CURIOSIDADE
De cobrador de ônibus a deputado: conheça o passado de André Janones
Parlamentar ganhou destaque na campanha digital que ajudou a reeleger o presidente Lula



O deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), de 42 anos, ganhou projeção nacional e internacional ao liderar uma estratégia de mobilização digital que ajudou na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A ação, que reuniu milhões de apoiadores no canal "Exército do Lula" no WhatsApp, passou a inspirar campanhas políticas em outros países e marcou uma mudança na disputa pelo protagonismo digital no Brasil.

Mas, antes de chegar ao Congresso e se tornar uma das principais figuras da comunicação digital da campanha petista, Janones trabalhou como cobrador de ônibus, cursou Direito com uma bolsa de estudos e chegou a exercer a advocacia.
Essas e outras curiosidades sobre a vida do parlamentar foram apresentadas em uma reportagem do Fantástico, exibida no último domingo, 1º.
Da infância humilde à política
Nascido em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, Janones teve uma infância pobre. Antes de entrar na política, trabalhou como cobrador de ônibus.

No entanto, conseguiu cursar Direito na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) por meio de uma bolsa de estudos.
Na época em que começou o curso, em 2004, a instituição se chamava Fundação Educacional de Ituiutaba (FEIT).
Depois de se formar, chegou a atuar como advogado, mas deixou a profissão para seguir carreira política.
Durante a entrevista, o deputado também contou que perdeu o pai quando tinha apenas 10 meses de idade e relembrou a história dos pais.
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"Minha mãe tinha 24 anos, se apaixona por um cara de 52, numa cadeira de rodas, que vivia de um salário mínimo. Um amor louco, assim, ela casa com ele", contou.
Da primeira candidatura ao Congresso
Janones iniciou a trajetória eleitoral em 2016, quando disputou a Prefeitura de Ituiutaba, mas não conseguiu se eleger.
Dois anos depois, conquistou o primeiro mandato como deputado federal. Nas eleições de 2026, foi reeleito para o terceiro mandato na Câmara dos Deputados.

Apesar da reeleição, o parlamentar teve uma redução expressiva na votação em comparação com o pleito anterior.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recebeu 78.780 votos em 2026, contra cerca de 238 mil em 2022.
Escândalo de "rachadinha"
Janones foi investigado pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de coordenar um esquema de desvio de parte dos salários de assessores de seu gabinete, conhecido como "rachadinha", entre 2019 e 2020.
A investigação começou após o vazamento de áudios de 2019 nos quais o deputado pedia a funcionários que repassassem parte dos vencimentos para ajudar a pagar dívidas de campanhas eleitorais anteriores.
Em setembro de 2024, a PF indiciou formalmente Janones pelos crimes de corrupção passiva, peculato e associação criminosa.
Meses depois, em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado entre o parlamentar e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
No acordo, Janones confessou uma conduta irregular relacionada ao uso do cartão de crédito de um assessor para pagar despesas pessoais.
Como parte do compromisso, ele se comprometeu a devolver R$ 131,5 mil aos cofres da Câmara dos Deputados e a pagar uma multa adicional de R$ 26,3 mil. Com a homologação do acordo, o caso deixou de seguir para uma ação penal.


