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Cármen Lúcia se solidariza com Moraes após vazamento de conversas

Magistrada ponderou ao colega, desconforto com exposição pública

Rodrigo Tardio
Por
Embora tenha confortado o colega no plano pessoal, jurista manteve reservada a convicção jurídica
Embora tenha confortado o colega no plano pessoal, jurista manteve reservada a convicção jurídica - Foto: Reprodução
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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), prestou solidariedade reservada ao ministro Alexandre de Moraes em razão da repercussão provocada pela divulgação de conversas atribuídas a ele com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O gesto de apoio restringe-se ao aspecto interpessoal, sem sinalizar qualquer antecipação de voto caso a controvérsia venha a ser submetida à apreciação dos pares na Corte.

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De acordo com fontes de bastidor, a magistrada ponderou ao colega desconforto com a exposição pública decorrente da derrubada do sigilo de um relatório da Polícia Federal. Contudo, a manifestação não vincula a decisão judicial, mantendo a postura habitual da ministra de deliberar exclusivamente após o exame formal dos autos do processo.

Centro dos desdobramentos

A controvérsia ganhou projeção após o relator das investigações no STF, ministro André Mendonça, ordenar a identificação do interlocutor de Vorcaro em registros de mensagens.

A apuração apontou o número telefônico associado a Moraes. Por terem sido enviadas por meio de recurso de mídia temporária, as respostas atribuídas ao ministro não constam no material, que preservou apenas as investidas do empresário.

O episódio ampliou o desgaste institucional por envolver citações a outras autoridades da cúpula do Judiciário e do Executivo, como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além de expor atritos entre o gabinete de Mendonça e a corporação policial.

Possível deliberação

A condução do impasse analisa alternativas procedimentais. O presidente do tribunal, Edson Fachin, avalia submeter a questão ao plenário para definir se os elementos fundamentam apuração formal contra o magistrado ou se houve contaminação na coleta e no manuseio de dados de autoridade com foro por prerrogativa de função.

Com a composição atual reduzida a dez integrantes devido a uma vacância, cada posicionamento ganha relevância proporcional.

Nesse contexto, a postura de Cármen Lúcia adquire centralidade. Embora tenha confortado o colega no plano pessoal, a jurista manteve reservada a convicção jurídica.

Articulações internas buscam conter a discussão em ambiente reservado ou postergar a análise para após a conclusão dos inquéritos, evitando o desgaste de uma sessão plenária transmitida ao vivo.

Dimensão institucional

A controvérsia extrapolou a situação individual de Moraes ao atingir outros integrantes do tribunal. O material menciona interações ou citações relativas aos ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux — nos dois últimos casos, envolvendo familiares.

O próprio relator, André Mendonça, passou a ser questionado por ter recebido o banqueiro em seu escritório particular fora da agenda oficial para tratar de temas em trâmite no STF.

Diante do envolvimento de múltiplos magistrados e chefias de órgãos de controle, a Corte busca gerenciar os impactos da crise enquanto aguarda as definições da presidência sobre o rito do processo.

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Alexandre de Moraes Cármen Lúcia crise institucional deliberação judicial polícia federal STF

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