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RETA FINAL

Acorda, Rogério Ceni: hora do Bahia jogar com a alma e buscar a Libertadores

Esquadrão tem 5 finais para fazer história no Brasileirão, mas isso exige coragem e mudanças

Rafael Tiago
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Everton Ribeiro pode reaparecer no time titular do Bahia
Everton Ribeiro pode reaparecer no time titular do Bahia - Foto: Catarina Brandão/EC Bahia

O torcedor do Bahia vive um daqueles paradoxos difíceis de digerir. Por um lado, é impossível ignorar que o clube cresceu de patamar. Olhando para o retrovisor, a escada da evolução salta aos olhos: em 2023, o Esquadrão terminou a Série A do Campenato Brasileiro na sufocante 16ª posição com 44 pontos; em 2024, subiu para o 8º lugar com 53; e, em 2025, fechou o ano na 7ª colocação com 60 pontos. Hoje, após 33 rodadas da edição de 2026, a equipe ocupa o 6º lugar com 53 pontos, somando 14 vitórias, 11 empates e 8 derrotas (48 gols marcados, 42 sofridos e saldo de 6).

Os números não mentem: o Bahia faz uma boa campanha e tem a faca e o queijo na mão para fazer história, quebrar recordes e alcançar a sua maior pontuação de todos os tempos na era dos pontos corridos. Poderia estar melhor e mais tranquilo? Claro! Vamos entender isso juntos...

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Há um abismo enorme entre o tamanho do potencial deste grupo e a coragem exibida em campo. O Bahia tem oscilado demais, desperdiçado pontos ridículos pelo caminho e, pior do que perder, tem aceitado ser massacrado e dominado por camisas pesadas — como vimos recentemente contra o Flamengo, onde o time entrou apequenado na própria Fonte Nova. É inadmissível que um clube sustentado por um projeto global de SAF (City Group) entre em campo parecendo pedir desculpas por disputar o topo.

Ataque inoperante e a teimosia de Ceni

Se o Bahia quer ir direto para a fase de grupos da Libertadores de 2027, vai precisar encarar os seus fantasmas de frente. E o principal deles mora no setor ofensivo. Dos 48 gols marcados pelo time no Brasileirão, apenas 19 saíram dos pés dos atacantes. O restante vive um jejum interminável que corrói qualquer esperança de regularidade.

O cenário é assustador: Alejo Véliz não balança as redes desde 5 de setembro (dois meses de seca); William José sumiu do mapa e não participa diretamente de um gol desde maio; Everaldo amarga meses sem marcar e sequer tem entrado em campo; Kike Oliveira só fez um golzinho isolado no campeonato lá em fevereiro; Ademir não marca desde julho; e Mateo Sanabria não sabe o que é comemorar desde maio. Apenas Erick Pulga tenta dar uma resposta, e marcou na vitória recente sobre o São Paulo.

Diante desse deserto técnico, o que faz Rogério Ceni? Recusa-se terminantemente a dar minutagem aos Pivetes de Aço. Enquanto o resto do futebol brasileiro fatura e ganha soluções caseiras apostando em jovens talentos — pense onde estariam joias como Endrick, Estêvão, Rayan, João Pedro, Savinho ou Gabriel Mec se os técnicos adotassem a política do "não estão prontos" —, Ceni tranca a porta da garagem.

Os números da base gritam por socorro e oportunidade:

  • Kauê Furquim, de 17 anos, tem 13 gols em 36 partidas no ano, mas ganhou migalhas (203 minutos) na equipe principal nesta Série A; além de ser o destaque da Seleção Brasileira sub-17.
  • Ruan Pablo, de 18 anos, tem 5 gols na temporada e mofou no banco com míseros 42 minutos jogados no Campeonato Brasileiro; já atua na Seleção Brasileira sub-20.
  • Dell, com apenas 18 anos e 69 minutinhos em campo no Brasileirão, acumula 23 gols em 41 jogos na temporada somando a base; e tem convocações regulares para Seleção Brasileira de base.

E aí vem a pergunta: quem está "pronto" no ataque principal, Ceni? A insistência em manter peças inoperantes enquanto ignora a fome voraz dos garotos é ir na contramão do futebol moderno.

Última dança e o sprint final de Everton Ribeiro

Para além das escolhas táticas de Ceni e da fome que se cobra da molecada da base, a virada de chave emocional passa obrigatoriamente pelos pés e pela cabeça de Everton Ribeiro. Sabemos e respeitamos todas as questões físicas e os percalços severos de saúde que ele enfrentou ao longo deste 2026. Ninguém é ingênuo ou insensível: jogar em altíssimo nível uma Série A inteira e encarar o calendário insano de uma Libertadores em 2027 não é mais uma realidade para o meia. O tempo e o corpo cobram a sua conta.

No entanto, o futebol é feito de momentos definitivos. O Bahia não precisa que Everton dispute 90 minutos em rotação máxima em todos os jogos, mas precisa — desesperadamente — da sua inteligência espacial, do seu passe refinado que clareia o jogo e, acima de tudo, da sua bagagem vitoriosa nesta reta final. É a hora do capitão dar aquele sprint derradeiro de energia, colocar a bola debaixo do braço e guiar um elenco que muitas vezes parece perdido emocionalmente.

Everton Ribeiro tem a chance de carregar o time nesses cinco jogos decisivos e se despedir do Esquadrão pela porta da frente, com a honra e o gigantismo que sua carreira merece. Se a vaga direta vier, terá a assinatura e a elegância do seu futebol como presente de despedida para a torcida tricolor.

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5 finais e o orgulho tricolor

A matemática ainda sorri e abre um horizonte gigantesto. Restam 15 pontos em disputa e o Bahia pode chegar a sonhadores 68 pontos. No entanto, o roteiro da reta final exige nervos de aço e confrontos diretos onde não há espaço para tremer:

  • Cruzeiro x Bahia (fora de casa, confronto direto feroz);
  • Grêmio x Bahia (fora, contra um rival desesperado lutando contra o Z4);
  • Bahia x Coritiba (em casa, diante de um adversário sem grandes ambições);
  • Botafogo x Bahia (fora, equipe ainda flertando com riscos);
  • Bahia x Atlético-MG (em casa, fechando a campanha em outro confronto direto pelo G4).

A torcida já faz a sua parte com carnavais nas arquibancadas em todos os jogos. Cabe agora ao elenco sacudir a poeira, resgatar o orgulho de vestir o manto tricolor e jogar como quem acredita que pode vencer qualquer um, em qualquer lugar. E a Ceni, cabe a exigência de desatar os nós da prancheta, experimentar, ousar e parar de ter medo de vencer.

Independente de como termine esta temporada e se a vaga direta na Libertadores vai coroar o ano, uma certeza já ecoa nos bastidores: este elenco, pela falta de consistência e espírito competitivo em momentos-chave, precisará de uma profunda limpeza e oxigenação em 2027. Mas, até lá, há uma história linda para ser escrita. Basta querer.

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Brasileirão EC Bahia libertadores Rogério Ceni

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