HORÁRIO POLÍTICO
2º turno na TV: Flávio defende benefícios e Lula alerta sobre cortes
Candidatos estreiam programas do 2º turno mantendo estratégias da primeira semana



Os candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomaram nesta sexta-feira, 9, a veiculação do horário eleitoral gratuito na televisão para o segundo turno.
As primeiras peças exibidas mantiveram a espinha dorsal das estratégias traçadas por ambas as campanhas desde a apuração da primeira etapa da disputa.
O senador do PL buscou afastar resistências ao focar em garantias sociais e no discurso de renovação, enquanto o atual chefe do Executivo centrou fogo na memória da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e no apelo ao engajamento popular.
Resultado das urnas
Logo na abertura do programa partidário, Flávio Bolsonaro explorou o resultado das urnas no primeiro turno, no qual superou a votação obtida pelo petista.
“A gente não está começando aqui uma nova campanha de segundo turno. A gente está dando o passo final para uma mudança que já começou”, declarou o parlamentar.
Para neutralizar investidas do adversário, a propaganda do PL dedicou um bloco no formato de perguntas e respostas para assegurar que programas como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Minha Casa Minha Vida não vão ser extintos. Precedido por um alerta sobre notícias falsas, o candidato garantiu:
“Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício”.
O congressista prometeu ainda reduzir as prestações de financiamentos habitacionais e levar o Sistema Único de Saúde (SUS) a um “padrão Einstein”, em referência ao hospital privado paulistano, sem detalhar as fontes de custeio ou a viabilidade técnica das medidas.
O movimento defensivo ocorre um dia após Lula publicar vídeo nas redes sociais afirmando que uma eventual vitória do senador colocaria em risco serviços básicos de saúde e repasses de renda. Durante a transmissão, a campanha do PL reiterou o slogan “Brasil do mesmo lado”.
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Ofensiva e apelo às ruas
Em contraponto, a abertura da peça de Lula foi dedicada a criticar propostas de contenção de despesas associadas ao clã adversário, exibindo manchetes de jornais sobre contingenciamentos ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro em áreas essenciais, como merenda escolar, tratamento contra o câncer e habitação.
“Quando um dos Bolsonaro fala em corte, é preciso relembrar para não repetir”, afirmou a locução, emendando: “Com o Flávio Bolsonaro, você perde”.
Em fala direta aos eleitores, o presidente agradeceu o apoio recebido na primeira etapa e dirigiu-se àqueles que votaram em outros nomes. Mencionando que esta é a “última eleição”, associou o conceito de prosperidade à geração de empregos qualificados e à elevação do poder de compra.
“Você quer prosperidade. Eu estou junto com você”, disse.
Novos quadros
A propaganda petista também abriu espaço para novos quadros do partido e nomes fortes do ambiente virtual — como a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos —, que convocaram os apoiadores a intensificar o diálogo no ambiente digital e na panfletagem de rua.
A transmissão deu destaque ainda a manifestações favoráveis ao fim da jornada de trabalho na escala 6x1. Encerrando a exibição, Lula rebateu a retórica de renovação usada pelo oponente.
“Mudar não é voltar ao passado. Mudar não é perder o que a gente conquistou, nem voltar atrás nas conquistas das mulheres e dos trabalhadores”, declarou, antes de fazer o chamado final para a mobilização da militância na reta decisiva da disputa.


