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BOOM IMOBILIÁRIO

Outra Salvador: os 4 lugares da cidade que mais vão mudar nos próximos anos

Investimentos públicos nessas regiões devem causar novos desenhos imobiliários e comerciais

Carla Melo

Por Carla Melo

29/03/2026 - 10:03 h

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Novo trecho da Avenida 29 de Março
Novo trecho da Avenida 29 de Março -

Toda cidade cresce, e nos últimos anos, Salvador, que chega aos seus 477 anos neste domingo, 29,tem apostado cada vez mais na implementação e no desenvolvimento de grandes dispositivos culturais, urbanos e econômicos para acompanhar a própria transformação estrutural e demográfica.

Isso está presente desde a viabilização da Nova Rodoviária da Bahia ao planejamento de um importante sistema de transporte na periferia de Salvador, o Teleférico do Subúrbio.

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Esses recentes investimentos bilionários anunciados na capital baiana trazem não somente boas perspectivas para o impulsionamento do turismo, da economia local e da ampliação de equipamentos culturais e de mobilidade, mas também são atrativos para o setor imobiliário, que já mira potenciais polos nessas regiões.

A partir deste ano, esses dispositivos já vislumbram impactos na capital baiana, mas além disso, se somam a outros investimentos e iniciativas do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura de Salvador que devem mudar o desenvolvimento urbano, a estrutura de mobilidade e a aproximação de novos negócios na capital baiana.

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Para os próximos anos, há expectativas e perspectivas de impactos positivos na região de Pirajá, Cajazeiras, Subúrbio Ferroviário, Avenida 29 de março, além claro, de bairros circunvizinhos. Com a atração de novos empreendimentos e alções, esses espaços podem mudar totalmente do que hoje nós conhecemos:

Confira os 4 lugares que mais vão sofrer mudanças em Salvador nos próximos anos:

Subúrbio de Salvador

Salvador anunciou que a partir dos próximos três anos a cidade vai contar com um inédito Teleférico do Subúrbio de Salvador, sistema de transporte que ligará a periferia da capital baiana à estação de metrô de Campinas de Pirajá. O dispositivo contará com 4,3 km de extensão, 27 torres e uma ligação entre mais três estações:

  • Estação Pirajá;
  • Estação Mané Dendê;
  • Estação Praia Grande.

O investimento de R$ 700 milhões deve também contar com uma integração ampla entre os sistemas de BRT (Bus Rapid Transit) e o BRS (Bus Rapid Service) e a grande bola da vez, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que está também sendo viabilizada em principais trechos na capital baiana.

VLT no Subúrbio Ferroviário
VLT no Subúrbio Ferroviário | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Desenvolvidas pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), as obras do VLT, que já devem começar os primeiros testes em 2026, se somam a esse avanço na mobilidade da periferia de Salvador. Atualmente, são três principais trechos:

  • Trecho 1: liga a Calçada à Ilha de São João, em Simões Filho
  • Trecho 2: liga o bairro de Paripe a Águas Claras
  • Trecho 3: liga Águas Claras a Piatã

A obra gigantesca de teleférico deve ser iniciada no 2º semestre de 2026, mas antes disso já começa a apresentar mudanças na infraestrutura. Ao menos seis localidades devem ser beneficiadas com a chegada do equipamento:

  • Praia Grande;
  • Rio Sena;
  • Ilha amarela;
  • Alto da Terezinha;
  • Pirajá;
  • Campinas de Pirajá.

Toda a transição modal do bairro da Escada à Praia Grande, uma das paradas do trecho do VLT, está sendo elaborada pelo CTB. De acordo com o presidente da companhia, Eracy Lafuente, o projeto de integração projetado junto ao Teleférico atende ao objetivo do interesse da cidade de Salvador, e que dentro desse projeto, há planejamento de se construir mais um equipamento de mobilidade: um terminal náutico.

Projeto Teleférico do Subúrbio
Projeto Teleférico do Subúrbio | Foto: Divulgação/Respostas Sustentaveis

“A partir disso, a gente vai verificar junto a municipalidade se isso é viável ou não. Mas esse projeto, a CTB já está fazendo em prol da cidade e em torno daquela região, das pessoas que moram na estrada de Praia Grande. Já estamos prontos. Já estamos próximos de 30 km de via do VLT, e já devemos começar a operar ainda este ano”, disse o presidente.

Especialista em planejamento urbano, Luiz Antonio de Souza aponta que é preciso estudar a fundo a implementação do modal na região, haja vista que “o BRT, o VLT ou mesmo o Metrô não dialogam com a morfologia da cidade e as áreas de moradias ocupadas pela população”

Obras imobiliárias na região
Obras imobiliárias na região | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Ao portal A TARDE, o secretário Municipal de Infraestrutura (Seinfra), Luiz Carlos, informou que está iniciando o processo de contratação de uma empresa de comunicação para avisar à população sobre as desapropriações necessárias para o andamento da obra.

O morador Pedro Nepomuceno avalia como positiva a chegada dos novos dispositivos na região e aposta em uma melhora na mobilidade para a população

“Eu acredito que assim como qualquer outro meio de transporte, isso vai ajudar muito a população que mora em Pirajá. É mais uma alternativa para a gente locomover, no desenvolvimento do bairro e a chegada de novas empresas. Pirajá é um bairro que tem uma população muito grande e por isso os trechos são muito distantes. Quando você conecta um bairro à cidade grande, você acaba atraindo olhares”, disse o produtor audiovisual, que começou a perceber movimentações imobiliárias na região.

A tendência é que com regiões com fácil acesso ao transporte, o mercado enxergue com maior facilidade os investimentos aqui. Então, assim, eu acredito que com a chegada do teleférico, em Pirajá, o desenvolvimento do bairro com certeza vai crescer ao longo dos anos
Pedro Nepomuceno - morador de Pirajá

As mudanças urbanísticas no Subúrbio já são percebidas, mesmo que as obras ainda estejam em andamento. O presidente da CTB cita algumas melhorias realizadas na região:

  • Construção de um parque linear da cidade, com paisagismo
  • Intervenções urbanísticas com rejuvenescimento
  • Requalificação da órbita do Subúrbio
  • Plantio de manguezal
  • Instalação de equipamentos de academia, entretenimento e playground para as crianças

Águas Claras

A grande menina dos olhos da capital baiana, a Nova Rodoviária da Bahia, inaugurada em janeiro deste ano, no bairro de Águas Claras, contou com investimento de R$ 120 milhões, e é outro equipamento que deve ganhar um novo desenho urbano e impactar diretamente bairros como Pirajá, Cajazeiras e o Subúrbio Ferroviário.

O novo "coração" geográfico de Salvador está sendo viabilizado junto com um outro grande complexo intermodal, reunindo metrô, ônibus urbanos, metropolitanos e intermunicipais e, além disso, ganhará novos horizontes com a conexão futura com o VLT.

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Quem mora próximo da rodoviária já percebeu a diferença, principalmente no que se refere à mobilidade. Matheus Costa Lima é morador de Águas Claras e já considera a mudança como positiva tanto para quem trabalha cedo, como também para a atração de negócios na região.

“Houve uma mudança principalmente de mobilidade do bairro, tanto devido à integração ao metrô, quanto à acessibilidade de dispositivos comerciais, como o SAC e outras lojas que estão dentro da rodoviária. Com esses três investimentos, que são a via alternativa na Avenida 29 de Março, o metrô e a rodoviária, Águas Claras e região estão muito mais próximas da cidade. Acho que é o impacto diretamente no trabalhador que precisa acordar e pegar o transporte público”, explicou o engenheiro civil.

Matheus, que mora a 5 minutos de carro da nova rodoviária, também já percebeu movimentação no setor de construção ao redor dos investimentos na região e anseia para que o crescimento na região seja ordenado.

“Já conseguimos ver, principalmente, ali na região de de Campinas, uma maior quantidade de investimento em imobiliário. Algumas construtoras já estão construindo alguns prédios, estrategicamente próximos ao metrô e à rodoviária, e isso é uma evolução imobiliária”, continuou ele.

Mais de 22 mil passageiros passam diariamente pelo local, que oferece inúmeros serviços comerciais. Mais do que os 200 pontos comerciais dentro da rodoviária, a expectativa é que fora dela, seja criado um gigantesco pólo comercial e imobiliário

VLT na região de Águas Claras
VLT na região de Águas Claras | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

A Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA) já havia observado um aumento do interesse por empreendimentos residenciais e comerciais de perfil popular, diferente do padrão corporativo consolidado no entorno da antiga rodoviária, e agora incorporadoras que já atuam na região buscam novos terrenos para atender à demanda crescente por moradia.

Esses avanços vão permitir que, além da implementação de mais uma alternativa no sistema de transporte público, toda área urbana seja contemplada com uma indução de oportunidades econômicas. É o que também defende Lafuente.

“Estamos falando de uma nova etapa. Na medida em que nós estamos em obra no VLT, também já está em obra o metrô, e ao mesmo tempo planejando e projetando a expansão de conexão entre a região metropolitana. Você já tem um impacto extraordinário, na medida que nesse eixo vai ter uma oportunidade logística. A cidade terá um um um ganho em termos de qualidade de deslocamento e de possibilidade de novos negócios de modo para que a gente possa redirecionar a vida da pessoa que mora em Salvador e da pessoa que mora na RMS”, continuou ele.

Avenida 29 de Março

Ali próximo, uma nova rota de acesso que conecta a BR-324 à Avenida 29 de Março começou a operar. Localizado na Via Tecom, o trecho busca organizar o trânsito especialmente no entorno da nova Rodoviária de Salvador e do terminal urbano de ônibus, que passam a concentrar grande circulação diária de passageiros e veículos.

A liberação integra um complexo viário planejado de forma integrada, levando em conta diferentes modais de transporte que estão sendo implantados na área. A expectativa é distribuir melhor o fluxo de veículos, evitando sobrecarga em um único acesso.

O chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Gustavo Campos, explica por sua vez que, após a interferência do Governo do Estado para a inclusão de segurança jurídica, saneamento e demais serviços públicos na região, a tendência é que haja um grande desenvolvimento imobiliário naquela região.

Novo trecho na Avenida 29 de Março
Novo trecho na Avenida 29 de Março | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

“A ideia é trazer justamente um ambiente propício para que haja um investimento da parte do setor privado, fomentando o setor do comércio, a criação de novos prestações de serviço naquela região. A gente já tem um crescimento imobiliário latente naquela região, com residências e comércio. A expectativa é de que a região se torne um polo de atratividade para o desenvolvimento comercial ali e prestação de serviço”, explica ele.

Para o professor de Teorias Urbanísticas do PPG-AU/FAUFBA, Luiz Antonio de Souza, esses investimentos públicos na infraestrutura precisam estar em consonância a um processo planejado de transformação da cidade, integrando aspectos ambientais, socioeconômicos, com desdobramentos na melhoria da qualidade de vida da população.

Sem dúvida esses investimentos públicos vão imprimir novo dinamismo do ponto de vista imobiliário ou do melhor dos preços dos terrenos nos seus entornos. Até mesmo pelo anúncio dos mesmos e depois por sua efetiva implantação
Luiz Antonio de Souza - Arquiteto e Urbanista

Mas ele chama atenção para o movimento que a atração de novos negócios nessas regiões pode ter. De acordo com o arquiteto, é necessário atentar-se para as demandas que devem se aproximar a esses investimentos públicos.

“Isso redefine por completo o uso do solo e a disputa por localização nessas áreas. Ou seja, é um potencial que pode ser socialmente benéfico se capitalizado por toda sociedade ou negativo se apropriado privadamente, de acordo com as políticas e decisões públicas”, continua Luiz Antonio.

Pelo Governo do Estado da Bahia, a área está recebendo investimentos em habitação de interesse social, é exemplo:

  • Construção de um espaço de 1.300 metros quadrados para uma cooperativa social, o CajaVerde;
  • Área habitacional com 300 unidades, e investimento de R$ 50 milhões.

Boca do Rio

Desde o Carnaval de Salvador 2025, Salvador vem debatendo a possibilidade da festa se ampliar, ganhar novos rumos e se espalhar pela capital baiana. A ideia de um novo circuito da folia baiana ficou ainda mais efervescente após problemas com superlotações nos dias de festa, que neste ano, foi realizada dos dias 27 de fevereiro e 5 de março.

O presidente do Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar), Washington Paganelli, indicou ao portal A TARDE que essa é uma discussão técnica e que os números da festa deste ano vão ser analisados, inclusive em conjunto com a Prefeitura de Salvador, para entender se há essa necessidade.

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“Há um ou dois anos discutimos bastante a criação de um novo circuito, fizemos testes e para esse ano vamos analisar tudo que aconteceu. Vamos olhar os números para ver se há possibilidade ou não de criação. O Carnaval é discutido tecnicamente”, comenta.

Em entrevista à reportagem, o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, afirmou que a chegada de um novo dispositivo para o Carnaval de Salvador, com a criação de um novo circuito da folia carnavalesca, precisa ser olhada com “responsabilidade, diálogo e muita maturidade.”

Ele aponta ainda que no último Carnaval, Salvador registrou em dois dos seis dias oficiais, uma superação no volume de pessoas no circuito do Centro em comparação com a quantidade de foliões registrados na Barra-Ondina, o que fortalece a ideia que a implementação deste equipamento “desmonta qualquer tese de enfraquecimento” do que o Carnaval é hoje.

O que estamos fazendo é qualificar, redistribuir e ampliar a experiência do Carnaval na cidade. Dito isso, olhando de forma técnica e estratégica, caso um novo circuito na Boca do Rio venha a se consolidar no futuro, os ganhos potenciais são relevantes
Isaac Edington - presidente da Saltur

O presidente da Saltur ainda cita alguns ganhos que a localidade poderia ganhar diante desse possível novo circuito, são eles:

  • Ampliação de capacidade: mais espaço para blocos, trios e foliões, reduzindo pressão sobre os circuitos tradicionais.
  • Melhoria de acessibilidade e mobilidade: a região tem características urbanas que permitem uma operação mais fluida, com possibilidade de planejamento mais eficiente.
  • Expansão da infraestrutura: maior área para instalação de estruturas públicas (saúde, segurança, serviços) e privadas (camarotes, ativações, alimentação).
  • Descentralização estratégica do Carnaval: fortalecendo a lógica de cidade policêntrica e ampliando o alcance territorial da festa.
  • Dinamização econômica local: ativação direta da economia da região — comércio, serviços, ambulantes e geração de renda.

Ele enfatiza, entretanto, que a decisão deve ser construída através de escuta com entidades, artistas, patrocinadores e, principalmente, com a sociedade.

“Vejo com bons olhos, desde que seja feito com pragmatismo, responsabilidade, sem sensacionalismo ou oportunismo e sobretudo o mais importante, construção coletiva. A questão é que aqui na Bahia, até essa sinalização, minha opinião vira polêmica”, brincou o presidente.

Boca do Rio
Boca do Rio | Foto: Rafaela Araújo/ Ah. A TARDE

A região já vem aparecendo na mira de investidorese empresários de diversos ramos, antes mesmo da idealização do novo circuito do Carnaval. A série de investimentos consolidados naquela região, como a implementação do novo Centro de Convenções e de um centro multiuso, além de projetos de hotelaria, gastronomia, comércio e serviços fortalece ainda mais a capacidade de tornar-se um “vetor de desenvolvimento da cidade”.

“Uma vez que esse circuito venha se consolidar, ele dialoga perfeitamente com tudo que já está sendo estruturado ali, potencializando o uso do território, ampliando a ativação econômica e consolidando de vez a região como uma nova centralidade de Salvador. Planejamento urbano, grandes eventos e desenvolvimento econômico caminhando juntos — de forma integrada e estratégica.”, finaliza Isaac Edington.

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