PARCIMÔNIA
Aliado pede cautela na construção para sucessão de Lula
Zé Dirceu, aliado próximo, diz que liderança pós-Lula precisa ser conquistada na prática



A passagem do aniversário de 81 anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, celebrado na última semana, reabriu nos bastidores de Brasília o debate sobre a liderança da esquerda brasileira e os rumos da sucessão presidencial.
Entre correligionários e quadros históricos do Partido dos Trabalhadores (PT), o diagnóstico é inequívoco: a transição não vai ocorrer por imposição de nomes, mas pela consolidação política no exercício do poder.
Para o ex-ministro José Dirceu, por exemplo, a liderança pós-Lula precisa ser conquistada na prática.
"Quem ocupar esse lugar vai ter que provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar", avalia.
Nomes na disputa
Nesse cenário, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, surge como uma das figuras mais citadas no ambiente governista. O desempenho à frente da pasta econômica e a trajetória prévia no Ministério da Educação credenciam o ministro no debate sucessório, minimizando o impacto de derrotas eleitorais anteriores.
"O Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço. Perdeu a eleição, mas isso não quer dizer nada. O Lula perdeu três e se elegeu quatro vezes presidente", pondera Dirceu.
O ex-ministro reforça a tese de que a liderança do campo progressista vai ser moldada no dia a dia da política nacional. De acordo com o ex-deputado, os próximos nomes "vão ter que surgir na construção do país, do próprio PT e da luta democrática". Dirceu pontua ainda a assimetria na preparação dos campos opostos, alertando que "a direita já tem nomes enfileirados".
Para o ex-dirigente petista, o momento atual exige que o presidente utilize o capital político para viabilizar grandes transformações institucionais antes de qualquer debate eleitoral.
"Lula tem uma oportunidade histórica de chamar o país a um pacto político. O Brasil precisa de reformas, que precisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário. Ele tem autoridade para liderar isso", afirmou.
Outros nomes no radar
Camilo Santana, senador pelo Ceará e ex-ministro da Educação, integra o grupo. Ex-governador do Ceará, participou da articulação política da campanha de 2026 e passou a ser citado nas discussões sobre a composição do quarto governo Lula.
Outro nome citado é o de Rafael Fonteles, 41 anos, governador reeleito do Piauí, que ganhou projeção durante a campanha presidencial, especialmente na área de comunicação e na articulação política. A participação na coordenação da campanha e a proximidade que construiu com Lula ampliaram sua presença no núcleo governista.
A discussão sobre a sucessão de Lula não se restringe ao PT. Guilherme Boulos, do PSOL, é ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e uma das lideranças do campo progressista que podem participar das articulações sobre a sucessão de Lula.
Uma eventual candidatura presidencial em 2030 dependeria, porém, da construção de alianças com o PT e outras forças de esquerda e centro-esquerda, além das definições sobre o papel que o PSOL pretende desempenhar na disputa.
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e integrante do PSB, também faz parte das possibilidades.
Ex-governador de São Paulo, tem experiência administrativa e trajetória política em diferentes composições partidárias. A participação em uma disputa dependeria das articulações entre os partidos aliados e da estratégia adotada pelo grupo.
Alckmin também ganhou protagonismo no governo ao assumir a negociação com setores produtivos após o tarifaço de Donald Trump sobre diversos produtos brasileiros de exportação.
O senador eleito pela Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), teve participação direta de Rui na coordenação estratégica e política da campanha. Ex-governador da Bahia por dois mandatos, Rui manteve diálogo constante com o presidente ao longo do processo eleitoral, junto ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Com posse no Senado em 2027, Rui ingressa no Legislativo com experiência de chefe de Executivo estadual e ministro de uma das pastas mais importantes do ministério, que é a Casa Civil.
João Campos, do PSB, é outro nome associado à renovação geracional da centro-esquerda. Ex-prefeito do Recife, ele ganhou projeção nacional durante a campanha de 2026.
Simone Tebet, do MDB, também integra o conjunto de lideranças que podem participar de futuras composições. A presença no debate está relacionada à possibilidade de articulação entre setores do centro e da centro-esquerda, a depender das alianças que forem construídas.
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Reorganização interna
Paralelamente às discussões sobre o Planalto, o PT projeta uma reorganização estrutural interna. Dirigentes e aliados apontam para um aumento expressivo da representação da região Nordeste nos núcleos de decisão do partido, refletindo o peso eleitoral e político da base nordestina.
Embora a renovação formal do quadro dirigente da legenda esteja prevista apenas para 2029, as movimentações já têm data para começar. Está nos planos a realização de um congresso partidário para debater alterações no estatuto e alinhar a legenda às novas dinâmicas sociais e tecnológicas do país.
"O PT tem que ser democratizado, temos que melhorar a formação política e a atuação nas redes. A renovação no PT é urgente", sintetizam o ex-deputado, destacando a necessidade de adaptar a comunicação e a formação de quadros para garantir a competitividade do partido nos próximos anos.


