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NO FIM DAS CONTAS

Quer pedir demissão? Faça esta conta antes de entregar a carta

Especialista explica quanto guardar e o que considerar antes de abrir mão do salário fixo.

Lívia Oliveira
Por
A decisão pedir demissão deve começar a partir de um bom planejamento financeiro.
A decisão pedir demissão deve começar a partir de um bom planejamento financeiro. - Foto: Imagem criada com Gemini

O pedido de demissão vai muito além de uma decisão profissional. Essa decisão impacta diretamente na conta bancária. Para além de abrir mão do salário fixo, para aqueles que trabalham em regime CLT, o pedido significa perder benefícios e assumir despesas que antes eram pagas pela empresa.

A decisão de sair do trabalho precisa partir de um
planejamento financeiro estruturado. O que isso significa? Énecessário saber exatamente quanto custa manter as despesas essenciais do mês, quais são os novos custos e se há oportunidades de reduzir gastos.

Com essas informações, você consegue fazer previsões para os meses seguintes e estipular o valor que deve reservar antes de entregar a carta de demissão.

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A vontade de largar o emprego precisa ser transformada em números

Por questões profissionais e pessoais, precisei fazer esse exercício recentemente antes de encerrar a jornada profissional em uma empresa. De forma objetiva, criei uma planilha e passei alguns meses listando todos os meus gastos.

Ao observar criteriosamente, encontrei oportunidades de cortar custos e, com isso, aumentei a quantia de dinheiro que conseguia destinar à reserva financeira. Também aproveitei os meses de preparação para buscar formas de fazer um dinheiro extra.

Brasil registrou recorde de pedidos de demissão

Em 2025, de acordo com Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged), 9,2 milhões de brasileiros deixaram seus cargos por vontade própria. Esse número representa 36% do total de desligamentos registrados no período e o maior volume da série considerada pelo levantamento, iniciada em dezembro de 2004.

Esse recorde em demissões voluntárias não é um acaso, nem um reflexo de impulso juvenil, apesar da maioria dos casos acontecer envolvendo pessoas com idade entre 18 e 28 anos. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como as pessoas se relacionam com o próprio tempo, com a saúde e a carreira profissional.

Mas, afinal, o que está levando milhares de brasileiros a pedir para sair do trabalho?

Não existe uma única motivação. A insatisfação com função, a falta de valorização, o aparecimento de uma vaga melhor, a vontade de empreender e até questões de saúde podem pesar na hora de assinar a carta de demissão.

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Quanto guardar antes de pedir demissão?

Em entrevista ao A TARDE, a contadora Sabrina Oliveira explica que o primeiro passo é calcular quanto custa manter o essencial da sua vida durante um mês. Essa conta deve considerar moradia, alimentação, água, transporte, saúde, parcelas de dívidas e outros compromissos que não podem simplesmente ser interrompidos.

Para além desses cálculos, a contadora também orienta que é importante estimar o valor da rescisão. “Em caso de pedido de demissão, o trabalhador tem direito ao saldo de salário, ao décimo terceiro proporcional e às férias devidas acrescidas de um terço”, lembra Sabrina.

Com base nisso, você consegue definir a quantia equivalente de salário que deve guardar. O planejamento ainda devem considerar os próximos da carreira: ter outro emprego garantido, não ter nada em vista ou foco em empreender.

Já tem outro emprego? O risco de ficar sem renda diminui, mas não desaparece

Ter uma nova contratação encaminhada é um cenário favorável. Porém, ainda assim, vale conferir quando cairá o primeiro salário, qual será a remuneração líquida e quais custos podem mudar no novo trabalho.

Sabrina Oliveira orienta que vale reservar o valor necessário para pagar as despesas essenciais por pelo menos seis meses, embora reconheça que parte da reserva talvez nem precise ser utilizada se a nova contratação começar imediatamente.

Inicialmente, a orientação parece ser muito conservadora, mas há imprevistos mesmo quando outra vaga já está encaminhada: atraso no início, período de experiência, remuneração diferente da esperada ou despesas de adaptação.

Quanto preciso guardar de dinheiro se for ficar desempregado?

Esse é um cenário delicado, porque não tem como prever quanto tempo levará até a próxima contratação. A profissional de contabilidade conta que o ideal é ter a quantia de até um ano de despesas reservadas, principalmente em casos de pessoas que sustentam a casa sozinha, possuem dependentes, pagam financiamento e trabalham em áreas com poucas vagas.

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Reserva para pedir demissão e reserva de emergência são a mesma coisa?

Idealmente, não.

A reserva de emergência existe para suprir situações inesperadas, como um problema de saúde ou um reparo urgente. Já o dinheiro destinado ao período depois do pedido de demissão serve para sustentar alguns meses sem aquela renda.

A contadora chama esse segundo montante de reserva de transição e recomenda, sempre que possível, mantê-lo separado da reserva de emergência. “As duas reservas devem ficar em aplicações de baixo risco, com liquidez e acesso imediato (se necessário)”, acrescenta.

Para quem não tem uma reserva de emergência, a contadora orienta aumentar o prazo de preparação financeira antes de pedir demissão. Também vale buscar formas de reduzir o custo mensal ou construir outra fonte de renda.

Quanto guardar de dinheiro se o objetivo é empreender?

Para abrir uma empresa, Sabrina Oliveira conta que o correto é fazer duas projeções: uma com foco na vida pessoal e outra na vida empresarial. No segundo caso, deve-se considerar o investimento inicial e os recursos necessários para sustentar a operação até alcançar uma geração de lucro regular.

Outra dica importante é, antes de qualquer coisa, analisar o segmento que quer investir. Pesquise sobre os custos envolvidos considerando o valor de manutenção, equipamentos, impostos, taxas, licenças, entre outros.

Planejamento não elimina risco, mas muda a forma de enfrentá-lo

Nenhuma reserva transforma um pedido de demissão em uma decisão sem incertezas. Também não garante que o próximo emprego chegará rápido ou que um novo negócio dará certo.

Mas conhecer os números envolvidos reduz o espaço para surpresas. “O planejamento financeiro no pedido de demissão permite que você escolha o próximo passo com mais liberdade e critério. Não vai existir a pressão para aceitar qualquer oferta de trabalho apenas porque o dinheiro acabou”, conclui Sabrina Oliveira.

Sobre a fonte: Sabrina Oliveira é contadora, com 9 anos de experiência e pós-graduação em Gestão da Contabilidade e Finanças e Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar. Ela é fundadora da EFIZ Consultoria, que atende clientes em todo o Brasil com foco em organização e planejamento financeiro.

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demissão economia emprego

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