OITIVA
Filho de vereadora acusado de atropelar atleta será ouvido nesta terça
Atropelamento, ocorrido sobre uma calçada no bairro da Pituba, provocou amputação da perna direita


O empresário Cleydson Cardoso presta depoimento à Justiça pela primeira vez nesta quarta-feira, 9, às 10h30, no Fórum Criminal de Sussuarana, em Salvador. A oitiva é o ponto central da terceira e mais importante audiência de instrução do processo em que o acusado é réu, denunciado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) por atropelar o estudante de Educação Física e maratonista Émerson Pinheiro, de 30 anos.
O atropelamento, ocorrido sobre uma calçada no bairro da Pituba, provocou a amputação da perna direita do atleta.
O crime aconteceu no dia 16 de agosto do ano passado, às 5h40, quando a vítima realizava um treino para a Maratona de Buenos Aires. Preso em flagrante por dirigir sob efeito de álcool, Cleydson optou pelo direito de permanecer em silêncio e, desde então, não apresentou sua versão sobre as circunstâncias do acidente.
Após permanecer detido por 30 dias, o empresário obteve a liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares impostas pelo Judiciário. Já Émerson Pinheiro passou cerca de um mês internado no Hospital Geral do Estado (HGE) e enfrenta um doloroso tratamento médico na tentativa de preservar a perna esquerda, severamente atingida pelo impacto.
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Disputa judicial trava prótese
Além do abalo físico, a vítima enfrenta um impasse na esfera cível. A mãe de Cleydson, a vereadora Débora Santana (PDT), assumiu inicialmente o repasse de uma ajuda de custo mensal ao atleta. Contudo, meses depois, a parlamentar passou a contestar as despesas na Justiça.
O travamento das decisões impede o maratonista de adquirir uma prótese adequada para recuperar a mobilidade e iniciar o processo de adaptação para o retorno ao esporte.
Paralelamente, a ação criminal ganha novos contornos sob a condução do advogado Rogério Matos, assistente de acusação, que busca a condenação do acusado por tentativa de homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar.
"Esse cidadão não pode conviver em meio à sociedade sem pagar pelo crime que cometeu. Todas as testemunhas ouvidas indicam a forma irresponsável como ele conduzia o veículo pela orla, fazendo manobras que colocaram pedestres em risco de Amaralina até a Pituba", afirmou o jurista. A expectativa da acusação é que o réu seja levado a júri popular.
Relembre o caso
O maratonista Emerson Pinheiro, de 29 anos, estava treinando (atletismo) no bairro da Pituba quando o motorista Cleydson Cardoso Costa Filho, filho da vereadora Débora Santana (PSDB) invadiu a calçada e atingiu um poste, uma barraca de acarajé e o corredor com o carro.
O acidente culminou na amputação de uma das pernas de Emerson e diversas fraturas na outra.
Desde o dia do acidente, amigos e familiares de Pinheiro se mobilizaram para doar sangue para reforçar o estoque do hospital.
Débora Santana
O acidente que amputou uma das pernas de Emerson resultou em uma grande polêmica envolvendo a mãe do acusado, a vereadora Débora Santana.
Com a estabilização do estado de saúde de Emerson, a defesa do maratonista partiu para um acordo de custos com a família do Cleidson.
Porém, conforme informou a advogada Losângela Passos ao portal A TARDE, o acordo vinha sendo descumprido pela parte de Cleydson. Com isso, a defesa de Emerson partiu para a judicialização do caso, para garantir os direitos necessários para o tratamento da vítima.
Com a decisão da Justiça, foram garantidos:
- pensão para a vítima no valor de R$ 3.000;
- manutenção do aluguel do apartamento da vítima;
- custeio é a continuidade do custeio das sessões de fisioterapia necessárias para reabilitação de Emerson;
- custeio das duas próteses, uma para uso cotidiano e outra para a prática esportiva do atletismo.
Porém, de acordo com Losângela, assim que a vereadora foi citada, ela teria recorrido a decisão com um recurso no Tribunal de Justiça da Bahia.
Após isso, a defesa de Emerson se apresentou à Justiça e o pedido de liminar foi negado.


