POLÍCIA
‘Rainha do Sul’: entenda denúncia contra advogada líder do BDM
Denúncia do Ministério Público detalha papel atribuído à advogada na engrenagem do Bonde do Maluco

Por Luan Julião

As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) apontam que a advogada Poliane França Gomes, presa durante a operação Rainha do Sul, exercia uma função operacional estratégica dentro da facção Bonde do Maluco (BDM). Segundo as apurações, ela atuava não apenas como intermediária de mensagens, mas também como gestora de interesses criminosos, articuladora financeira e facilitadora da comunicação interna do grupo.
Segundo o Gaeco, Poliane ocupava posição central na engrenagem da organização criminosa, funcionando como elo permanente entre a liderança presa no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha e os integrantes que atuavam em liberdade. Valendo-se da condição de advogada, ela teria sido responsável por transmitir ordens diretas da cúpula da facção, repassar orientações estratégicas, ameaças internas e determinações operacionais relacionadas ao controle territorial e à manutenção da disciplina criminosa.

As apurações indicam que a investigada também atuava de forma direta na articulação de cobranças financeiras, intermediando a arrecadação de valores periódicos conhecidos como “caixinha”, utilizados para sustentar as atividades ilícitas da facção. Além disso, segundo os investigadores, ela prestava auxílio na administração e no controle dos recursos provenientes do tráfico de drogas, participando da organização do fluxo financeiro do grupo.
De acordo com o Gaeco, a estrutura criminosa apresentava divisão clara de tarefas, hierarquia definida e atuação contínua, com envolvimento no tráfico de entorpecentes, comércio de armas e lavagem de dinheiro. A comunicação interna era feita principalmente por aplicativos de mensagens, usados para repassar ordens, alinhar ações criminosas e monitorar a arrecadação financeira.
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Ainda conforme as investigações, Poliane França Gomes teria utilizado pessoas interpostas para ocultar e dissimular a origem de valores ilícitos, prática típica de lavagem de capitais. Parte do dinheiro obtido com o tráfico, segundo o Gaeco, foi convertida em joias de alto valor, apreendidas durante o cumprimento de mandados judiciais.
Ligação com liderança do BDM
Informações apuradas pelo Portal A TARDE indicam que a advogada mantinha envolvimento amoroso com Leandro de Conceição Santos Fonseca, conhecido como “Shantaram”, apontado como uma das principais lideranças do BDM e atualmente custodiado no presídio de segurança máxima de Serrinha. As investigações indicam que, mesmo preso, ele continuava exercendo influência sobre a facção, com apoio logístico e comunicacional externo.

Operação e alcance interestadual
A ofensiva policial e judicial resultou no cumprimento de 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão na Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Na Bahia, os alvos incluíam responsáveis pela contabilidade do tráfico, gerentes territoriais que controlavam áreas em Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari e outros municípios, além de operadores encarregados do transporte, armazenamento e distribuição de drogas e armas.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 1 milhão em joias de ouro, e a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 100 milhões em contas bancárias ligadas à organização criminosa. Também foi determinada a indisponibilidade de bens avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão, entre eles sete veículos, uma moto aquática, um haras com cavalos de raça e uma usina de energia solar.

Com base no conjunto de provas reunidas ao longo das investigações, o Ministério Público da Bahia apresentou denúncia pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
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