APELO
Lula faz apelo por PEC do fim da escala 6x1 e oposição reage no Senado
Articulação começou a surtir efeito após reaproximação entre Lula e Alcolumbre



O Palácio do Planalto intensificou a ofensiva sobre o Congresso Nacional para acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada de trabalho 6x1.
Às vésperas de um novo esforço concentrado no Legislativo — o último conjunto de votações antes do primeiro turno das eleições —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os interlocutores políticos cobram publicamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para garantir a análise da matéria.
A articulação começou a surtir efeito após a reaproximação entre Lula e Alcolumbre, que retomaram o diálogo após três meses de distanciamento. O presidente do Senado atendeu ao pleito governista e deu encaminhamento ao texto, enviando a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa obrigatória antes de o tema ir a Plenário.
A meta da base aliada é votar o projeto ainda neste esforço concentrado, transformando a pauta em vitrine para a campanha eleitoral do PT.
Apelo
Em vídeo publicado nas redes sociais, o chefe do Executivo fez um apelo direto a Alcolumbre e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No pronunciamento, Lula classificou a atual carga horária como "jornada escrava" e rebateu as críticas da oposição, que acusa o Planalto de utilizar a medida com finalidade eleitoreira.
"Tenho certeza de que o presidente Alcolumbre também vai votar a escala 6x1. Vamos acabar com essa jornada escrava de trabalho. Aqueles que são contra, os de sempre, acham que, se aprovar, é um benefício para mim, mas estão totalmente equivocados.
O fim da escala 6x1 é um benefício para milhões de homens e mulheres que estão cansados de ser escravos e querem descansar um pouco mais", declarou o presidente.
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Estratégia regimental
Para dar rapidez à tramitação, o governo garantiu um nome de confiança na relatoria da proposta na CCJ: o senador Omar Aziz (PSD-AM). A intenção do relator é manter a redação aprovada na Câmara sem alterar o texto, evitando que a matéria precise retornar aos deputados e permitindo a apreciação no Plenário.
A expectativa de governistas é levar o tema a voto no início do próximo mês. A iminência de votação deflagrou a reação imediata do bloco de oposição. Liderados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), articulador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os parlamentares contrários começaram a se mobilizar para obstar o avanço do texto.
Movimento da oposição
O movimento oposicionista provocou pronta resposta das lideranças petistas e de ministros de Estado. Em nova manifestação nas redes, Lula reiterou que o fim do modelo 6x1 vai ocorrer sem redução de salários e defendeu o ganho de qualidade de vida para as famílias dos trabalhadores.
No plano político, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, partiu para o embate direto, afirmando que a oposição atua no Congresso "contra os interesses dos trabalhadores brasileiros".
A disputa política promete ganhar as ruas. Além da agenda legislativa, centrais sindicais e movimentos sociais organizam o Dia Nacional de Mobilização pelo Fim da Escala 6x1 para os próximos dias, o que deve amplificar o debate durante as sessões do Congresso.


