LEVI VASCONCELOS
E começa a versão 2026 das brigas entre santos e diabo
Lula busca sua quarta presidência, enquanto seu legado e desafios se tornaram debate fervoroso


O jogo político da forma como ele é configurado, não só aqui, mas nos quatro cantos do planeta, é assim: quem é do meu lado vira santo, quem é contra o diabo; quem mudou de lá para cá é regenerado e quem foi de cá para lá é degenerado.
Não é isso o que se vê por aí? Para os bolsonaristas, só tem de ladrão Lula, e presidiário também, embora Bolsonaro esteja preso em casa. E para os petistas Bolsonaro é um arauto das catacumbas do inferno.
Como queiram, o fato objetivo é que 2026 vira um momento histórico no Brasil, com Lula querendo virar presidente pela quarta vez, caso único na história.
Como na vida – O ciclo da política é como o da vida, nascer, crescer, viver e morrer, só que, na política é bem mais curto. Lula ganhou a primeira em 2002, se reelegeu em 2006, fez Dilma em 2010, reelegeu em 2014, ela foi cassada em 2016, Michel Temer assumiu, em 2016, em 2018 Bolsonaro ganhou, em 2022 Lula voltou, lá se vão 18 anos na crista da onda.
Em suma, Lula é o velho da vez, mas um velho que ainda faz filho e está gerando um novo mandato. Já que é por aí, em 2030 será outro papo, já que Lula, o ator principal destes tempos, estará com mais de 80 anos, velho demais.
Novo tempo –Claro que os atores vão mudar, mas não as regras do jogo, agora e no futuro próximo potencializadas pelas redes sociais, o que bota a patifaria antes nas esquinas da vida, agora para todo mundo ver.
O Parque de Exposições de Salvador lotou ontem na convenção do PT, com Lula lá, uma lotação digna dos maiores eventos que o local já viu.
Faltam 62 dias para as eleições, tempo em que santos e diabos, a gosto de quem olha, estarão em cena. O jornalista Ivan Carvalho ensinava, ‘jornalista de política tem que se vacinar contra fofoca’.
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Caso do promotor que agrediu juíza é julgado, 14 anos depois
Lembra aquele caso da juíza Nemora de Lima Janssen, que no carnaval de 2012, em Porto Seguro, foi agredida pelo promotor Dioneles Leones Santana Filho?
Foi muito rumoroso. Primeiro, um homem agredindo uma mulher, uma estupidez muito presente nos nossos dias. Segundo, por se tratar dos personagens – agressor e vítima.
Segundo o boletim de ocorrência, ela recebeu um golpe na nuca, foi ao chão e já caída recebeu chutes na cabeça e outras parte do corpo.
Pois finalmente agora, 14 anos depois, o caso foi julgado na 6ª Vara Cível e Comercial de Salvador, tendo como juiz George James Costa Vieira.
Feminicídio – Dizem que o promotor até ligou para pedir desculpas, mas ele foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização a ela, R$ 50 mil ao marido dela, o advogado Leonardo Wishart e mais a fornecer cestas básicas para instituições de caridade, sem pena restritiva de liberdade.
Mas o caso, pela demora do desfecho, espanta por vários motivos, especialmente nestes tempos em que a violência de gênero está em pauta.
Se diz que a demora do Judiciário contribui para a impunidade em agressões de homens contra mulheres. Se com uma juíza demorou tanto, o que haverá de ser das mortais comuns?
Curioso é que a sentença reafirma que nenhuma violência contra a mulher pode ser naturalizada ou permanecer sem responsabilização. A briga agora é para não demorar tanto.
POLÍTICA COM VATAPÁ
O revólver
Astor Araújo, ex-prefeito de Itaquara (nos deixou em setembro de 2018), gostava de dizer que vez ou outra o povo se apaixona por um candidato e o agraciado ganha uma espécie de blindagem energética que nada de ruim cola e todo pecado é do bem.
Um deles, lembrava ele, foi Erivaldo Suzart, lá em Itaquara (região de Jequié), em 1976.
O povo entrou em estado de paixão. Durante uma caminhada no povoado de Barragem, a multidão o seguia de forma eufórica, gritando:
— Erivaldo! Erivaldo! Erivaldo! Erivaldo!
De repente, ele ergueu os dois braços:
— Parem! (silêncio total). Perdi o revólver!
E o povo, em coro:
— Perdi o revól-ver! Perdi o revól-ver! Perdi o revól-ver!
Minutos depois Erivaldo torna a erguer os braços pedindo silêncio, a multidão parou.
— Achei o revólver!
E o povo emendou:
— Achei o revól-ver! Achei o revól-ver! Achei o revól-ver!


