas precoces consecutivas no estadual. Foi a gota d´água para a torcida, que já estava na bronca pelo rebaixamento para a Série B no ano anterior.
Em maio do ano passado, foi a vez de o sucessor de Ricardo David, Paulo Carneiro ser destituído definitivamente da presidência, também por Assembleia dos sócios, mas ele já estava afastado desde setembro de 2021, em meio à campanha que levou o clube à Série C naquela temporada. Fábio Mota assumiu desde então, mas só foi eleito em setembro do ano passado.
Qual é a saída?
Como sair desse ciclo? O presidente Fábio Mota,em entrevista à rádio Itapoan FM, logo após a eliminação do Campeonato Baiano, creditou os maus resultados às dificuldades financeiras vividas pelo clube, afirmando a existência de um déficit de R$ 1,5 milhão todos os meses, e citando especificamente o pagamento de R$ 11,7 milhões para se livrar da punição que impedia a agremiação de inscrever novos jogadores.
Ele afirmou que o elenco seria outro, caso tivesse os R$ 11,7 milhões a mais para investir. Reconhecendo, de certa forma, a fragilidade do grupo formado. E o clube segue em um ciclo vicioso. Monta equipes frágeis em decorrência da crise financeira e os resultados alcançados por tais times acabam afastando ainda mais das receitas maiores, agravando a própria situação econômica do clube.
Na ânsia de tentar apagar os incêndios causados pelos insucessos em campo, há um clamor por novos reforços. Eles podem encarecer ainda mais a folha salarial e não dar o retorno esperado nas competições, mas são uma esperança para que esse ciclo seja quebrado.