ESTRATÉGIA
Empate no 2º turno faz governo Lula acionar trunfos econômicos
Pacote prevê Bolsa Família reajustado para R$ 691 e fim da escala 6x1



Praticamente assegurado na segunda etapa da disputa presencial, segundo a maioria das pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reservou seus principais trunfos políticos para a fase decisiva do pleito.
Com um intervalo de 21 dias entre o primeiro turno, próximo dia 4 de outubro, e a votação final, 25 de outubro, a estratégia do comando petista é concentrar anúncios de forte impacto popular em pelo menos duas das três semanas de propaganda.
Fim da escala 6x1
A primeira cartada do governo deve ocorrer logo após a abertura das urnas. Entre 5 e 9 de outubro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve pautar no plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho na escala 6x1.
A sinalização de Alcolumbre a interlocutores do governo ocorreu após a aproximação entre o senador e o presidente, selada em encontro na residência do ministro Alexandre de Moraes. O movimento vai recolocar no centro do debate uma das agendas sociais de maior apelo popular da campanha petista, em um momento em que a nova composição do Congresso já estará definida.
Reajuste do Bolsa Família
Já no dia 19 de outubro — a seis dias do segundo turno —, o Executivo dará início ao pagamento do Bolsa Família reajustado pela inflação dos últimos quatro anos, elevando o benefício para R$ 691.
A medida é vista por articuladores da campanha como crucial para consolidar a preferência do eleitorado de baixa renda e conter avanços da oposição nessa fatia do eleitorado.
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Incerteza sobre adversário
No plano do embate político, interlocutores da cúpula governista contam com o surgimento de novos fatos desfavoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL), provável adversário de Lula na fase final.
A expectativa de desdobramentos sobre o caso Dark Horse e as ligações do parlamentar com o empresário Daniel Vorcaro circula nos bastidores desde o início da corrida eleitoral. Em maio, quando os primeiros detalhes do caso vieram à tona, o pré-candidato do PL registrou sua maior queda nas pesquisas, embora tenha recuperado o patamar de votos nos meses seguintes.
Na acirrada disputa pelo Planalto, a própria cúpula do PL já dá como certa a realização do segundo turno. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, considerou "bobagem" a tese de liquidação da fatura logo no primeiro turno, confirmando que a legenda já direciona suas forças para a etapa decisiva de outubro.


