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Jerônimo Rodrigues na chegada do cortejo no Bonfim

FÉ E POLÍTICA

Lavagem do Bonfim vira teste de forças para eleições de outubro

Fé e política se misturam no tradicional cortejo religioso

Jerônimo Rodrigues na chegada do cortejo no Bonfim - Foto Uendel Galter | AG. A TARDE

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Cássio Moreira

Por Cássio Moreira

15/01/2026 - 21:24 h | Atualizada em 15/01/2026 - 22:57

A tradicional Lavagem do Bonfim, que tomou as ruas da Cidade Baixa de Salvador, nesta quinta-feira, 15, abriu, ainda que extraoficialmente, a corrida eleitoral que terminará apenas em outubro deste ano. O que se viu no cortejo foi o primeiro teste de forças dos dois grupos que devem polarizar a disputa.

Dos dois lados, governo e oposição, se viu um alinhamento nos discursos, sem falas divergentes entre os principais atores políticos. O governador Jerônimo Rodrigues (PT), que logo cedo chegou na Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, ponto de partida do cortejo, falou sobre as conversas recentes com Diego Coronel (PSD), filho do senador Angelo Coronel (PSD), e pregou que haja um consenso entre as forças políticas do PT e PSD, aliados históricos.

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Considerado o principal articulador político do grupo, o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola (PT), seguiu a mesma linha do governador ao comentar sobre o tema.

Nossa relação com os partidos da base é sempre com muita preocupação, com muito empenho e escuta, ontem foi mais um diálogo com o deputado Diego Coronel, numa conversa com o governador
Adolpho Loyola - secretário estadual de Relações Institucionais

A oposição também aderiu ao 'modelo' de resposta padrão sobre os principais temas no cortejo. Pré-candidato ao governo, ACM Neto (União Brasil) falou sobre renovação, assim como o prefeito Bruno Reis (União Brasil), seu principal aliado.

Calor humano

A polarização que deve permear a corrida eleitoral na Bahia foi sentida nas primeiras horas dos festejos. Ao chegar no ponto de partida, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi aclamado por aliados e apoiadores, mas também foi alvo da manifestação contrária dos aliados e entusiastas de ACM Neto (União Brasil), seu principal adversário.

Durante o cortejo, Jerônimo foi parado por admiradores e eleitores, tirando fotos e gravando vídeos. O governador também foi cercado pelos aliados, entre secretários e parlamentares que serão candidatos nas eleições de outubro.

É o dia de fechar o ciclo de agradecimentos a ele pela saúde, pela paz, pelo emprego. Mas é também o dia da gente poder pedir. Pedir para que todos os projetos nossos possam ser concretizados
Jerônimo Rodrigues - governador da Bahia

A oposição também foi recebida entre aplausos e vaias. Acompanhado do prefeito Bruno Reis (União Brasil), do ex-ministro João Roma (PL), seu possível companheiro de chapa, e de Ronaldo Caiado (União Brasil), pré-candidato ao Planalto, ACM Neto (União Brasil) testou sua popularidade nas ruas, sendo também abordado por apoiadores.

"Dia maravilhoso. Para mim talvez seja o dia mais especial, dia mais importante, energia que a gente sente a força do nosso povo, da nossa fé, com o Senhor do Bonfim abraçando toda a nossa terra, todo o nosso povo", destacou ACM Neto.

Palácio de Ondina

Em meio às manifestações de fé, a política se fez ainda mais presente no Bonfim. Dentro do grupo governista, os principais questionamentos foram acerca da novela entre PT e PSD pelas duas vagas para o Senado na chapa majoritária.

Governador Jerônimo Rodrigues (PT)
Governador Jerônimo Rodrigues (PT) | Foto: Uendel Galter | AG. A TARDE

O teor da conversa entre Jerônimo Rodrigues e Diego Coronel (PSD), filho de Angelo Coronel, que ocorreu na última quarta, 14, despertou a curiosidade dos presentes. Ao comentar sobre, o governador afastou os rumores de uma crise entre a base e o senador, que tem sido ventilado na oposição.

Nós estamos com muita serenidade, muita tranquilidade, buscando encontrar uma saída para que a gente não possa machucar ninguém, não possa colocar ninguém em um local sem que haja um acordo de partido
Jerônimo Rodrigues

Presente no Bonfim, Adolpho Loyola também garantiu a manutenção da aliança histórica com o PSD, cravando também a construção de uma chapa competitiva para enfrentar as urnas em outubro.

"A relação com o PSD está ótima, como sempre esteve, não se abala, nossa relação com os partidos da base é sempre com muita preocupação, com muito empenho e escuta, ontem foi mais um diálogo com o deputado Diego Coronel, em uma conversa com o governador", afirmou o secretário.

Wagner presente

O senador Jaques Wagner (PT) se fez presente na festa do Bonfim, participando do cortejo e atendendo seus apoiadores e demais políticos presentes. O parlamentar petista, que é um dos três nomes postos nas discussões sobre a disputa pelo Senado dentro do grupo governista, admitiu que a lavagem, principalmente em ano eleitoral, é um termômetro para testar a popularidade dos políticos.

Senador Jaques Wagner durante a Lavagem do Bonfim
Senador Jaques Wagner durante a Lavagem do Bonfim | Foto: Uendel Galter | AG. A TARDE

"A festa do Senhor do Bonfim é a abertura das festas religiosas. Este ano é um ano eleitoral, então, esquenta um pouco, as torcidas organizadas. [...]. Se torna um termômetro de quem organiza melhor a torcida", afirmou.

Ausências sentidas

As duas pontas restante do complexo 'triângulo' dos pré-candidatos ao Senado, Rui Costa (PT) e Angelo Coronel (PSD), foram na contramão de Wagner, ficando fora dos festejos.

As ausências foram sentidas e comentadas. Rui, que nas últimas semanas tem intensificado suas agendas na capital baiana, em estratégia que busca fortalecer seu nome na chapa, preferiu não 'colocar o bloco na rua'.

Já Coronel, que chegou a confirmar ao Portal A TARDE que estaria presente no cortejo, mandou um 'time', que contava com camisas personalizadas, mas evitou testar sua popularidade em um momento de estremecimento das relações com o bloco governista.

A ausência, segundo nomes ouvidos pelo Portal A TARDE, pode ter sido uma tentativa de evitar novos problemas. A indefinição do seu destino político às vésperas da escolha das chapas de ambos os lados, como tem se desenhado, aumenta as chances do parlamentar ser preterido pelos dois grupos.

E a vice?

Atual vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior (MDB) aproveitou o momento para reforçar seu desejo de permanecer, junto ao MDB, no posto ocupado. A tendência, segundo apuração recente do Portal A TARDE, é que o emedebista não seja atingido pelas negociações entre PT e PSD, permanecendo no posto.

"Nós vamos aguardar o tempo certo. Nós temos um líder político, que é o governador Jerônimo Rodrigues", afirmou.

Oposição

A oposição chegou com o discurso afiado de crença em renovação política e margem para uma virada nas urnas. ACM Neto, que tem se colocado como candidato ao governo dentro do grupo, foi o primeiro a se manifestar sobre, durante conversa com a imprensa, antes da saída dos blocos.

ACM Neto (União Brasil) presente no cortejo do Bonfim
ACM Neto (União Brasil) presente no cortejo do Bonfim | Foto: Betto Júnior | Secom PMS

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou acreditar em uma disputa polarizada, diferente da eleição municipal de 2024, quando ele foi reeleito com ampla margem para os demais candidatos.

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"Por incrível que pareça, 2026 é mais acirrado que 2024. Eu acho que é porque em 2024 o cenário estava mais claro, mais definido. Eu iniciei o ano de 2024 com quase 70% das pesquisas, não tinha nem um adversário definido”, afirmou o prefeito.

Presença de Caiado

Pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo União Brasil, Ronaldo Caiado usou as ruas da Cidade Baixo para medir sua popularidade diante dos eleitores baianos. Aos gritos de "meu presidente" por parte de apoiadores, o político, que já concorreu à presidência em 1989, reafirmou seu desejo de levar a campanha até o fim.

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Caiado também recebeu de Neto e Bruno Reis a sinalização de apoio, caso permaneça na corrida. Os acenos são vistos como importantes para fortalecer sua pré-candidatura, em um momento em que uma aliança em torno de Flávio Bolsonaro (PL) é vista como uma opção viável.

Eleições 2026

A Bahia escolherá no dia 4 de outubro (caso não tenha segundo turno) o nome do próximo governador do estado. A disputa, que deve ser novamente protagonizada por Jerônimo Rodrigues (PT), atual detentor do posto, e ACM Neto (União Brasil), tem quatro pré-candidatos.

Pré-candidatos ao governo da Bahia

  • Jerônimo Rodrigues (PT)
  • ACM Neto (União Brasil)
  • José Carlos Aleluia (Novo)
  • Ronaldo Mansur (Psol)

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