Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

"MACACA"

Racismo no Bahia: saiba o que motivou soltura de treinador português

Treinador português teve liberdade provisória concedida após chamar jogadora do Bahia de "macaca"

Leilane Teixeira e Leo Moreira
Por Leilane Teixeira e Leo Moreira
| Atualizada em
O técnico português foi preso em flagrante no último domingo, 7, após acusações de ter chamado a jogadora do Bahia
O técnico português foi preso em flagrante no último domingo, 7, após acusações de ter chamado a jogadora do Bahia - Foto: oão Normando | 3B da Amazônia

A liberdade provisória concedida ao treinador português Hugo Duarte, acusado de chamar a jogadora do Bahia Suelen Santos de 'macaca', foi alvo de críticas não apenas pela vítima e pessoas ligadas a jogadora, mas também por especialistas e estudiosos da área.

Em entrevista ao Portal A TARDE, o advogado criminalista e professor de direito penal, Marinho Soares, explicou que a decisão polêmica, no entanto, não partiu de vontade da juíza que assinou a liberdade, Marcela Moura França, mas sim do Ministério Público da Bahia. O advogado afirma que conversou com a magistrada para entender o motivo da liberdade.

Tudo sobre Salvador em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

"Conversei com a juíza e ficou evidenciado que a motivação da liberdade concedida para o treinador veio por um pedido do Ministério Público da Bahia. A fiança que ela estabeleceu para soltar-lo, inclusive, foi porque ela não poderia, de ofício, manter preso. O único objetivo dela em cobrar fiança naquele momento, foi garantir que em uma futura condenação, houvesse um respaldo para que a vítima não saísse totalmente", explicou.

>> Ministério do Esporte classifica como racista ato de técnico na Bahia

>> OAB critica tentativa de "suavizar" racismo contra atleta do Bahia

Ainda de acordo com o advogado, o "A fiança também serve para garantir, no futuro, o pagamento do dano à vítima, caso no final de tudo ela seja julgada. Eu não sou procurador nem defensor da juíza, mas ela deixou bem evidenciado que a ela não caberia outra decisão, a não ser soltar. Ou seja, o pagamento da fiança não foi motivo de liberdade", explicou.

O artigo 5º, inciso XLII da Constituição, estabelece que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei".

O advogado, que também é ativistas em pautas raciais, questiona com mais afinco a decisão do Ministério Público da Bahia (MPBA), que, segundo ele, perpetuou com o crime de racismo ao pedir a liberdade do treinador.

"Eu realmente fico perplexo pela atitude do Ministério Público da Bahia pedir a liberdade del em audiência de custódia. Porque eu acho que pior do que não pedir a prisão e não representar pela prisão preventiva, é representar pedindo a liberdade de um racista.

>> Saiba tudo sobre o caso de racismo com a atleta Suelen, do Bahia

O professor de direito penal afirma ainda que "uma pessoa pode ter ser omissa, mas no caso do Ministério Público, o órgão representou pelo pedido de liberdade do racista. As pessoas que acompanham um pouco de audiência de custódia sabe que 99% dos casos o Ministério Público sempre pede a prisão preventiva para estabelecer ou para manter a ordem pública. Mas agora, pede a iberdade dele. Quer dizer que o racista ele não ameaça a ordem pública? É o questionamento que eu faço", diz.

A reportagem procurou o MPBA para comentar sobre o caso e aguarda retorno.

Relembre

O técnico português foi preso em flagrante no último domingo, 7, após acusações de ter chamado a jogadora do Bahia, Suelen de 'macaca', durante uma confusão após o empate em 0 a 0 entre as mulheres de aço e seu time, o JC-AM, no estádio de Pituaçu, em Salvador.

Nas redes sociais, Suelen afirmou que o comandante do JC “utilizou de mecanismo de opressão para inferiorizar sua negritude” e a Federação Bahiana de Futebol (FBF) repudiou, por meio de nota oficial, os atos racistas praticadas por ele.

No dia 10 de julho, ele passou por audiência de custódia e teve a liberdade provisória concedida. Os advogados que representaram o técnico disseram contestaram a acusação de injúria racial.

Nos dias em que ficou custodiado, o treinador chegou a afirmar que a "cela é imunda"

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Futebol hugo duarte Jogadora do Bahia racismo Suelen Santos

Relacionadas

Mais lidas