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O QUE ANTONELLI FEZ?

Por que brasileiros estão revoltados com campeão mundial de Fórmula 1?

Homenagens constantes a Ayrton Senna e declaração sobre querer ser brasileiro provocam críticas

Marina Branco
Por
Antonelli visitando túmulo de Senna com camisa do Senninha
Antonelli visitando túmulo de Senna com camisa do Senninha - Foto: Reprodução I X

A admiração de Kimi Antonelli por Ayrton Senna, inicialmente, era muito elogiada no Brasil - mas rapidamente virou motivo de críticas entre torcedores brasileiros às vésperas do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1.

Recém-coroado campeão mundial, o piloto italiano da Mercedes voltou a demonstrar seu carinho pelo tricampeão e pelo Brasil, mas a frequência das homenagens passou a incomodar parte dos fãs, que passaram a questionar até que ponto a identificação com o ídolo representa admiração ou uma tentativa de reproduzir sua imagem.

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Aos 20 anos, Antonelli chegou a Interlagos depois de conquistar seu primeiro título mundial no Grande Prêmio do México, no último domingo, 1º. Durante a passagem por São Paulo, o piloto visitou novamente o túmulo de Senna, encontrou familiares do brasileiro, conheceu o Instituto Ayrton Senna e preparou um capacete especial para celebrar os 35 anos da primeira vitória do tricampeão no GP do Brasil, em 1991.

As demonstrações de carinho, no entanto, dividiram opiniões nas redes sociais, com internaturas questionando a conexão com Senna, a utilização do número 12, as visitas ao túmulo do tricampeão, o corte de cabelo e a expectativa de mais um capacete comemorativo como exemplos do que consideram uma associação exagerada entre os dois pilotos.

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Antonelli diz que gostaria de ser brasileiro

A discussão ganhou outro elemento após uma declaração do campeão mundial durante uma entrevista coletiva realizada na quarta-feira, 4, em São Paulo.

Ao falar sobre a recepção dos torcedores e a ligação afetiva que desenvolveu com o país por causa de Senna, Antonelli admitiu que gostaria de ter uma identificação ainda maior com o Brasil.

"Eu sei o quanto amo correr aqui. Não vou mentir que gostaria de ser um pouco brasileiro. O apoio aqui é incrível. Os fãs têm muita paixão. Por isso parece que estou correndo em casa. O amor, a paixão pelo Ayrton, isso faz com que eu me sinta parte disso", afirmou.

O italiano também afirmou que pretende continuar homenageando o tricampeão, não apenas pelas conquistas esportivas, mas pela importância de Senna fora das pistas.

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"Sempre que eu puder, vou tentar carregar o legado do Senna, porque é muito importante para mim. Fico feliz de poder usar o número 12... ele sempre me inspira muito. Além de ter sido um grande piloto, também foi uma grande pessoa fora da pista. O que ele fez pelo Brasil foi muito especial", disse.

A utilização do número 12 é uma das referências mais conhecidas de Antonelli ao ídolo. O italiano adotou a numeração em sua chegada à Fórmula 1, em 2025, por ter sido utilizada por Senna durante parte de sua trajetória.

Mesmo após conquistar o campeonato mundial, Antonelli já declarou que pretende manter o número, abrindo mão de utilizar o 1, tradicionalmente disponível para o atual campeão.

Visitas ao túmulo e capacete especial alimentam discussão

A relação de Antonelli com a memória de Ayrton Senna ganhou destaque desde sua primeira participação no Grande Prêmio de São Paulo, em 2025. Na ocasião, ainda em sua temporada de estreia na Fórmula 1, o italiano visitou o túmulo do tricampeão no Cemitério do Morumbi, gesto que voltou a repetir neste ano.

A agenda de 2026 também incluiu um encontro com familiares de Senna, no qual Antonelli teve a oportunidade de conhecer um carro utilizado pelo brasileiro em 1986.

Além disso, o piloto preparou um capacete comemorativo inspirado na histórica vitória de Senna em Interlagos, em 1991. Naquela corrida, o brasileiro enfrentou problemas na caixa de câmbio de sua McLaren e precisou completar as voltas finais praticamente apenas com a sexta marcha, conquistando seu primeiro triunfo em casa.

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A homenagem coincide com o aniversário de 35 anos da conquista e também será realizada por outro piloto do grid, Gabriel Bortoleto, brasileiro da Audi, que apresentou um capacete inspirado no mesmo episódio.

A diferença, para os críticos de Antonelli, está na intensidade com que o italiano associa sua identidade à figura de Senna. Algumas postagens nas redes chegaram a argumentar que, se estivesse vivo, o tricampeão apoiaria os brasileiros Bortoleto e Rafael Câmara, que estreia pela Haas em Interlagos, não um italiano como Kimi.

Outros internautas questionaram a ideia de Kimi "correr em casa no Brasil", considerando que Interlagos seria a home race de Bortoleto e Câmara, brasileiros, Hamilton, brasileiro honorário, e Colapinto, argentino que não tem uma corrida em seu país.

Campeão mundial quer construir sua própria história na Fórmula 1

Apesar das críticas, Antonelli já possui conquistas importantes para consolidar sua trajetória independentemente das referências ao tricampeão brasileiro.

Escolhido pela Mercedes para substituir Lewis Hamilton em 2025, o italiano chegou à Fórmula 1 aos 18 anos, cercado de expectativas. A primeira temporada foi marcada por oscilações e questionamentos sobre sua preparação para assumir uma das vagas mais disputadas da categoria.

A recuperação aconteceu em 2026. Com nove vitórias até a conquista do campeonato, Antonelli superou o companheiro George Russell e tornou-se o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1.

Antonelli campeão do mundo
Antonelli campeão do mundo - Foto: Divulgação/ Mercedes

Durante a entrevista em São Paulo, o piloto atribuiu parte da evolução à mudança de mentalidade e ao apoio recebido de familiares e integrantes da equipe.

"Eu me questionei diversas vezes se eu era bom o suficiente para a Fórmula 1. Mas depois eu pude passar por isso, tive as férias para digerir e olhar para trás. Fui tentando entender o porquê tive momentos bons e ruins. E, no fim, era tudo mental, como eu me preparava para as corridas", explicou.

Agora, Antonelli chega ao GP de São Paulo sem a pressão da disputa pelo título, mas determinado a conquistar sua primeira vitória em Interlagos: "Se eu pudesse escolher uma corrida para vencer, seria essa aqui, e espero fazer nesse final de semana".

Vale ressaltar que Antonelli já venceu em Monza, na Itália, correndo em casa. Agora, corre neste domingo, 8, no Autódromo de Interlagos, homenageando o ídolo.

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ayrton senna fórmula 1 Kimi Antonelli

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